Copenhaga: a nova capital europeia do cool

CNN , Helen Russell
21 jan, 23:00

Os edifícios de cores vivas contrastam com a pedra pálida escandinava, os residentes de bicicleta pelas ruas empedradas e o sol refletido na água que divide a cidade.

Bem-vindos a Copenhaga. Uma grande cidade de 1,3 milhões num pequeno país de apenas 5,6 milhões de pessoas, a capital da Dinamarca é o lugar mais popular da Europa, neste momento e – alerta de spoiler – não é por causa do clima.

A vida quotidiana fácil da Escandinávia em combinação com o estilo nórdico, a gastronomia de classe mundial e um ambiente seguro, limpo e ecológico faz de Copenhaga tão "maravilhosa" como na canção de Danny Kaye.

Notoriamente discretos, os habitantes de Copenhaga sabem, desde sempre, que vivem na capital do cool – simplesmente não gostam de gabar-se disso. Mas, agora, toda a gente já sabe. Copenhaga tem dois dos melhores restaurantes do planeta, é a cidade mais segura do mundo e ainda tem o bairro mais cool.

O ambiente

Copenhaga é uma mini-pausa da vida moderna. É mais descontraída do que outras cidades e mais humana em personalidade e em escala.

Em vez de arranha-céus de vidro e aço como se vê em muitas capitais, Copenhaga é dominada por prédios de quatro a seis andares, numa mistura de antigo e novo.

O design está por todo o lado, desde o Radisson Blu Royal Hotel – com design de Arne Jacobsen – ao trabalho da estrela da arquitetura Bjarke Ingels, cuja marca arquitetural está por toda a cidade.

Nørrebro foi considerado o bairro mais cool pela Time Out, em outubro de 2021, graças ao ambiente amistoso, tendência artística, empresas em ascensão e iniciativas comunitárias.

Existe uma palavra dinamarquesa samfundssind, que vem de samfund (sociedade) e sind (mente) que significa mentalidade comunitária, que foi muito utilizada durante a pandemia. E é um conceito com o qual os copenhaguenses vivem.

A disparidade de riqueza – relativamente baixa – a baixa taxa de crime (que está atualmente no nível mais baixo em mais de uma década), uma sociedade mais igualitária e os altos níveis de confiança tornam-no um local descontraído para viver e trabalhar. Não surpreende que a Dinamarca seja regularmente votada um dos países mais felizes do mundo.

Os edifícios baixos de Copenhaga estão numa escala relaxada e humana

Copenhaga é uma das raras capitais em que o distanciamento social é facilmente atingível e podemos passear a pé ou de bicicleta na nossa bolha especial.

Um número surpreendente de copenhaguenses, 50%, viajam para o trabalho de bicicleta e as bicicletas superam o número de carros na cidade – portanto, para se adaptar rapidamente, alugue (estão disponíveis por todo o lado).

O outro acessório indispensável é o café. Os dinamarqueses bebem-no muito e os favoritos incluem The Coffee Collective, uma loja com uma escola de café e quatro pontos de venda, incluindo uma cabina telefónica hexagonal de cobertura de cobre, do século XIX, na estação de Nørreport. Ou experimente a cafetaria "da quinta para a chávena" Mokkariet em Nørrebro, Vesterbro e Østerbro.

De café na mão, veja os copenhaguenses na sua vida quotidiana, com os filhos nas bicicletas Christiania, mulheres de saltos altos nas bicicletas, homens a empurrar carrinhos de bebés e hipsters simplesmente por ali. Quando começa a chover (o que vai acontecer: chove muito na Dinamarca. Leve guarda-chuvas) abrigue-se num café à luz de velas e absorva uma experiência pura de hygge.

A gastronomia

Desde que Rene Redzepi e Claus Meyer converteram um velho armazém no restaurante de classe mundial Noma, em 2003, Copenhaga passou de deserto culinário a epicentro epicurista.

A par de colecionar estrelas Michelin, o "efeito Noma" inspirou todos os restaurantes da cidade a elevarem a fasquia. Um aviso: os dinamarqueses planeiam antecipadamente e os restaurantes ficam lotados, portanto faça reserva sempre que possível – e vista roupas largas. Vai comer bem.

Na altura em que isto foi escrito, o Noma tem uma lista de espera de três meses, mas vale a pena: por uma experiência culinária de uma vida, uma visita à cozinha, harmonização de vinhos e um ambiente sem igual. O vizinho Geranium ficou em segundo lugar na lista de melhores restaurantes do mundo, onde o chef principal Rasmus Kofoed serve um aventureiro menu sazonal. Os ingredientes atualmente disponíveis incluem lula, toucinho fumado derretido e essência de levedura – apesar de, a partir de 20 de janeiro de 2022, irá deixar de servir carne.

Não consegue ir ao Noma ou ao Geranium? Experimente o Fasangården, onde o fundador do Noma, Claus Meyer, tomou conta do antigo palácio nos Kardins de Frederiksberg. Ou uma experiência multissensorial e de entretenimento em 50 pratos, cinco atos e três horas no Alchemist, com duas estrelas Michelin, do chef Rasmus Munk, de 30 anos. Apesar de as refeições aqui custarem cerca de 700 dólares por pessoa, quando a pandemia chegou, em 2020, Munk e uma equipa de voluntários adotaram o samfundssind e cozinharam refeições para os sem-abrigo.

A outra sensação é o Amass, o restaurante sustentável do chef Matthew Orlando, em Refshaleøen, uma zona da cidade que esteve fechada para utilização militar. Pratos como o pão fermentado de batata, tomates com picles de pétalas de rosa, cantarelo em óleo de abeto-de-Douglas, com fudge de folha de figueira para terminar são criados com produtos orgânicos cultivados no jardim junto à janela da sala de jantar.

