PSD exige investigação à câmara comunista de Setúbal por receber refugiados ucranianos com russos pró-Kremlin

Cláudia Évora , Notícia atualizada às 14:01
29 abr, 11:40

O presidente da Distrital de Setúbal do PSD disse ser "incompreensível" a atitude por parte do município e foi mais longe: "Não aceitamos que a longa mão do KGB chegue a Setúbal"

O PSD exigiu, esta sexta-feira, em comunicado, que a Câmara de Setúbal, que pertence ao PCP, seja "urgentemente" investigada pelo Governo e respetivas entidades competentes, depois de o jornal Expresso e a CNN Portugal terem denunciado que os refugiados ucranianos estavam a ser recebidos por russos pró-Kremlin. A Inicitiva Liberal também já chamou o presidente da Autarquia, André Valente Martins, para ser ouvido na Comissão de Liberdade e Garantias. 

No comunicado do PSD, que a CNN Portugal teve acesso, o presidente da Distrital de Setúbal, Paulo Ribeiro, disse ser "incompreensível" a atitude por parte do município comunista e foi mais longe: "Não aceitamos que a longa mão do KGB chegue a Setúbal". 

"[Os refugiados ucranianos] não podem sair de uma situação de terror e de constante medo para entrarem noutra", disse, acusando o PCP de "cegueira ideológica". "Já todos percebemos que o PCP suporta as ações de Vladimir Putin. Agora o que não se esperava era que perseguissem os refugiados ucranianos dentro de Portugal".

A notícia desta sexta-feira do semanário Expresso refere que os funcionários russos da Câmara de Setúbal, que são responsáveis pela Linha de Apoio aos Refugiados (LIMAR), estão a fotocopiar os documentos destes cidadãos ucranianos, entre os quais passaportes e certidões das crianças. 

Um destes refugiados é uma mulher que chegou a Portugal a 19 de março com as duas filhas, de seis e oito anos. Olga, que fugiu de Kharkiv para Setúbal, estranhou ter sido recebida por russos, que lhe falaram também em russo. "Perguntaram-me onde estava o meu marido e o que tinha ficado a fazer", contou.

A Linha de Apoio aos Refugiados, cujo gabinete fica no Mercado do Livramento, no centro da cidade, já atendeu cerca de 160 ucranianos. Segundo o Expresso, foi aqui que Olga encontrou Igor Khashin, um dos líderes da comunidade russa em Portugal -  que estava a "ajudar e a traduzir" documentos e conversas com refugiados - e a mulher, Yulia Khashina, funcionária da câmara, admitida para o cargo de jurista em dezembro. 

Igor foi um dos alvos denunciados peça embaixadora da Ucrânia em Lisboa, Inna Ohnivets, numa entrevista exclusiva à CNN Portugal, na qual admitiu que as associações pró-russas infiltradas em Portugal podiam "receber dados sobre familiares que combatiam no exército ucraniano". 

Em resposta ao Expresso, o gabinete do presidente da câmara negou que os refugiados ucranianos tenham sido questionados sobre a família que ficou na Ucrânia: "Não é viável nem nunca foi feita tal pergunta. Essa alegação é falsa". Paulo Ribeiro garantiu ainda que "não foi transmitido qualquer receio" para com estes cidadãos ucranianos e, quanto à fotocópia de documentação, não explicou para que servem, mas garantiu que são "cumpridos todos os requisitos técnicos inerentes a um atendimento social" e que "a recolha de informação é feita com a autorização expressa dos próprios e realizada por dois técnicos superiores", assegurando confidencialidade a que a autarquia está "obrigada". 

André Valente Martins, do Partido Ecologista "Os Verdes", foi eleito pela lista da CDU (PCP/PEV/ID) nas últimas eleições autárquicas.

PSD e IL pedem audição do presidente da Câmara de Setúbal e embaixadora

A Iniciativa Liberal (IL) pediu esta sexta-feira a audição parlamentar urgente do presidente da Câmara de Setúbal para esclarecer o acolhimento de refugiados por russos pró-Kremlin, considerando tais como "extremamente graves". Em declarações aos jornalistas, a deputada Joana Cordeiro disse que o partido "está a acompanhar [o caso] com extrema preocupação". 

"Isto é extremamente grave e temos que apurar o que se passa e por esse motivo a IL vai convocar com caráter de urgência o presidente a Câmara de Setúbal, André Valente Martins, à primeira comissão para que explique o que se está a passar na câmara de Setúbal", anunciou, acrescentando ainda que para os liberais é importante perceber "se de facto nesta altura o PCP está a favor da paz ou está a favor do agressor". 

Joana Cordeiro disse ainda que o partido também vai pedir a audição do presidente da Associação de Ucranianos em Portugal para esclarecer "se esta situação se passa no resto do país". 

Na mesma linha, o PSD além de também querer ouvir a presidente da Câmara de Setúbal, quer ainda ouvir a embaixadora da Ucrânia e solicitar esclarecimentos, por escrito, ao gabinete do primeiro-ministro, uma vez que tem a tutela do Alto Comissariado para as Migrações.

 "A ser verdade esta notícia, o PSD repudia absolutamente e considera inaceitável esta atitude por parte das autoridades locais, neste caso a Câmara de Setúbal, e de todas as entidades envolvidas", afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar Ricardo Baptista Leite, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

O PSD, exige, por um lado, que "sejam imediatamente interrompidas quaisquer atividades desta natureza", dizendo que a situação ocorrida no passado na Câmara de Lisboa ainda sobre a presidência de Fernando Medina "já deveria ter servido de lição" para não facilitar a passagem de informação "aos invasores da Ucrânia". 

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