"Temos de saber lidar e minimizar a cicatriz. Estamos cá. Isso é que é importante": Carla e Carina estão cá para mostrar que é possível sobreviver ao cancro

4 fev, 09:00
Carla Gois

Prevenção e diagnóstico precoce são duas das chaves para que estas (e outras) histórias tenham tido um final feliz. A isto somam-se as evoluções mais recentes nos tratamentos, cada vez mais precisos. Esta quarta-feira é Dia Mundial do Cancro. É dia de lembrar a importância de fazer os rastreios e de estarmos atentos aos nossos corpos. Como diz Carina: "É difícil? É. Vai doer? Vai. Vai haver dias muito complicados, sim, mas é possível atravessar, é possível superar e com entreajuda é mais fácil"

A mastectomia bilateral foi realizada no dia 2 de outubro de 2012. Essa é uma data que Carina Jesus não esquece. Mas não é a única. Depois de três tipos diferentes de cancro, quatro cirurgias, tratamentos de quimioterapia e radioterapia, Carina está feliz por estar viva e por poder dar o seu testemunho. "Todas as pessoas têm de viver com o seu corpo. Este é o meu. Se os médicos nos propõem uma solução ou um tratamento, é porque é possível tratar. Muito pior é quando não nos propõem nada. Portanto, ainda bem que há tratamentos, ainda bem que a medicina evolui todos os dias nesse sentido. Há que aproveitar", diz, com um sorriso grande na cara.

Carina sabia que tinha de estar atenta. Com um historial de cancro na família, quer no lado da mãe quer do lado do pai, começou a fazer uma "vigilância apertada" aos 25 anos. Aos 28, numa ecografia mamária, a médica detetou uns nódulos, mas desvalorizou e mandou-a reavaliar em seis meses. Não chegou a cumprir o prazo. Antes disso, os nódulos cresceram e tornaram-se visíveis. Depois de uma ressonância e uma biópsia, foi encaminhada para o Instituto Português de Oncologia (IPO) e em menos de um mês foi operada: tinha tumores nas duas mamas. "Ser jovem nem sempre é uma vantagem. Para o cancro não é, porque os jovens têm o metabolismo mais acelerado e as células cancerígenas desenvolvem-se mais depressa." Depois da mastectomia e da reconstrução, seguiram-se seis meses de sessões de quimioterapia.

"Foi um choque numa idade em que temos tantos planos para a vida", recorda Carina Jesus, que hoje tem 41 anos. "Na altura tinha uma amiga que me dizia: espírito positivo é meia cura. E eu interiorizei essa frase assim como um chavão e muitas vezes quando estava mais em baixo, por causa da quimioterapia e noutros momentos, fazia um esforço para ganhar alguma força."

"Mas correu tudo bem. Foi tudo feito de forma muito rápida. A vida seguiu."

A vida seguiu, mas não seguiu exatamente da mesma forma. E a partir daí era uma doente oncológica. "Nunca mais deixei de ser seguida no IPO. E estou sempre alerta."

Estar alerta salva vidas, dizem os médicos. Em 2017, Carina começou a sentir uma dor no dorso do lado esquerdo, abaixo da cicatriz, e depois "começou a surgir um pequenino sinal, uma coisa estranha, que não tinha a cor de um típico sinal escuro". Era um sarcoma. Voltou a ser operada e, desta vez, teve também de fazer radioterapia. Mas em 2020, surge uma recidiva. Enquanto fazia exames para se perceber o que se passava, o tumor cresceu desmesuradamente, "parecia quase um cogumelo", e, ao mesmo tempo que o mundo vivia uma pandemia, Carina voltou ao IPO para fazer nova cirurgia. "Enquanto houver tecido para tirar está tudo bem".

