Seguro propõe "pacto de não agressão" e aconselha Pedro Nuno: "Centrar a campanha na Spinumviva parece-me um erro"
"Liberdade", com António José Seguro: edição de 27 de março na íntegra
Seguro aconselha Pedro Nuno Santos: "Centrar a campanha no caso da Spinumviva parece-me um erro"
Seguro e os cartaz do Chega: "A liberdade de expressão não significa falsidades e insultos"
Comentador da CNN espera ainda que quem olhar para o cartaz em que Sócrates e Montenegro aparecem juntos tome a seguinte decisão - punir o Chega
António José Seguro considera que "as questões da ética devem estar em cima da mesa" durante a próxima campanha eleitoral. Mas deixa um aviso aos candidatos e sobretudo ao líder socialista, Pedro Nuno Santos: "Que a campanha eleitoral sirva para esclarecer mais do que foi possível esclarecer no parlamento, isso parece-me inevitável. Centrar a campanha exclusivamente ou maioritariamente nesse tema [Spinumviva] já me parece um erro."
No seu espaço semanal de comentário, "Liberdade", no Prime Time da CNN Portugal, António José Seguro comentou também a polémica em volta do cartaz do Chega que colocava Luís Montenegro ao lado de José Sócrates como exemplos de políticos corruptos: "Para um democrata, a liberdade de expressão é um princípio essencial, mas liberdade de expressão não significa falsidades, insinuações, insultos. Desejo que os leitores no momento do voto saibam punir quem em vez de apresentar propostas insulta e insinua".
Segurou alertou ainda que "nas últimas duas semanas houve um aumento muito grandes das noticias falsas e também começa a haver uma generalização a partir de factos pontuais, designadamente sobre o tema da corrupção". "É um clássico. Ora é a imigração, ora a corrupção. Quando um ou dois políticos são corruptos diz-se que todos são corruptos."
E propõe, para a campanha eleitoral que vai começar em breve, o estabelecimento de um "pacto de não agressão" entre os candidatos, à semelhança do que se fez na Alemanha, no qual os políticos se comprometiam com respeito mútuo, renúncia à desinformação, restrição na utilização da inteligência artificial. "Precisamos de defender a democracia", afirma o comentador. "Na dúvida liberdade de expressão, mas em respeito uns pelos outros e pelos portugueses."
António José Seguro considera que "é uma boa notícia termos mais um ano com excedente orçamental e ainda por cima acima das previsões iniciais", mas questiona: "A que é que se deveu esse excedente?". "A primeira notícia não é boa: investiu-se menos 1,6 mil milhões de euros. Um país que não investe fica para trás", afirma o comentador da CNN Portugal. Depois, "poupou-se nos consumos intermédios, mas não sabemos que tipo de despesa é que foi cortada" - se foi uma despesa importante ou desnecessária. E, finalmente, houve um aumento da carga fiscal. "Este é que é o grande contributo para o excedente", o que "contraria a ideia de que está a haver desagravamento fiscal".
E dentro deste agravamento fiscal também temos boas e más notícias, diz António José Seguro: "Nunca houve tantos trabalhadores em Portugal a descontar para a Segurança Social, cá está um impacto positivo dos imigrantes"; depois, os impostos diretos subiram mais 3,5% (aqui entram IRS e IRC); finalmente, "os impostos indiretos subiram mais do dobro dos diretos" e "aqui é que há injustiça - agravam-se as desigualdades" porque paga o mesmo aquele que tem mil euros como o que tem 4 mil ou 40 mil".
Sobre a guerra na Ucrânia e a resposta da Europa, Seguro afirma que "este é um dos momentos mais difíceis como europeus". "Tenho assistido a um discurso de rearmamento quando julgo que o foco deve ser um discurso de defesa e segurança". Seguro sublinha que o conjunto dos países europeus gastou três vezes mais do que a Rússia em defesa. E pergunta o que será necessário: gastar mais ou gastar melhor?
