Pode sempre dar asas à imaginação para beber variantes de água
Nos dias de praia tenho de beber mais água do que o habitual?
Seja pelo calor ou pela maior atividade, o consumo de água tem de ser reforçado. E há três grupos de pessoas que devem prestar a devida atenção a esta questão
por Daniela Costa Teixeira
É nos dias de maior calor que o consumo de água deve ser visto com especial atenção. E não é por se sentir mais fresco depois de um mergulho no mar ou de comer um gelado que pode esquivar-se da ingestão deste bem essencial.
Nos dias de praia tenho, então, de beber mais água do que o habitual? “A resposta é sim. Nos dias de praia é imprescindível aumentar a ingestão de água”, começa por dizer a médica Vera Afonso.
Em causa, continua a coordenadora da unidade de Medicina Geral e Familiar do Hospital Lusíadas Lisboa, está a necessidade de “repormos os níveis necessários no nosso organismo, que equilibram a composição corporal e permitem o bom funcionamento de todos os órgãos”.
Consumir mais água nos dias de maior calor ou quando a exposição solar é mais prolongada é um “cuidado” que evita a desidratação, além de “compensar as perdas que ocorrem ao longo do dia, através, por exemplo, da transpiração, por exposição a temperaturas mais elevadas e à prática de exercício físico”, esclarece a médica.
Mas quanta mais água devo beber? Pois bem, não há uma resposta certa nem tão pouco que seja igual para todos. A quantidade de água ideal a ser ingerida por dia varia de pessoa para pessoa, e, no caso dos adultos, o recomendado é entre um litro e meio a dois litros, que é como quem diz, entre os oito a dez copos de água.
No entanto, “crianças, idosos e doentes crónicos são efetivamente mais vulneráveis à desidratação”, devendo, por isso, prestar mais atenção a este tema. “Mas fica o alerta para todas as idades”, diz a médica, uma vez que há fatores externos que promovem a desidratação, como a prática de exercício físico e o calor.
Para facilitar o consumo de água, pode sempre dar asas à imaginação e alternar com “água aromatizada com pedaços de fruta sem adição de açúcar” e “infusão de ervas ou chá”, como sugere o site do Serviço Nacional de Saúde (SNS), também sem açúcar podem ser aliados para um reforço da hidratação - e, não, as bebidas açucaradas e o café não contam, pois até podem ‘matar’ a sede, mas aumentam os níveis de desidratação. Já as bebidas desportivas podem ser aliadas dos atletas.
Mas não é apenas a quantidade que importa nos dias de maior calor. A frequência com que bebe é igualmente importante, sendo recomendado que se ingira água de forma faseada ao longo do dia, mesmo quando não tem sede, evitando grandes quantidades de uma só vez. “Uma grande quantidade de fluido de uma só vez pode diluir a concentração de sais no nosso sangue e ser insegura”, explica Leana Wen, médica e docente, em declarações à CNN Internacional.
A água engarrafada é mesmo melhor do que a da torneira? Hidrate aqui as suas certezas
“Bebe água!”. “Hidrata-te!”. “Água é vida!”. Ouviu as vozes na sua cabeça? E você, quanto água já bebeu hoje? E de onde veio ela, sabe?
por Wilson Ledo
Beber água é essencial para a nossa sobrevivência. Tão essencial que há recomendações que devia estar a seguir aí em casa. É adulto? Então são entre 1,5 a três litros de água por dia. Ainda é criança? Vai em copos, que é mais fácil: quatro a 11.
Estas são as recomendações gerais. Porque a quantidade de água que cada um de nós devia estar a beber por dia varia segundo “fatores como a idade, o peso, a atividade física e as condições médicas”, realça Helga Mendonça, nutricionista no projeto Nutrição com Precisão.
Ou então com as fases concretas da vida que atravessamos, “como a gravidez ou o período de lactação, com o avançar da idade ou simplesmente devido a diferenças de temperatura”, completa Susana Teixeira, nutricionista no espaço António Gaspar.
Será que a água que bebemos faz toda o mesmo efeito? E o ph faz mesma a diferença?
Se veio a este artigo à procura do tipo de água mais adequado para uma vida saudável, fique a saber que “não existe uma resposta única”. Sejam águas minerais, de nascente ou da torneira, “desde que sejam potáveis e obedeçam aos critérios de qualidade”, diz Helga Mendonça, está à vontade para encher o copo.
Tanto a água de nascente como a água mineral têm origem subterrânea, distinguindo-se a última por ser rica em sais minerais, benéficos para a nossa saúde.
