Moedas anuncia fundo de três milhões para Lisboa, mas avisa: "Governo tem de ajudar já"

CNN Portugal , com Lusa
13 dez 2022, 22:15

Autarca da capital afirma que "o Governo tem de ajudar já" e pede rapidez a António Costa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa anunciou esta terça-feira que pretende criar um fundo de, pelo menos, três milhões de euros para apoiar os comerciantes e particulares que sofreram prejuízos com o mau tempo que atingiu a capital na última semana.

Carlos Moedas fez o anúncio durante uma entrevista à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), na qual falou sobre as medidas que podem ser tomadas para minimizar o impacto das cheias na cidade de Lisboa.

“Vou propor à Câmara Municipal [de Lisboa] um fundo para ajudar estas pessoas de, pelo menos, três milhões de euros. Estou a fazer os cálculos. É importante que as pessoas saibam que a Câmara Municipal vai atuar rapidamente. Nós temos de ajudar as pessoas neste momento, exatamente porque não temos a solução estrutural”, afirmou, admitindo que, havendo margem para isso, o fundo poderá ser estendido.

Apesar de a liderança da Câmara de Lisboa querer avançar com este apoio, Carlos Moedas reconheceu que este é “insuficiente” e defendeu a necessidade de o Governo ser célere com os apoios que irá disponibilizar: “O Governo tem de ajudar já. Tem de ser rápido”, apelou, já depois de o primeiro-ministro ter admitido recorrer a um fundo comunitário destinado a catástrofes para fazer face aos prejuízos causados pelo mau tempo.

O autarca voltou a sublinhar que os fenómenos de enorme pluviosidade que ocorreram durante a madrugada e no final da semana passada “são muito difíceis de prever” e que a solução estrutural para mitigar os seus efeitos será a construção de dois túneis de drenagem. Uma obra que está para ser iniciada há vários anos, e que Carlos Moedas espera encetar em março.

“A única solução são os túneis de drenagem. Há três meses, em alguns discursos, eu falava nos túneis de drenagem. As pessoas não ouviam, às vezes, porque isto era algo invisível”, apontou.

Segundo explicou, a ideia é construir um túnel entre a zona de Monsanto e a de Santa Apolónia e entre a de Chelas e o Beato, evitando que a água chegue às zonas mais baixas da cidade de Lisboa, como Alcântara, que têm sido mais fustigadas pelas fortes chuvadas.

Até que essa solução estrutural não esteja implementada, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa admite que a única forma de prevenir acidentes é permitindo que as pessoas possam ficar em casa, defendendo que as empresas devem estar preparadas para essa situação. Foi precisamente essa a recomendação da autarquia e das autoridades, pedindo àqueles que podiam que ficassem em teletrabalho, ao mesmo tempo que se procedeu ao encerramento de várias escolas.

Carlos Moedas assegurou também que tem havido “um reforço constante” das equipas que estão a responder às ocorrências do mau tempo e garantiu que estão a ser criadas as condições de segurança.

“Nós mostramos que os lisboetas se podem sentir seguros. Nós tivemos 600 pessoas nesta operação. Temos pessoas na Câmara Municipal, na Polícia Municipal, nos Bombeiros Sapadores de Lisboa, nos bombeiros voluntários que não dormem há quatro noites. Um agradecimento a eles, pois são eles que garantem a nossa segurança”, atestou.

O mau tempo causou 99 desalojados em Portugal continental, que terá novo agravamento meteorológico na quarta-feira, entre as 09:00 e as 18:00, com chuva persistente e pontualmente forte.

O balanço, o segundo do dia, foi feito esta noite pelo comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, André Fernandes, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, Oeiras.

A chuva intensa e persistente que caiu de madrugada causou hoje centenas de ocorrências, entre alagamentos, inundações, quedas de árvores e cortes de estradas nos distritos de Lisboa, Setúbal e Portalegre, onde há registo de vários desalojados.

Na zona de Lisboa a intempérie causou condicionamentos de trânsito nos acessos à cidade, que levaram as autoridades a apelar às pessoas para permanecerem em casa quando possível e para restringirem ao máximo as deslocações.

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