Para algo mais discreto, experimente a piza gourmet com um toque nórdico no Bæst, um restaurante verdadeiramente típico de Nørrebro, onde fazem a própria mozzarella e curam a própria carne. O Brus, também no bairro, é perfeito para uma bebida – um pub-cervejaria onde a cerveja artesanal feita no local viaja menos de 20 metros dos tanques industriais para o seu copo.

Sem reserva? Não há problema, no Social em Nørrebro – o famoso café de fachada amarela que serve comida saudável e sem glúten, com vista para os lagos – popular entre residentes e turistas, todos os clientes são bem-vindos (experimente as típicas waffles de legumes).

A POPL – que faz parte do Noma – é a melhor casa de hambúrgueres em Christianshavn, com uma oferta de carne de vaca dinamarquesa orgânica de quintas onde o gado circula e pasta em liberdade. Os hambúrgueres vegan também são dignos de nota: a quinoa cozinhada passa por um processo de dois dias até ser transformada em pastel no laboratório de fermentação do Noma.

Ou visite Refshaleøen, o estaleiro abandonado transformado em Meca de street food e de parque de skate. Enquanto por ali anda, visite o Empirical Spirits, onde Lars Williams e o antropólogo Mark Emil Hermansen brincam com sabores, tecnologias e técnicas para criar uma nova estirpe de bebidas espirituosas. Metade laboratório científico futurista e metade sauna, The Tasting Room e a destilaria valem bem uma visita, ou pare e prove a mercadoria (o Plum Paloma é altamente recomendado).

O restaurante sustentável do chef Matthew Orlando, Amass, é uma bela escolha, neste momento

As experiências

É perfeitamente possível ser turista em Copenhaga sem nos sentirmos um – e a cidade tem mais do que os Tivoli Gardens. Troque a Pequena Sereia por uma visita ao centro artístico internacional Copenhagen Contemporary, que exibe instalações de estrelas mundiais e de estrelas emergentes.

Ou faça como um copenhaguense e seja ativo. Ande de bicicleta na popularíssima Cykelslangen "Cobra de Bicicleta", num passeio cénico pela bacia do porto ou a ver as melhores criações locais de Bjarke Ingels numa viagem de bicicleta de 22 quilómetros.

Uma das mais notáveis obras recentes de Ingels é CopenHill – a pista de esqui construída no cimo de um centro de gestão de desperdícios onde pode esquiar em qualquer clima, com equipamento próprio ou alugado no local.

Em Copenhaga, nunca estamos longe da água e a piscina urbana Havnebadet de Islands Brygge, no centro, oferece uma vista da linha do horizonte da cidade enquanto se nada. A qualidade da água é verificada diariamente e muitos dinamarqueses nadam o ano inteiro – uma das mais dedicadas nadadoras de inverno é a supermodelo dinamarquesa Helena Christensen.

Não está pronto para enfrentar o frio? A CopenHot utiliza água do mar limpa aquecida a lenha para criar a melhor experiência de jacuzzi até agora. Ou faça um passeio com o Sailing Hot Tubs, onde pode navegar pelo porto do norte de Copenhaga no conforto do seu próprio jacuzzi.

Se prefere experiências aquáticas menos imersivas, os passeios de barco da Hey Captain mostra-lhe as pérolas escondidas de Copenhaga enquanto bebe bebidas quentes, enrolado numa manta e rodeado de lanternas atmosféricas num sofisticado barco coberto. Ou conduza um barco elétrico de luxo, disponível para alugar.

A ponte "Cobra de Bicleta" de Copenhaga foi inaugurada em 2014

A estadia

A indústria hoteleira de Copenhaga tornou-se um manancial de qualidade, nos últimos anos.

Reserve o "espaço híbrido" dolorosamente cool do The Audo, onde as suites servem de também como showrooms de novas mobílias e de artigos de design para o lar.

Ou durma no luxo de cinco estrelas do novo hotel de topo Villa Copenhagen, com piscina no rooftop e situado junto à Estação Central de Copenhaga, num imponente edifício que já foi a sede dos Correios.

O Manon Les Suites, de cinco estrelas, merece uma referência pelos seus interiores boémios e uma piscina interior inspirada em Bali, a que é impossível resistir.

Não pode ir à Ásia? Experimente a piscina inspirada em Bali no Manon Les Suites

O Hotel Sanders é um belo boutique hotel, de inspiração botânica, a apenas 200 metros de Nyhavn com um solário no rooftop e quartos elegantes (estão incluídos chinelos e quimonos para maior conforto. Sim, por favor…).

Mas a verdadeira pérola escondida é o Kanalhuset, no moderno bairro de Christianshavn, junto a Christiana e do outro lado do canal das casas coloridas de Nyhavn. O edifício é de 1754 e contém agora 12 quartos de boutique hotel – mas, no Kanalhuset, os residentes e os hóspedes convivem em harmonia. Todos estão convidados para jantar em mesas comuns às 19:00 (a apenas 23 dólares por pessoas) e a ementa muda diariamente, desde ragu de galinha-da-guiné com polenta e pele de frango estaladiça até alcachofras de Jerusalém com gremolata, tudo servido com pão caseiro, café, vinho e o incansável encanto copenhaguense.

Dormir, comer, repetir, até finalmente, com o estômago saciado e fogo no coração, estar pronto para regressar a casa – com a consciência de que visitou o valhalla culinário e cultural na capital do cool. Parabéns, é agora um viking.

Helen Russell viveu na Dinamarca durante nove anos e escreveu o bestseller "The Year of Living Danishly." O seu mais recente livro "How To Be Sad: Everything I've Learned About Getting Happier by Being Sad" está agora disponível

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