E tudo um penálti mudou: Senegal abandonou o campo, voltou e venceu a CAN!

18 jan, 21:57

Golaço de Pape Gueye, no prolongamento, deu o título aos senegaleses em Marrocos, ante a seleção anfitriã. Brahim Díaz falhou penálti à Panenka aos 90+22m, no lance que podia ter dado novo título aos marroquinos 50 anos depois

A CAN é dos «leões de Teranga»!

E é muito de Sadio Mané. O homem que é uma figura desportiva do país e que arrancou do balneário uma seleção que quis, quase por unanimidade, abandonar o relvado em plena final da maior prova de seleções de África.

Foi a final do golo que podia ter valido para o Senegal e não deu para valer porque o árbitro apitou antes.

Foi o penálti para Marrocos com recurso ao VAR no último minuto que levou Senegal a abandonar o relvado.

Foi, depois, Sadio Mané a chamar os colegas para evitar males maiores para o país. E eles voltaram.

E foi Brahim Díaz, com tudo para dar o título a Marrocos, a candidatar-se ao pior penálti à Panenka da história… aos 90+22m! Édouard Mendy defendeu, num lance que deixou os marroquinos em choque. Brahim Díaz, petrificado. 

Por fim, aquela seleção que abandonou o relvado e voltou minutos depois, ganharia a CAN com um golaço de Pape Gueye.

2026 está bem no início, mas o Senegal-Marrocos da final da Taça das Nações Africanas (CAN) já é, seguramente, um dos jogos do ano. Pode haver outros, claro. Mas este dificilmente sairá lá do topo.

Foi um jogo espetacular? Cheio de grandes jogadas, grandes golos ou reviravoltas? Nem por isso. Bem, sejamos corretos: na verdade teve o golaço decisivo de Pape Gueye no prolongamento. E foi o que fez a diferença para dar o título ao Senegal.

Mas foram, sobretudo, aqueles 20 e poucos minutos para lá dos 90 e antes do prolongamento que contam muito do que foi uma final de emoções fortes e que esteve praticamente nas mãos do anfitrião Marrocos, 50 anos depois da primeira e única conquista na CAN.

E talvez nem o melhor dos guionistas teria a ousadia de elaborar tal roteiro. É digno de filme, mas é real. Hitchcock, como farias?!

Antes da falta (polémica) de Seck sobre Hakimi que o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala apitou (e Senegal marcaria, mas já quando o lance já estava interrompido), a intensa e equilibrada final da CAN teve, linhas gerais, um Senegal com mais perigo, valendo a Marrocos um inspirado Bounou na baliza. A seleção anfitriã também teve as suas chances – sobretudo uma de El Kaabi ao minuto 58 – mas o nulo persistia.

Até que, em cima do oitavo e último minuto de compensação, o árbitro foi ver as imagens e apitou penálti por falta de Diouf sobre Brahim Díaz.

A partir daí, instalou-se o caos e o selecionador Pape Thiaw a mandar a sua equipa abandonar o relvado. Ao fim de alguns minutos, a maioria dos jogadores do Senegal recolheram aos balneários. Dos poucos que ficaram, Sadio Mané acabou por contrariar os seus e quis ficar. E parece que aquela conversa com Claude Le Roy, ex-selecionador, à boca do túnel, foi determinante nas intenções e na decisão do regresso. O contrário, afinal, podia ter danos pouco reparáveis a breve prazo para o futebol africano.

E eis que, no regresso, Brahim Díaz – o homem que quis representar Marrocos em vez de Espanha e que tanto gesticulou que era lance para penálti – foi do céu ao inferno com um penálti à Panenka quase inexplicável. Seria, possivelmente ainda em choque com o falhanço, substituído no prolongamento, já com o Senegal na condição de vantagem que não lhe fugiria.

A seleção de Marrocos acabaria o jogo e reduzida a dez, não por expulsões, mas porque já tinha esgotado as substituições e Igamane (que entrou aos 98 minutos, a não durar para a segunda parte do prolongamento por lesão). Aguerd ainda cheirou o empate com uma bola ao ferro e Ndiaye quase dobrou a diferença para o Senegal, mas Bounou salvou por duas vezes.

Mas, por fim, Senegal conquistou a sua segunda CAN em quatro finais, repetindo o êxito de 2021 e acentuando a máxima quase absoluta de que o anfitrião não vence a prova.

E tudo um penálti mudou. E o Senegal é o campeão africano.

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