Caos nas urgências. "Todos os planos são um falhanço. O SNS está cada vez pior", critica bastonário

6 jan 2025, 13:33

Urgências. "Todos os planos previstos para este inverno são um falhanço"

"Temos de criar novas respostas para os nossos doentes, que não só as urgências hospitalares"

"Ano Novo, SNS velho. Este modelo está esgotado há muito tempo"

"As coisas não estão a funcionar para os utentes e não estão a funcionar para os profissionais"

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Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, diz que "é desumano" doentes esperarem "mais de 12 horas" para serem atendidos nos serviços de urgência

O aumento dos tempos de espera nas urgências e os vários serviços de urgência fechados no país são, para Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, a prova de que "todos os planos, os próprios planos de contingência, os planos que estavam previstos para este inverno, são um falhanço".

"É perfeitamente desumano o número de horas de espera que muitos doentes com situações consideradas urgentes, triadas como urgentes, a pulseira amarela como foi agora dito, têm de esperar mais de 12 horas. E há aqui de facto: uma má programação em termos de recursos humanos, por um lado, e também, e temos de o saber analisar e saber dizê-lo, o facto de muitas pessoas se dirigirem ao serviço de urgência, algumas delas infelizmente porque não têm médico de família para os poder apoiar, mas muitos também têm médico de família e acabam por não recorrer aos centros de saúde e vão diretamente ao hospital", critica Carlos Cortes em entrevista à CNN Portugal.

Segundo o bastonário, perante o que tem acontecido "sistematicamente nestas épocas de maior pressão sobre os hospitais, sobre os centros de saúde, sobre os serviços de urgência, independentemente de estarmos no verão ou de estarmos no inverno", o cenário futuro "já é conhecido".

Carlos Cortes diz ainda que este momento tem de "ser motivo de uma enorme reflexão, não só do Governo, do Ministério da Saúde, mas de todos os partidos políticos" uma vez que "há aqui um problema de fundo".

"Nestes últimos anos duplicámos o orçamento da saúde, que está neste momento perto de 17 mil milhões de euros. Fizemos reformas, a reforma das unidades locais de saúde foi feita sensivelmente há um ano, há planos que foram construídos, houve a expectativa até deste Governo de resolver todos os problemas da saúde muito rapidamente, em poucos meses, e aquilo que nós temos hoje, a constatação que nós fazemos, é que o Serviço Nacional de Saúde está cada vez pior, tem cada vez mais dificuldades", afirmou.

Para o bastonário, "os vários governos, desde há 10 ou 15 anos, não têm dado uma resposta adequada para as necessidades do Serviço Nacional de Saúde" e atualmente "parece que há uma falta de coragem para se fazer verdadeiramente as reformas que são necessárias".

"Do meu ponto de vista, um dos maiores problemas do Serviço Nacional de Saúde, nós já o conhecemos, é a falta de recursos humanos, neste caso em concreto, a falta de médicos, a falta de atratividade do SNS para captar, para contratar mais médicos. Mas há aqui também, do meu ponto de vista, outra situação que é o facto de os hospitais, das próprias ULS, se fecharem muito sob elas próprias. Não houve a integração que foi prometida com as ULS, os cuidados de saúde primários infelizmente estão pouco integrados com os hospitais, mas há aqui um conjunto de outros agentes que são muito importantes e que foram excluídos", acrescenta.

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