Autarca lamenta ver casos de "pessoas que muitas vezes não saem de casa porque têm medo” e promete que vai "continuar a lutar" por "mais PSP em Lisboa"
O presidente da Câmara de Lisboa considerou esta segunda-feira “inadmissíveis” as imagens de disparos com armas de guerra num bairro municipal e, embora a PSP esteja a incrementar as operações de prevenção, apelou ao Governo para mais polícias na cidade.
“Essas imagens em que vemos indivíduos a atirarem com armas de guerra são inadmissíveis na nossa cidade. Inadmissíveis porque é uma mudança de paradigma, ou seja, ver num bairro municipal tiros com armas de guerra, armas daquele calibre, não pode acontecer”, afirmou Carlos Moedas (PSD).
O autarca falava após uma reunião do Conselho Municipal de Segurança restrito, apenas com oficiais da Polícia Municipal e do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, que serviu também para fazer um balanço da segurança na capital.
“A informação que nos traz também aqui a PSP, obviamente não só no caso concreto, que é um caso que está sob investigação, mas foi trazer alguma segurança às pessoas, que a Polícia de Segurança Pública está a incrementar o número de operações, de operações de prevenção deste tipo de eventos”, avançou Moedas.
O presidente da autarquia acrescentou que a PSP irá estar “mais presente e com mais operações especiais de prevenção criminal”, que serão “incrementadas de maneira constante, mas também permanente”, nas “próximas semanas, mas também nos próximos meses”.
Em relação às imagens divulgadas nas redes sociais, de um grupo a disparar armas automáticas e semiautomáticas na passagem de ano, no Bairro Alfredo Bensaúde, Carlos Moedas manifestou “uma preocupação muito grande” pelo sucedido e questionou como é possível ter esse “tipo de armas” na cidade e que sejam utilizadas nos bairros de Lisboa.
O autarca disse ter falado com habitantes do bairro Bensaúde e com a presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, constatando que “a preocupação, obviamente, é muito grande”, também por ver “pessoas que muitas vezes não saem de casa porque têm medo”.
“E, portanto, foi também isso que transmiti à Polícia de Segurança Pública. É preciso estarmos presentes. Nós estamos presentes nos bairros e estamos a proteger estas pessoas, seja através do policiamento comunitário, policiamento de proximidade, que é feito todos os dias, mas é preciso dar-lhes garantias”, frisou.
No entanto, o autarca salientou que, após a reunião, ficou com “alguma tranquilidade de saber que o número de operações está a aumentar” e advogou “operações em que as pessoas podem dar as suas armas à polícia” para serem “posteriormente destruídas”.
Carlos Moedas reiterou que, como presidente da câmara, se preocupa “muito com a segurança” e que alertou mais uma vez o Governo de que é preciso “mais PSP em Lisboa”.
“Nós precisamos de, pelo menos, mais 500 polícias de segurança pública em Lisboa, perdemos nos últimos 10 anos mais de 1.000 e, portanto, é preciso ter mais Polícia de Segurança Pública e vou continuar a lutar por isso”, vincou.
O presidente da autarquia agradeceu “a todas as forças de segurança pelo trabalho” durante as festas de Natal e em 31 de dezembro, que “envolveu mais de 300 pessoas na cidade e em que tudo correu excecionalmente bem”, estendendo o agradecimento ao INEM, à Proteção Civil e a “tantos outros que trabalharam nessa noite”.
E disponibilizou-se para ajudar o Estado central na melhoria das condições dos elementos das forças de segurança, recusando que a preocupação com a segurança tenha a ver com partidos políticos e defendendo que “qualquer aproveitamento político disso é muito negativo”.
A PSP abriu um inquérito às imagens de disparos com armas de guerra naquele bairro de Lisboa.