Sócrates diz que nomeação de Carlos Alexandre para a comissão de fraude do SNS é "uma pouca vergonha"

26 nov, 11:42
Sócrates em tribunal (Filipe Amorim/Lusa)

 

 

Antigo primeiro-ministro diz que "cargo foi criado especialmente para acomodar a escolha" do juiz

José Sócrates acusou o Governo de Luís Montenegro de ter criado um “cargo especialmente para acomodar” o juiz Carlos Alexandre, considerando que a escolha confirma “sem remissão” a parcialidade que o magistrado revelou durante o inquérito do Processo Marquês. Num comunicado enviado às redações, o antigo primeiro-ministro classifica a nomeação como “uma pouca-vergonha”.

"A nomeação vem provar – sem remissão - a parcialidade política que exuberantemente exibiu durante o inquérito do Processo Marquês. Uma pouca-vergonha, para utilizar a expressão que o senhor primeiro-ministro trouxe recentemente para o espaço público", escreve.

Sócrates estabelece ainda uma analogia com o caso brasileiro envolvendo o juiz Sérgio Moro, argumentando que ambos os processos revelam práticas de lawfare.

"Há muito a dizer. Por agora, fiquemos pela analogia do lawfare brasileiro. A crónica desta nomeação de Carlos Alexandre é em tudo semelhante à do juiz Sérgio Moro. Ali, o juiz prendeu o adversário político e recebeu o prémio de ministro de Bolsonaro; aqui, a paga, vem, cuidadosamente, onze anos depois da minha prisão no Processo Marquês. Lá, como cá, a escolha dos juízes foi vigarizada - aqui com a fraude na distribuição, ali com a trapaça da escolha da jurisdição".

Sócrates afirma que “voltará ao assunto” e termina aludindo àquilo que chama de “Prenda de Natal”, expressão que atribui ao procurador-geral e ao primeiro-ministro, sem especificar do que se trata.

"Agora, só falta a “Prenda de Natal”, já prometida pelo Senhor Procurador-Geral ao Senhor Primeiro-Ministro. Voltarei ao assunto."

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