Depois da agitação das férias, voltamos ao trabalho, às rotinas e ao conforto do sofá. É tempo de abrandar e redescobrir a cultura de forma descontraída, sem pressas. A CaixaForum+, a plataforma gratuita de streaming da Fundação “la Caixa”, lançada em Portugal com o apoio do BPI, convida a esse mergulho cultural com novas estreias – do mistério em torno de um Caravaggio desaparecido à seleção de documentários do DocLisboa, o maior festival de cinema documental português.
Em setembro e em pleno outono, chegamos à época que convida a programas tranquilos – como uma maratona de documentários no sofá. A boa notícia é que a CaixaForum+, a plataforma de divulgação cultural e científica da Fundação “la Caixa”, traz nesta rentrée várias estreias imperdíveis, prontas para prender a sua atenção e despertar a curiosidade.
A emocionante descoberta de um Caravaggio perdido
A grande estreia da CaixaForum+ este mês é “The Sleeper. O Caravaggio Perdido” (2025), um documentário que acompanha a surpreendente história de uma obra desaparecida do mestre maldito do Barroco, encontrada por acaso na casa de uma família que desconhecia por completo o valor daquele quadro e a identidade do seu autor. Com nuances de thriller, o filme segue a jornada desta pintura até se transformar numa das peças mais cobiçadas por colecionadores e negociantes de arte em todo o mundo.
Realizado por Álvaro Longoria e produzido pela Morena Films, Mediacrest, Estrategia Audiovisual e Fandango Films – com o apoio da RTVE e produção associada à CaixaForum+ –, este documentário é uma viagem fascinante pelo mistério, pela arte e pelo mercado que a rodeia.
Histórias reais que marcam: sete novos documentários na CaixaForum+
Em setembro, a CaixaForum+ dá continuidade à sua parceria com o DocLisboa – o principal festival de cinema documental em Portugal –, com a estreia de uma terceira seleção de títulos apresentados em diferentes edições do festival. São sete obras marcantes que se destacaram pela sua originalidade e força narrativa.
No filme “Campo”, o cineasta Tiago Hespanha reflete sobre o mundano e o transcendental a partir dos soldados da maior base militar da Europa, um menino que toca piano e de um grupo de astrónomos amadores; em “Herbaria”, o realizador Leandro Listorti leva-nos numa viagem sobre preservação botânica e cinematográfica, explorando as derivações artísticas e políticas que ligam os dois mundos; e no documentário “H”, Carlos Pardo imagina a noite em que o seu tio Hilario teria vivido, se nesse dia não tivesse morrido atingido por um touro em Pamplona, nas festas de San Fermín.
Já “Raposa” é uma obra autobiográfica de Leonor Noivo, onde a figura da raposa simboliza a anorexia que marcou a sua vida e a de outros pacientes do Hospital de Santa Maria. Em “La vida en común”, o centro da história é um puma que ameaça uma comunidade indígena no norte da Argentina. Aqui, conhecemos Uriel, um rapaz que se recusa a cumprir o ritual de iniciação tradicional imposto aos mais novos, que é a caça ao puma.
No documentário “Sobre las nubes”, de María Aparicio, viajamos até Córdoba, onde conhecemos um cozinheiro, um engenheiro desempregado, uma enfermeira e uma livreira que tentam sobreviver no difícil mercado de trabalho da cidade. Finalmente, em “Llamadas desde Moscú”, de Luis Alejandro Yero, acompanhamos a jornada de quatro jovens cubanos que procuram asilo político e chegam a Moscovo pouco antes do início da guerra com a Ucrânia.
“Tecnosombras”: mergulhar no imaginário digital contemporâneo
Num mundo cada vez mais saturado de imagens e dados, o ciclo “Tecnosombras”, comissariado pelo Festival Márgenes para a CaixaForum+, propõe um olhar poético e visual sobre o imaginário digital contemporâneo. Esta é a segunda edição deste ciclo, que convida a explorar territórios híbridos, onde o real e o virtual se confundem.
O ciclo “Tecnosombras” é outro dos destaques de setembro na CaixaForum+, que inclui títulos como “Real”, de Adele Tulli, uma viagem audiovisual caleidoscópica e emocionante que explora o que significa ser humano na era digital, e “Best Secret Place”, de Jonathan Vinel e Caroline Poggi, uma reflexão quase metafísica sobre o fascínio pela violência na cultura gamer, o seu impacto social e a sua ligação à condição humana.
Com mais de 500 títulos e cerca de 800 horas de cinema documental, arte e ciência, a CaixaForum+ reforça nesta rentrée o seu papel como ponto de encontro para quem procura cultura de qualidade, acessível e gratuita, sem sair de casa.