De casa ao trabalho, vários são os cuidados que deverá adotar ao longo dos próximos dias de calor muito intenso
“Os portugueses são conhecidos por serem um bocadinho reativos, não tão planeadores, mas mais reativos.” O alerta é deixado pelo comandante da Proteção Civil Armando Baptista horas antes da chegada de uma nova vaga de calor intenso com temperaturas que podem ultrapassar os 40 graus.
Entre os erros mais frequentes, o especialista destaca a falta de hidratação e a exposição prolongada ao sol. “Nós bebemos pouca água, consumimos muitas bebidas com açúcar e também algumas bebidas alcoólicas”, aponta Armando Baptista, acrescentando que “a hidratação é um dos problemas de maior gravidade”.
“Ainda continuamos a ver situações em que as pessoas estão muito tempo ao sol”, o que, alerta, aumenta o risco, sobretudo quando há vento e uma falsa sensação de menos calor.
Há semanas que a Europa está a sofrer devido ao intenso calor que tem quebrado todos os recordes para o mês de junho e, em alguns casos, até recordes absolutos em países como França, Alemanha ou Reino Unido, causando a morte a pelo menos 1.300 pessoas no espaço de dias. Um número considerado preocupante para o comandante, que lembra que “o nosso organismo não está preparado para temperaturas tão altas”.
Para evitar que Portugal chegue a este desfecho dramático, Armando Baptista lembra que os cuidados começam em casa.
“Só cerca de 27% da população portuguesa tem equipamentos de ar condicionado”, nota o responsável. Por isso, recomenda comportamentos simples como “fechar os estores”, usar ventoinhas e optar por roupa leve. “Muitas pessoas deixam os estores abertos porque acham que corre uma aragem, mas isso faz com que o calor entre”, alerta.
Já para quem trabalha no exterior o risco é ainda maior. “Esse é um grave problema. Trabalhadores da construção civil, das forças e serviços de segurança (…), pessoas que trabalham, de facto, na rua, devem ter um especial cuidado”, apela. A título de exemplo, o especialista realça que estes trabalhadores “devem aumentar os período de descanso em zonas de sombra”.
Em entrevista ao Diário da Manhã da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, o comandante lembra também o risco de incêndios, num período que volta a exigir grande mobilização. Para evitar males maiores, Armando Baptista deixa um alerta sobre comportamentos de risco.
“É proibido fazer queimadas, fogueiras e sobretudo utilizar máquinas agrícolas”, uma vez que podem provocar ignições difíceis de controlar.
Lisboa e Setúbal vão estar sob aviso vermelho a partir da meia-noite, enquanto Leiria e Coimbra passam a este nível de alerta na sexta-feira, segundo fez saber o IPMA. O restante país estará sob aviso laranja, o segundo mais grave.
Estas são as recomendações da DGS para enfrentar o calor:
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Beber água, mesmo quando não tem sede, evitando o consumo de bebidas alcoólicas e com cafeína: pelo menos 1,5 L, o equivalente a 8 copos;
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Procurar permanecer em ambientes frescos ou climatizados, com sombras e circulação de ar, pelo menos 2 a 3 horas por dia; manter as janelas, persianas e estores fechados nos períodos de maior calor, ou em zonas com risco de poeiras dos incêndios;
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Evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas. Utilizar protetor solar com fator igual ou superior a 30 e renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas e após os banhos na praia ou piscina;
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Utilizar roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta;
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Evitar atividades no exterior que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente, desportivas e de lazer;
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Escolher as horas de menor calor para viajar de carro, e não permanecer dentro de viaturas estacionadas e expostas ao sol;
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Dar atenção especial a grupos mais vulneráveis ao calor, tais como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas, trabalhadores com atividade no exterior;
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Assegurar que as crianças bebem água frequentemente e permanecem em ambientes frescos e arejados; as crianças com menos de 6 meses não devem estar sujeitas a exposição solar, direta ou indireta;
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Contactar e acompanhar os idosos e outras pessoas que vivam isoladas, assegurando a sua correta hidratação e permanência em ambientes frescos e arejados;
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Manter-se informado relativamente às condições climatéricas, para poder adotar os cuidados necessários;
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Em caso de emergência, e se apresentar sinais de alerta (tais como suores intensos, febre, vómitos/náuseas ou pulsação acelerada/fraca), contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24, ou ligar para número europeu de emergência 112.
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Para se proteger dos efeitos negativos do calor intenso mantenha-se informado, hidratado e fresco.