Carina com a sua cabeça rapada aos 28 anos (Foto: cortesia de Carina Jesus/DR)

Apesar de tudo isto, Carina estava decidida a engravidar. Antes do tratamento, tinha guardado óvulos, porque havia o risco de não conseguir engravidar mais tarde. Não chegou a usar os óvulos guardados e, ao fim de cinco anos, doou-os à ciência. Mas em 2021, quase dez anos depois do primeiro cancro, cumpriu finalmente o sonho de ser mãe. Parecia que, desta vez, tudo estava a correr bem. Até que, em março de 2023, teve mais um susto. "Como sou considerada uma doente de risco, faço ressonâncias anuais. E são exames segmentados, para se analisar bem todas as partes do corpo. Num desses exames encontram um nódulo no crânio."

"Essa foi assim a vez mais dura de todas porque já era mãe", conta. "Antes disso, era difícil, mas ok, bora lá, eu vou e eu consigo. Mas, de repente, a gente pensa muito em tudo, não é? E o que é que pode acontecer se a coisa não corre tão bem? Não quer dizer que não pensasse nisso antes de ser mãe, mas, apesar de tudo, ganhamos outra consciência."

Era um tumor silencioso, sem qualquer sintoma, o que significa que se não fosse já uma doente acompanhada dificilmente teria descoberto o cancro numa fase inicial. "Era um tumor primário. Não estava relacionado com os outros. Foi um achado", explica. Em junho de 2023 passou por uma cirurgia acordada, uma aventura que a fez perceber como a medicina está tão avançada e confiar ainda mais nos médicos.

Depois da cirurgia, fez quimioterapia oral e continua, obviamente, a ser examinada regulamente. Não esconde a felicidade por estar viva - isso supera todos os desconfortos. "Nós temos muito medo da cirurgia, mas a cirurgia é o menor dos problemas. O conjunto de tudo, as mudanças no corpo, as mudanças em nós próprias, essa parte é mais complicada. Olhamos para nós e temos de nos aceitar de uma forma diferente. Não estamos iguais. Passaram quase 14 anos da minha primeira cirurgia e eu ainda hoje sinto determinadas formas no meu corpo diferentes, a minha sensibilidade é diferente. Portanto, é um processo de aceitação, de adaptação. Mas, apesar de tudo, eu costumo dizer que são as minhas marcas de orgulho, é sinal de todas as lutas que fui passando e que venci, portanto, tenho o maior orgulho das minhas cicatrizes."

Carina tenta manter uma vida saudável e se já há muito que tinha introduzido o exercício físico na sua rotina diária, hoje em dia, sente que o exercício é fundamental não só para o corpo, mas sobretudo para a cabeça. É o seu momento de terapia. Além disso, passou a dedicar parte do seu tempo ao voluntariado. Começou por colaborar com a Liga Portuguesa Contra o Cancro e nos últimos anos passou a ter uma presença regular no Vencer e Viver, um movimento de entreajuda de sobreviventes do cancro da mama.

Esta quarta-feira, Dia Mundial do Cancro, Carina vai estar ocupada, com eventos e campanhas, fazendo o possível por mostrar a todos os doentes que esta é uma batalha que ninguém deve travar sozinho: "Temos que, de alguma forma, passar a mensagem: É difícil? É. Vai doer? Vai. Vai haver dias muito complicados, sim, mas é possível atravessar, é possível superar e com entreajuda é mais fácil. Daí que se houver esta rede de apoio, este suporte, ou familiar, ou de amigos, ou de pessoas que estão a passar pela mesma situação, é mais fácil e pode ser mais leve."

Rastreios, vigilância e testes genéticos: o diagnóstico precoce pode salvar 

Em 2022, foram estimados mais de 60 mil novos casos de cancro em Portugal. Os especialistas dizem que o aumento do número de casos prende-se, principalmente, com o envelhecimento da população, uma vez que as pessoas vivem mais tempo e desenvolvem doenças. Mas é também verdade que, nas últimas décadas, tem aumentado a incidência da doença em adultos jovens. Entre 1990 e 2019, o número de novos casos de cancro em pessoas entre os 14 e os 49 anos aumentou quase 80% a nível global, segundo um estudo publicado na revista BMJ Oncology em 2023. 

