Portugal alugou aviões que se avariaram e depois pediu ajuda a Espanha, mas é de Marrocos que vêm dois Canadair para combater os incêndios

11 ago 2025, 18:37
Incêndio em Águeda (Lusa)

Aeronaves chegam ao abrigo do acordo bilateral entre os dois países

Marrocos vai enviar dois aviões Canadair para ajudar Portugal a combater os incêndios.

A informação foi confirmada pelo Ministério da Administração Interna, que acionou o mecanismo de cooperação bilateral com o país do norte de África.

Os dois aviões chegam a Portugal ainda esta segunda-feira, depois de terem sido registadas avarias nos aparelhos semelhantes que tinham sido alugados pelo Estado português.

“O Reino de Marrocos respondeu prontamente, disponibilizando duas aeronaves do tipo Canadair, que vão chegar a território nacional ainda hoje e passarão a integrar o Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) até ao final desta semana”, pode ler-se no comunicado, esclarecendo que as aeronaves vão operar a partir da Base Aérea de Monte Real.

Ainda segundo o Governo, Portugal tentou procurar uma solução semelhante em Espanha, mas não foi “possível devido ao agravamento da situação dos incêndios rurais” no país vizinho, também a braços com vários fogos.

"O Governo, em nome do Ministério da Administração Interna, agradece muito a pronta colaboração do Reino de Marrocos e reafirma o seu compromisso em assegurar a resposta operacional necessária à proteção de pessoas, bens e do território nacional", acrescenta a nota.

“O Governo, em nome do Ministério da Administração Interna, agradece muito a pronta colaboração do Reino de Marrocos e reafirma o seu compromisso em assegurar a resposta operacional necessária à proteção de pessoas, bens e do território nacional”, concluiu o comunicado do Ministério da Administração Interna.

Fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) adiantou à Lusa que os aviões pesados de combate a incêndios florestais ‘Canadair’ de que Portugal dispõe estão fora de serviço.

Segundo a mesma fonte, os dois aviões Canadair afetos ao DECIR ficaram inoperacionais, existindo um terceiro para substituir em caso de eventuais avarias, mas que também está fora de serviço.

A porta-voz da Força Aérea Portuguesa (FAP), que tem a cargo o processo de contratação dos meios aéreos de combate a incêndios florestais, disse à Lusa que as empresas responsáveis pelo aluguer e operação dos aviões têm de repor os Canadair fora de serviço e são sujeitas a penalizações quando não cumprem os contratos.

Sobre os motivos das avarias, a FAP remeteu para as empresas a divulgação de informação.

A Avincis, empresa responsável pelos aviões Canadair a operar em Portugal no combate aos incêndios, disse estar a trabalhar para trazer “o mais rapidamente possível” para Portugal duas aeronaves para substituição das que estão inoperacionais, provenientes de uma das outras bases da empresa na Europa.

A empresa não avançou, no entanto, datas concretas para a chegada das aeronaves a Portugal e não esclareceu desde quando nem quais as razões para os aviões pesados de combate a incêndios florestais estarem inoperacionais.

A 31 de julho, um dos Canadair ao serviço do DECIR sofreu um acidente quando combatia um incêndio em Penafiel (Porto), sofrendo danos estruturais durante a operação de carga de água no Rio Douro, ficando nessa altura inoperacional.

Segundo fontes ouvidas pela Lusa na altura, na origem do incidente poderá ter estado um problema mecânico, acrescentando que o Canadair sofreu danos num dos flutuadores e no casco.

Portugal está em situação de alerta devido ao risco de incêndio e nas últimas semanas têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram uma área de quase 60 mil hectares este ano.

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