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Presidente da Venezuela lamenta mortos sem dizer quantos são e declara estado de emergência

António Guimarães , com Lusa
25 jun, 03:14
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Aeroporto de Caracas vai ser encerrado e as aulas estão canceladas em todo o país

A presidente interina da Venezuela declarou o estado de emergência no país, no seguimento dos dois fortes sismos que se fizeram sentir ao final da tarde desta quarta-feira.

Num discurso transmitido pela televisão, e flanqueada pelo presidente da Assembleia Nacional, que também é seu irmão, Delcy Rodríguez admitiu extensos danos materiais no país.

Apesar de não haver registo oficial de vítimas mortais na sequência de um sismo de 7,2 na escala de Richter e de outro de 7,5, além de cerca de 20 réplicas, a presidente interina da Venezuela lamentou os mortos que as famílias estão a chorar.

A própria Delcy Rodríguez não deu, ainda assim, qualquer número para as vítimas mortais, limitando-se a anunciar o encerramento do Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas, e o cancelamento das aulas em todo o país, devido aos danos causado em vários estados.

A presidente cancelou ainda todas as atividades que não sejam "serviços essenciais" e indicou que houve interrupções nos serviços de eletricidade e água e, nos edifícios danificados, o fornecimento de gás natural foi cortado.

"Pedimos à nossa população que mantenha a calma", disse a chefe de Estado. "Pedimos à união", acrescentou.

Rodríguez pediu ainda a todos os profissionais de saúde do país que se apresentassem nos hospitais para assistir qualquer pessoa ferida.

Até ao momento, não há registo oficial de feridos ou mortos, apesar da Venezuela já ter registado 20 réplicas.

No estado de Falcón (noroeste), o governador Victor Clark disse que 32 pessoas foram hospitalizadas e, mais de quatro horas após o terramoto, ainda havia 15 pessoas presas nos escombros.

O autarca de Chacao, na região metropolitana de Caracas, Gustavo Duque, reportou possíveis mortes no município.

"Infelizmente, até à data, sim, mas estamos focados em tentar resgatar o máximo de moradores possível com vida", disse o autarca aos jornalistas. no meio dos esforços de resgate dos moradores de dois prédios que ruíram em frente à Praça Altamira.

Duque, que descreveu a situação como "muito difícil" no município, considerado uma zona sísmica, explicou que estão a concentrar esforços nas "operações de busca e salvamento" na zona, onde confirmou o resgate de 16 pessoas.

"Como podem ver, existem ambulâncias em tempo real no local. Atualmente, temos mais de 150 funcionários municipais. Estamos a solicitar o apoio de outras agências nacionais, como já foi feito, porque a situação aqui continua a ser crítica", afirmou.

O responsável pediu aos moradores da zona, sobretudo aos do bairro de Los Palos Grandes, que se dirigissem às praças da cidade para aguardar o fim do desabamento, se hidratarem ou utilizarem as casas de banho.

Duque confirmou que, além das duas estruturas que ruíram por completo, várias outras sofreram danos graves.

A falta de sinal de telemóvel em partes da Venezuela agravou o sofrimento de muitas famílias, sobretudo entre os mais de 7,7 milhões de pessoas que emigraram.

Edifícios em Manaus, Belém e Macapá, na Amazónia brasileira, foram evacuados, segundo informações da emissora TV Globo.

Os tremores foram também sentidos nas regiões das Caraíbas e do nordeste da Colômbia, mas não houve registo de danos ou feridos.

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