Portugal segue esta tendência, ainda que de forma mais moderada, de acordo com o Registo Oncológico Nacional. Em 2022, a maior parte dos casos (40,7%) ocorreu entre os 60 e os 74 anos, seguindo-se o grupo acima dos 75 anos (32,1%) e entre os 45 e 59 anos (20,2%). Registe-se, no entanto, que 5,5% dos casos foram registados no grupo dos 30 aos 44 anos, 1,1% no grupo dos 15 aos 29 anos e 0,5% no grupo dos 0 aos 14 anos. 

"A incidência da doença oncológica tem vindo a aumentar, não só entre a população mais idosa, mas também nas camadas mais jovens", confirma a médica Ana João Pissarra, oncologista do Hospital Lusíadas Lisboa. A boa notícia é que a taxa de sobrevida tem também vindo a aumentar. Estamos, portanto, num momento paradoxal: se é verdade que o número de casos aumenta e que, cada vez mais, as probabilidades de adoecermos é maior, também é verdade que cada vez temos mais probabilidades de continuarmos a viver - e a viver com qualidade - depois de um cancro.

Carla Gois foi cortando o cabelo gradualmente e depois rapou: "Assumi a careca" (Foto: cortesia de Carla Gois)

Sublinhando que o cancro é uma doença multifactorial, com causas que podem ser ambientais, genéticas, relacionadas com o estilo de vida ou outras, Ana João Pissarra sublinha, antes de mais, que "tem havido uma evolução das técnicas de diagnóstico e tratamento", que permitem "diagnosticar melhor e mais cedo e, depois, tratar melhor". Quanto mais cedo for detetado o cancro, mais as hipóteses de ser tratado.

Quando falamos da nossa saúde devemos falar cada vez mais de prevenção e de estilo de vida - e isto é verdade também para o cancro, explica a oncologista. "Evitar álcool e tabaco, ter uma alimentação mais cuidada (já sabemos há muito que os alimentos ultraprocessados são fatores de risco), praticar exercício físico - estas são as regras que deveriam ser seguidas por todos", avisa. 

Além disso, sublinha a importância dos rastreios, "fundamentais" para detetar um cancro na fase inicial. "E não podemos desvalorizar os sintomas, temos de estar atentos ao nosso corpo e ir ao médico quando sentimos alguma alteração. Tudo o que apareça que seja um sintoma persistente e que não se conheça o motivo deve ser investigado. E isto é válido também para os mais jovens", diz. "As análises genéticas, no caso de haver um historial familiar de cancro, permitem agir preventivamente. Nesses casos a vigilância é ainda mais importante", sublinha a oncologista.

"O chão caiu debaixo dos pés": dois cancros diferentes na mesma mama é algo raro, mas aconteceu a Carla

Com Carla tudo começou como começa para tantas mulheres. Um dia, sentiu um caroço no peito. Primeiro pediu a opinião de uma colega de trabalho, só para ter a certeza que não estava a inventar. Depois consultou a médica de família que a mandou fazer uma ecografia mamária. "Com o resultado na mão, a médica disse: não se preocupe, isto não é nada. Tranquilizou-me. Isto foi na altura da covid, não era fácil ir a outros médicos. Mas passado um ano, vi que a camisola do pijama estava suja, meio ensanguentada, com qualquer coisa purulenta. Uns dias depois reparei numa mancha no soutien e percebi que era do mamilo." Nessa altura, não teve dúvidas.

Numa semana, em outubro de 2022, fez ecografia e mamografia, depois ressonância magnética e biópsia. Olhando para todos os resultados, a médica oncologista soltou um "ui". Foi detetado um "carcinoma in situ" na mama, ou seja, um cancro não invasivo, sem metástases. "A solução é tirar", disse a médica. "Ali é que tive mesmo o impacto, o chão caiu debaixo dos pés", recorda Carla.

Ainda quis ouvir a opinião de mais dois médicos, de duas instituições diferentes, mas todos concordaram que a cirurgia seria a melhor abordagem. "Foi tudo muito rápido." Em novembro, fez uma mastectomia da mama direita e foi colocado um expansor, só depois da análise ao gânglio sentinela e aos tecidos retirados se decidiu que não seria necessário fazer quimio nem radioterapia. "Fiz a reconstrução da mama e segui com a minha vida." 

