Carla Alves entrou há um dia, mas Marcelo e Costa já veem a saída. Estão "ambos à espera que ela caia"

5 jan, 19:35

Polémica das contas bancárias congeladas pode tornar bem curta a estadia da secretária de Estado no Governo

Carla Alves tomou posse como secretária de Estado da Agricultura esta quarta-feira, mas o seu futuro político poderá ter o fim à vista em breve, sobretudo depois da intervenção do Presidente da República, surgida na sequência de nova polémica no Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa ressalvou que não existe nada de ilegal ou de menos ético no comportamento da governante, mas atirou que a mesma é um “peso político” no Governo de António Costa, já de si ferido pelas várias polémicas, e que ainda agora se tenta recompor das mais recentes demissões de Pedro Nuno Santos ou Alexandra Reis.

Em declarações aos jornalistas, no Teatro São Luiz, em Lisboa, o chefe de Estado referiu que a recém-empossada secretária de Estado "não é arguida, não é acusada", portanto, "não há, neste momento, com os factos conhecidos, nenhum caso de inconstitucionalidade ou ilegalidade".

"Outra coisa é a questão política. E no domínio da questão política naturalmente que a questão é a seguinte: alguém, em abstrato, que tem uma ligação familiar próxima com alguém que é acusado num processo de uma determinada natureza, qualquer que seja a natureza criminal, à partida tem uma limitação política, é um ónus político", considerou.

Para Anselmo Crespo não há dúvidas: o Presidente da República "demitiu uma secretária de Estado em direto", fazendo alusão ao ocorrido em 2017, quando declarações semelhantes de Marcelo Rebelo de Sousa redundaram na demissão da então ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, por causa dos incêndios de outubro, que causaram dezenas de mortos em Portugal.

O comentador da CNN Portugal entende que o chefe de Estado deixou claro que a secretária de Estado deveria ter feito uma auto-análise, acrescentando que mesmo o primeiro-ministro parece não ter confiança na governante que integra a sua equipa. "Ela obviamente não tem a confiança política do Presidente da República, e também não me parece que tenha tido grande confiança política do primeiro-ministro" durante o debate parlamentar para discutir a moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal, que acabou rejeitada.

"Não sei com que condições políticas é que a secretária de Estado se pode manter em funções depois de António Costa ter passado a tarde a chamar-lhe 'a senhora' e o Presidente da República lhe ter dado a machadada final", sublinha Anselmo Crespo.

Anabela Neves também destaca o tratamento de António Costa em relação à secretária de Estado, vincando por várias vezes que o nome Carla Alves nunca foi proferido pelo primeiro-ministro. Para a comentadora da CNN Portugal isso é algo que "não augura nada de bom sobre o seu futuro", admitindo mesmo que o chefe do Governo e o chefe de Estado estão "ambos à espera que ela caia".

Sobre a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, diz Anabela Neves que terá contribuído para uma eventual queda de Carla Alves, uma vez que o Presidente da República colocou "o dedo na ferida", lembrando um problema político e pedindo que os governantes, antes de aceitarem os cargos, façam essa autocrítica.

Para Sebastião Bugalho Marcelo Rebelo de Sousa foi até "mais duro" com Carla Alves que o presidente do PSD, Luís Montenegro. O comentador da CNN Portugal considera que o Presidente da República "praticamente abriu a porta de saída" à secretária de Estado da Agricultura, ao passo que o líder social-democrata "hesitou" no pedido de demissão.

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