Mas talvez seja uma outra característica da água que lhe tem deixado a cabeça em água quando começa a olhar para os rótulos: o potencial do hidrogénio, também conhecido como ph, que “traduz a acidez ou basicidade da água”, aponta Susana Teixeira.
O ph é medido numa escala de zero a 14. Se for igual a sete, falamos de uma solução neutra. Se estiver abaixo de sete, trata-se de uma solução ácida. Acima dos sete, é uma solução alcalina.
“São atribuídos potenciais benefícios ao consumo de água com ph superior a sete, a uma água alcalina, onde se inclui a capacidade de regular o ph do sangue, bem como benefícios na prevenção de determinadas doenças. No entanto, não existe para já evidência científica suficiente que suporte estes argumentos”, revela Susana Teixeira.
Ainda não está convencido? Então aqui vai mais uma explicação: “mesmo que se conseguisse alterar temporariamente a acidez do estômago através do aumento do consumo de água alcalina, ou conseguíssemos aumentar ligeiramente o ph do sangue, os nossos rins entrariam logo em ação para equilibrar o ph sanguíneo, caso contrário poderia ser fatal”.
Mais do que o ph, o que importa na hora de avaliar uma água, diz a nutricionista, “é o teor de minerais”. E daí a dica: “vá alternando entre o consumo de água da rede pública e água engarrafada, pois desta forma consegue-se um maior equilíbrio em termos do aporte de minerais”.
Uma “boa água” é feita do quê?
Se anda à procura de beber a melhor água possível, talvez já tenha feito esta pergunta a si próprio: o que tem uma “boa água”? As nutricionistas, pelo menos, dão a mesma resposta: uma “boa água” distingue-se pelo que não tem, ou seja, deve ser “livre de contaminantes” que prejudicam a nossa saúde. Na lista incluem-se bactérias, vírus, pesticidas e metais pesados.
“Além disso, é importante que contenha uma quantidade adequada de minerais essenciais, como cálcio, magnésio e potássio, que desempenham papéis vitais no funcionamento do corpo humano”, aponta Helga Mendonça. Estes elementos, completa Susana Teixeira, podem “influenciar a nossa saúde”.
Pode ser da torneira?
Todos conhecemos alguém que se recusa a beber água da torneira, que prefere carregar garrafões e garrafões de água pelas escadas acima. O receio é de que a água vinda da rede pública não seja tão saudável e segura como aquela que é comprada nos supermercados. Se tem um amigo ou familiar assim, mande-lhe as explicações deste artigo.
“A água da torneira passa por um processo de tratamento para garantir sua segurança e potabilidade. Quando bem tratada, a água da torneira pode ser uma escolha tão saudável quanto a água mineral ou de nascente”, garante Helga Mendonça.
Já Susana Teixeira lembra que é possível verificar a qualidade da água por concelho, através das entidades reguladoras competentes. A água que chega às nossas torneiras vem de barragens e albufeiras, o que “leva à necessidade de tratamento para ser segura para o consumo humano”. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), a percentagem de água segura em Portugal continental é de 98,88%.
A água da torneira faz as mesmas vezes da engarrafada. A diferença, dizem as nutricionistas, poderá estar, além da mineralização: daí o conselho para ir alternando o consumo com águas engarrafadas. E no sabor – “devido ao cloro, usado para desinfeção, ou ao material das tubagens”. Mas não se apoquente, que aqui também há solução: “este aspeto pode ser amenizado ao deixar a água repousar um pouco antes do seu consumo”.
O que faz a água no nosso corpo
Sabemos que a água é fundamental. Mas nem sempre percebermos o que acontece depois de o copo ficar vazio. A água previne a desidratação e contribui para regular a nossa temperatura corporal, é importante para o nosso desempenho físico e cognitivo, ajuda a controlar o apetite e a lubrificar as articulações, mantém a nossa pele saudável e facilita a eliminação de toxinas e resíduos.
Se tiver fadiga, confusão ou perda de memória a curto prazo ou mudanças de humor, ficando mais irritado ou depressivo, pode ser sinal de que está a ficar desidratado. A solução é simples: encher o copo e beber.
Caso contrário, fica mais propenso a infeções do trato urinário, pedras nos rins, cálculos biliares e prisão de ventre.
Se tem resistência a beber a água por si só, pode dar-lhe sabor com fruta ou ervas aromáticas – laranja e hortelã, por exemplo. Pode também obtê-la através de chás e infusões sem açúcar – aqui, fica só uma ressalva, para as quantidades de chá preto e verde, devido à cafeína.
Por fim, está também presente na sopa, nas frutas e vegetais.