Carla Gois: "O primeiro pensamento, no primeiro diagnóstico, foi 'bora lá!, o que é que eu tenho de fazer?" (Foto: cortesia de Carla Gois/DR)

Dois anos depois, voltou a sentir um caroço, do mesmo lado. A médica pensou que se poderia tratar de um fibroma da cirurgia, mas desta vez Carla estava mais atenta e falou logo com o oncologista, que se mostrou preocupado e receitou nova bateria de exames. Concluiu-se que havia um carcinoma invasivo na mama que tinha sido retirada - o que, dizem os médicos, é um caso raro. No início de 2025, Carla foi novamente operada e, desta vez, teve de fazer quimioterapia e radioterapia. "Os médicos não quiseram arriscar, era um outro tipo de cancro, não tinha a ver com o primeiro, não eram metástases. No primeiro era um tumor circunscrito. Isto era completamente diferente", conta.

O ciclo de tratamentos terminou em outubro e, desde então, Carla está a fazer hormonoterapia. Entretanto, vai repetir os testes genéticos, uma vez que os primeiros se mostraram inconclusivos. "A minha avó teve cancro na mama, a minha mãe morreu aos 37 anos com cancro no intestino, tudo leva a crer que seja uma questão genética", explica. 

Carla Gois tem 43 anos. E neste momento só quer que tudo passe. "O primeiro pensamento, no primeiro diagnóstico, foi 'bora lá!, o que é que eu tenho de fazer? Custa a aceitar, ia ficar sem a minha mama. É muito complicado gerir, mas tenho dois filhos e eles precisam de mim. E como foi tudo muito rápido, o tempo de ação entre diagnóstico e cirurgia, quase nem deu tempo para pensar. Foi pior o choque ao tirar o penso e olhar ao espelho, ver uma mama disforme. Mas depois fiz a reconstrução e melhorou. Temos de saber lidar e minimizar a cicatriz. É tentar desvalorizar e olhar para o resto, estamos cá. Isso é que é importante."

Carla teve a vantagem de não estar sozinha: "Em casa tive um companheiro que foi tudo - foi marido, foi dona de casa, cuidou dos meus filhos, foi o meu suporte", diz. Mas, mesmo assim, admite que o segundo embate foi muito pior. Olhando para trás, conclui que "o primeiro processo foi simples", o pior mesmo foram os tratamentos que vieram a seguir: "A quimioterapia é horrível. Chega a um ponto em que não queremos mais, já chega de sofrer, não temos forças, é um desespero".

Mas não lhe custou a perda de cabelo. "Fui cortando o cabelo gradualmente e depois rapei. Assumi a careca. Nunca experimentei uma peruca e achava que os lenços me davam um ar doente, então, como foi no verão, usava bonés ou mostrava a cabeça. Nunca me incomodou que as pessoas olhassem." Um dia perguntou ao filho se o incomodava que ela mostrasse a careca. Gabriel deu-lhe a resposta que precisava ouvir: "Não vai mudar nada, tu vais ser a mesma pessoa".

Ainda assim, reconhece que no fim, também lhe custava olhar para o espelho: "Não é só a falta do cabelo, estamos mais gordas, mais cansadas, ficamos deformadas, a roupa deixa de servir. Fisicamente, somos outra pessoa." "Agora já estou a recuperar", garante.

Apesar das dores e de todo o desconforto, Carla tentou continuar a cumprir as tarefas diárias, sobretudo as que tinham a ver com os filhos, que têm agora 13 e 10 anos. Levá-los aos treinos e participar nas atividades das escolas era também uma maneira de se obrigar a levantar e a reagir. "Isso foi muito importante para mim. Ia ao café, encontrava-me com as amigas e elas puxavam por mim. Tentei sempre levar com calma, com tranquilidade. Temos momentos que nos vamos mais abaixo, mas nunca me senti deprimida."

