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Mulheres com cancro da mama e mais de 65 anos podem não precisar de radioterapia

CNN , Jacqueline Howard
26 fev 2023, 19:00
Rastreio Oncológico (Associated Press)

Excluir a radioterapia no pós-operatório em mulheres mais velhas com cancro da mama não parece ter um efeito prejudicial na sua sobrevida, de acordo com um novo estudo.

A radioterapia pode não afetar a sobrevida de mulheres com mais de 65 anos com pequenos tumores malignos na mama, desde que recebam cinco anos de terapia endócrina, refere o estudo, publicado no The New England Journal of Medicine. Mas pode estar associado a um maior risco de reicidiva do cancro na mesma mama.

Os resultados sugerem que a radiação - que pode ter efeitos secundários como fadiga, dor mamária, ou risco de complicações cardíacas e pulmonares - pode não ser necessária para prolongar a sobrevida deste grupo, desde que recebam terapia endócrina.  A terapia endócrina - também conhecida por terapia hormonal - envolve adicionar, bloquear ou remover hormonas como parte de uma abordagem de tratamento para certas condições, incluindo retardar ou parar o crescimento de alguns tipos de cancro.

"Estes dados oferecem uma resposta ao problema de longa data do tratamento em excesso de mulheres mais velhas com cancro da mama de baixo risco", referiram as médicas Alice Ho, da Duke University School of Medicine, e Jennifer Bellon, da Harvard Medical School, num editorial publicado juntamente com o novo estudo.

"A possibilidade de eliminar a radioterapia é uma das muitas opções numa longa lista que também inclui o uso de radioterapia externa e radioterapia interna (braquiterapia)", escreveram Ho e Bellon. "Pragmaticamente falando, a radioterapia pode estender o tempo e o dinheiro. Por isso, dados sólidos que fortaleçam a opção de excluir a radioterapia nalgumas pacientes são bem-vindos."

O estudo incluiu dados sobre 1.326 mulheres com cancro da mama com mais de 65 anos. Entre 16 de abril de 2003 a 22 de dezembro de 2009, 658 das mulheres foram escolhidas aleatoriamente para receber radioterapia em toda a mama e 668 não receberam radioterapia. O ensaio foi realizado em 76 centros médicos no Reino Unido, Grécia, Austrália e Sérvia.

Os investigadores descobriram que a reincidência do cancro na mesma mama era mais comum nas participantes que não receberam radiação; a incidência acumulada de recidiva local foi de 9,5% no grupo sem radiação e de 0,9% no grupo com radiação.

"Em 10 anos, a reincidência local entre as pacientes que receberam radioterapia permaneceu baixa, enquanto entre as que não receberam radioterapia continuou a aumentar sem razão aparente. No entanto, a diferença absoluta da reincidência local foi moderada", referiram os investigadores da Universidade de Edimburgo e do Western General Hospital, na Escócia.

A sobrevida em 10 anos foi quase idêntica: 80,8% sem radioterapia e 80,7% com radioterapia, descobriram os investigadores. As 16 mortes no grupo sem radioterapia e 15 no grupo com radioterapia deveram-se ao cancro da mama.

Estudos anteriores defenderam a eliminação de radiação em mulheres com mais de 70 anos com tumores pequenos - menos de 2 centímetros - mas esta nova investigação fornece evidências para reduzir o limite de idade para 65 anos e incluir mulheres com tumores até 3 centímetros, disse Naamit Kurshan Gerber, radioncologista do NYU Langone Perlmutter Cancer Center em Nova Iorque,  que não esteve envolvido na pesquisa.

Nos Estados Unidos, 26% dos diagnósticos de cancro da mama são de mulheres com idades compreendidas entre os 65 e os 74 anos, de acordo com o estudo.

"Por isso, já existiam provas antes deste estudo que em mulheres com mais de 70 anos incluir radiação reduz o risco de recorrência local, mas não altera a sobrevida. E este estudo está, de facto, a aumentar o peso dessas evidências, mas também está, naturalmente, a reduzir a idade de 70 para 65 anos", disse Gerber. "Neste grupo, a radiação faz com que o risco de recidiva local baixe, isso acontece, mas não tem qualquer efeito em termos de sobrevida."

Algumas pacientes com cancro da mama podem decidir excluir a radiação por várias razões - incluindo efeitos secundários - mas outras podem optar por fazer radioterapia, a fim de reduzir o risco de reincidência do cancro na mesma zona.

Mas Gerber acrescentou que para as doentes com cancro da mama que não planeiam fazer terapia endócrina, saltar a radiação não é uma opção.

Para médicos e pacientes, "é muito importante envolver-se na tomada de decisões conjuntas sobre quais são os seus valores, os seus objetivos, e explicar os riscos e os benefícios da radioterapia e, claro, o benefício será evitar uma recidiva local", sublinhou Gerber.

"Há riscos, há efeitos secundários, mas é sempre uma discussão muito diversificada", disse. "Não há uma resposta certa para cada pessoa."

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