"O Brasil tem vergonha da herança portuguesa. Parece não querer reconhecer o pai pobre", diz investigador

1 jan, 18:03
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O jornalista Carlos Fino fala de uma vergonha inconsciente por parte do povo brasileiro, que tem uma tendência para não o reconhecer, no mais recente trabalho de investigação

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A relação entre Portugal e o Brasil tem sido descrita como uma experiência de ambiguidades e geradora de estranhamento. O Brasil tem vergonha das origens portuguesas e os portugueses menosprezam a antiga colónia, são estas algumas considerações feitas no mais recente trabalho de investigação do antigo jornalista da RTP Carlos Fino, “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Carlos Fino fala daquilo que classifica como a existência de uma vontade de “apagar a importância da memória portuguesa” no Brasil, devido ao que diz ser uma “vergonha da herança portuguesa”.

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“Há vergonha da herança portuguesa, que é vista como tudo o que era mau, como a origem de todos os males. Rejeitando essa herança, o Brasil rejeita tudo o que é mau, porque há sempre esse lado mau em todas as coisas. Mas perde também todo o lado bom, e esse lado bom nunca é verdadeiramente assumido como sendo uma herança genuína brasileira”, insiste.

Fino diz ainda que essa vergonha não é algo consciente por parte do povo brasileiros e que é “até rejeitada”, particularmente pela “intelectualidade brasileira”, onde a “tendência é de não reconhecer isso”.

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Outros dos fatores destacados por Carlos Fino são as piadas depreciativas aos portugueses, que fazem com que haja sempre “um olhar por trás de um olhar”.

“Eu sei que, no fundo, assim que eu virar as costas, ou talvez mesmo na minha frente, haverá alguém que conte a anedota do português. Porque o brasileiro pode até perder o amigo, mas não perde a graça. O brasileiro parece que não quer reconhecer o pai pobre”, sublinhou.

Para o jornalista esse desconforto em relação à herança portuguesa deve-se também a uma ausência de debate do colonialismo em Portugal e destaca a marca de 40 anos de salazarismo e propaganda do Estado Novo no país, que exaltou continuamente os feitos heróicos dos portugueses.

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