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Canadianos estão unidos contra Trump (mas divididos sobre quase tudo o resto)

CNN , Análise de Paula Newton
29 abr 2025, 22:01

​A ressurreição do Partido Liberal canadiano foi o mais próximo de um milagre que se pode conseguir na política moderna. O seu salvador: o primeiro-ministro Mark Carney, um novato na política, mas também um tático experiente e um dos economistas mais conceituados do mundo.

Na véspera das eleições, porém, o líder conservador canadiano Pierre Poilievre continuou a alimentar um movimento político robusto que deu ao Partido Conservador a maior percentagem de votos populares das últimas décadas.

Ambos os líderes prometeram enfrentar vigorosamente a ameaça de anexar o Canadá que tem sido proclamada em alto e bom som, e frequentemente, pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Para enfrentar o momento e a ameaça, os canadianos juntaram-se em torno da bandeira, expressando um patriotismo invulgar. Mas também se uniram ao longo das tradicionais linhas divisórias esquerda-direita do país, aprofundando as fraturas entre leste e oeste, jovens e idosos, homens e mulheres.

Muitos canadianos expressaram a necessidade de uma liderança forte face à ameaça norte-americana, mas estão quase igualmente divididos sobre quem é o melhor para o fazer.

“Temos um tipo no sul a falar mal do Canadá, penso que é importante termos um líder forte que o enfrente, ele tem de nos mostrar algum respeito”, defendeu uma eleitora, Elaine Forbes, enquanto se dirigia para a sua secção de voto em Ottawa, na segunda-feira, preparada para apoiar Mark Carney.

Foi um sentimento semelhante que motivou muitos dos apoiantes de Pierre Poilievre.

“Precisamos de um líder forte e precisamos de muito mais do que aquilo que se tem passado”, afirmou Nolan Travis pouco antes de votar em Ottawa, descrevendo Pierre Polievre como “alguém que vai realmente fazer o que promete”.

A palavra de ordem “liderança” deixou os outros três partidos nacionais do Canadá a perder terreno no voto popular. O próximo parlamento do país vai refletir mais um sistema bipartidário, unido contra Trump mas dividido em quase tudo o resto.

Tanto Carney como Poilievre estenderam a mão um ao outro na noite das eleições, prometendo cooperar, especialmente quando se trata de defender o Canadá contra o expansionismo americano.

“Sabem, a humildade sublinha a importância de governar como uma equipa no gabinete e no caucus e de trabalhar construtivamente com todos os partidos do Parlamento, de trabalhar em parceria com as províncias e os territórios e com os povos indígenas”, declarou Carney durante o seu discurso de vitória nas eleições, acrescentando que se guiará por essa humildade quando governar o Canadá.

No seu discurso da noite da eleição, Pierre Poilievre recorreu a uma linguagem conciliatória que os canadianos já não ouviam há meses.

“Enquanto cumprimos o nosso dever constitucional de responsabilizar o governo e propor melhores alternativas, colocaremos sempre o Canadá em primeiro lugar ao enfrentarmos as tarifas e outras ameaças irresponsáveis do presidente Trump. Os conservadores trabalharão com o primeiro-ministro e todos os partidos com o objetivo comum de defender os interesses do Canadá e conseguir um novo acordo comercial que ponha estas tarifas para trás das costas, protegendo a nossa soberania e o povo canadiano”, declarou.

Por mais razoáveis que ambos os líderes tenham parecido no rescaldo da votação, os principais tenentes do partido já pareciam mais combativos.

Pierre Poilievre discursa aos seus apoiantes em Ottawa ao lado da sua mulher, Anaida, depois de ter perdido as eleições no Canadá, na terça-feira.
(Minas Panagiotakis/Getty Images)

O deputado conservador Jamil Jivani, que foi reeleito na segunda-feira, parecia estar com vontade de lutar ao apresentar uma visão alternativa para o Canadá. “Não sei o que o futuro me reserva - o meu foco está em todos os jovens, todos os pais, as mães, os pais que vieram ter connosco e confiaram em nós para oferecer uma alternativa e um futuro mais brilhante. Vamos lutar por isso, vamos continuar a lutar e, quando chegarem as próximas eleições federais, os conservadores vão ganhar a confiança de mais eleitores e vamos trazer para casa uma vitória a nível nacional”, declarou na segunda-feira à noite, numa entrevista à CBC News.

Jamil Jivani é amigo próximo do vice-presidente dos EUA, JD Vance, desde o seu tempo na Universidade de Yale.

​​Sean Fraser, um dos principais aliados de Mark Carney e um antigo e provável futuro ministro do governo liberal, respondeu a Poilievre, acusando-o de adotar um estilo de política Trumpiana.

Porém, Sean Fraser reconhece que os canadianos esperam que o seu governo ultrapasse as divisões políticas.

“Os canadianos não querem que estejamos sempre a falar sobre o que está errado com o outro partido contra o qual estamos a competir, querem que coloquemos as nossas ideias em cima da mesa e trabalhemos em conjunto para fazer as coisas”, disse Fraser numa entrevista à CBC News após a sua vitória na segunda-feira.

Um sistema bipartidário não é a composição tradicional do parlamento canadiano e será difícil para os líderes canadianos, especialmente para Mark Carney.

“Quando procuramos a unidade, a unidade cresce”, proclamou Carney na noite das eleições, mas promover essa unidade poderá revelar-se um desafio sem precedentes.

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