Antes da doença, Carla jogava voleibol numa equipa, mas por causa da cirurgia teve de parar. "Voleibol nunca mais", disseram-lhe os médicos. Mas em junho, decidiu experimentar, "muito a medo" e foi retomando os treinos. "Estou a jogar sem grandes condicionamentos", conta, orgulhosa. "Tinha feito esvaziamento axilar, mas recuperei a força no braço. Ainda não estou a 100%, mas para aquilo que eu pensava, que nunca conseguiria, está ótimo, estou a fazer algo que me faz feliz, jogar vólei e jogar com elas. Foi uma das minhas vitórias. Estou a conseguir vencer as mazelas que o cancro deixou."

Tratamentos cada vez mais eficazes e precisos: o cancro já não é uma sentença de morte

A abordagem ao cancro evoluiu muito nos últimos anos, sublinha a médica Ana João Pissarra. "Já não tratamos a doença generalizada, tratamos a pessoa individual, isto significa que temos cada vez mais terapêuticas biológicas e dirigidas".

Isto só é possível em primeiro lugar porque as novas técnicas de diagnóstico - com ressonâncias e biópsias líquidas, por exemplo - permitem conhecer melhor o cancro com que se está a lidar e, depois, porque as novas terapêuticas permitem abordagens menos invasivas e mais personalizadas. "Cada vez mais vamos evoluir na medicina de precisão, isto é tratar a doença daquele doente, de acordo com as alterações moleculares daquele doente", explica a oncologista. "A imunoterapia, por exemplo, permite-nos tratar os tumores de uma forma mais específica. Permite-nos tratar até mesmo os tumores com metástases." E a evolução é contínua, quer em termos de tecnologia quer em termos médicos, com o surgimento de novos fármacos.

Além disso, "a abordagem deve ser multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades - cirurgia, oncologia, radioterapia, nutrição, psicologia, etc. - e sempre com muito humanismo. Devemos olhar para o doente como um todo."

"Tudo isto faz com o que o prognóstico tenha mudado muito", garante a médica. Em pessoas saudáveis e com um diagnóstico precoce, "a taxa de sobrevida é cada vez maior", garante. 

Carla e Carina são exemplo disso. 

Carla sabe que pior já passou. Neste momento, está a lidar com as dores articulares que ficam, provavelmente para sempre, nos dedos, joelhos, cotovelos. E também com os afrontamentos provocados pela medicação hormonal. Sabe que tem de continuar a ser muito vigiada, fazer análises e exames regularmente. Tem ainda mais cuidado com a sua alimentação. E, enquanto se prepara para voltar ao trabalho, recorda "que os doentes ficam também doentes financeiramente. As baixas oncológicas não são pagas a 100% ao contrário do que muita gente pensa e a medicação pode ser cara. Se não se tem retaguarda é muito complicado", alerta. Mas, acima de tudo, sabe que tem muitos motivos para estar otimista.

Carla fala abertamente sobre o cancro e sobre os efeitos da doença e do tratamento, "até para desmistificar", e faz parte de um grupo de WhatsApp chamado "ocofriend" com mais 100 mulheres com diferentes tipos de cancro. "Ao partilharmos as nossas vivências é mais fácil, percebemos que não é um bicho-papão. Tento que o espírito seja positivo, é o mínimo que podemos fazer." A outra coisa que pode fazer é não baixar a guarda. "É preciso estar atento aos sinais, fazer os rastreios, procurar sempre uma segunda opinião. A medicina está a avançar muito."

Carina Jesus nunca deixou de sorrir (Foto: cortesia de Carina Jesus)

Carina também continua vigilante, "mas tentando não pensar muito nisso e aproveitando a vida da melhor forma", garante. "Há momentos em que vem tudo à cabeça, mas tento que isso não tome conta dos meus dias, até porque, felizmente, tenho uma criança com quatro anos em casa a correr de um lado para o outro, que tem uma energia e uma vida únicas."

Parece um cliché, mas às vezes as dificuldades ajudam-nos mesmo a recentrar a nossa vida, diz Carina. "Passamos a aproveitar mais ainda o momento presente e a dedicar tempo e energia a quem realmente nos faz bem e evitar os que nos fazem mal. Estas paragens forçadas fizeram-me muito repensar as prioridades e pôr-me realmente em primeiro lugar, a mim, aos meus, aos meus mais próximos. O resto vem depois."

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