33 minutos de voo a 400 kms/h. Há mais um país com um caça supersónico que vai transportar mísseis

CNN , Brad Lendon e Yoonjung Seo
22 jul, 09:00
O caça de fabrico nacional da Coreia do Sul, o KF-21, faz o seu primeiro voo.

O caça KF-21 Boramae fabricado na Coreia do Sul voou pela primeira vez esta terça-feira, colocando o país entre as poucas nações que desenvolveram e puseram nos céus um caça supersónico avançado.

O protótipo fez um voo de ida e volta de 33 minutos de uma base da Força Aérea na cidade de Sacheon, a Sul, disse a Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA).

O piloto, o Major Ahn Jun-hyun, admitiu estar nervoso, mas disse: “Tudo correu bem e fiz toda a rota de voo conforme estava planeado.”

O jato é o primeiro de uma frota de seis protótipos KF-21 fabricados pela Korea Aerospace Industries que realizará mais de 2000 voos de teste até 2026, quando começará a produção em massa e a utilização dos aviões, disse a DAPA.

Espera-se que sejam entregues à Força Aérea sul-coreana um total de 120 jatos até 2030.

Uma vez operacional, espera-se que o KF-21 seja armado com uma gama de mísseis ar-ar e ar-terra, e possivelmente até mísseis de cruzeiro lançados do ar. Os caças bimotores terão versões de um e dois lugares.

Na terça-feira, o jato foi equipado com quatro mísseis ar-ar Meteor de teste e um sistema infravermelho de busca e rastreamento, e atingiu velocidades de cerca de 400 quilómetros por hora.

O presidente sul-coreano Yoon Seok Yeol disse que o voo de teste foi “uma esplêndida conquista para a independência da defesa nacional.”

O KF-21 é um projeto conjunto entre a Coreia do Sul e a Indonésia, no qual Seul detém 80% das ações.

Embora apenas 65% das peças do KF-21 sejam de origem sul-coreana, o voo inaugural representa, ainda assim, uma conquista significativa para um país que não tem um longo histórico de produção de aeronaves.

Os únicos outros países que desenvolveram e colocaram nos ares um caça a jato supersónico avançado são os Estados Unidos, Rússia, China, Japão, França, Suécia e um consórcio europeu composto pelo Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha.

Desses, apenas os EUA e a China colocaram em utilização caças de quinta geração fabricados no próprio país - aviões que possuem tecnologias furtivas, recursos de interferência de radar e de tecnologia aviónica que integram dados a bordo e remotos para fornecer aos pilotos uma imagem em tempo real da operação, segundo o Centro de Competência do Poder Aéreo Conjunto da NATO.

Enquanto a DAPA apelida o KF-21 de um caça de geração 4.5 porque não possui recursos como um compartimento de armas interno que o tornaria mais furtivo, os analistas dizem que ele pode voar mais alto e mais depressa do que o mais recente avião de quinta geração fabricado nos EUA, o F-35.

“O KF-21 é o primeiro caça feito com tecnologia nacional, e mostra que a Coreia do Sul é agora capaz de construir caças por conta própria. Também será um trampolim para desenvolver melhores caças e operar armas desenvolvidas localmente”, disse a DAPA no ano passado.

Peter Layton, membro do Griffith Asia Institute na Austrália, classificou na quarta-feira o voo do KF-21 como um marco “impressionante”.

“O programa melhorou significativamente as capacidades aeroespaciais sul-coreanas, particularmente em termos de projeto, fabricação, componentes da fuselagem e sistemas de tecnologia aviónica”, disse Layton, um antigo oficial da Força Aérea Real Australiana.

O caça da Coreia do Sul, o KF-21, fez o seu primeiro voo na terça-feira.

Espera-se que o KF-21 substitua os caças F-4 e F-5 da Coreia do Sul, jatos de terceira geração desenhados pelos EUA e postos em utilização na década de 1960.

À medida que a produção aumenta, também pode vir a substituir os F-16 e F-15K de quarta geração da Coreia do Sul, escreveu Abraham Ait, editor-chefe da revista “Military Watch”, no “The Diplomat” em 2020.

A Coreia do Sul também opera caças furtivos F-35.

Layton disse que, quando operacional, o KF-21 melhorará as capacidades defensivas e ofensivas da Coreia do Sul nos ares.

“Dado o estado deplorável dos caças antigos da Força Aérea da Coreia do Norte, o KF-21 supera-os consideravelmente”, disse ele.

Layton disse que os F-35 da Coreia do Sul têm capacidades furtivas superiores ao KF-21 e são melhores para penetrar nos radares do inimigo.

“A Força Aérea (sul-coreana) terá então uma mistura de F-35 para operações de ataque e KF-21 para operações de defesa aérea. Este conceito faz um bom uso do F-35, que é otimizado para atacar alvos terrestres, enquanto que o KF -21 foi otimizado para missões ar-ar”, disse ele.

O KF-21 tem um potencial de exportação significativo pois espera-se que seja mais barato do que os F-35 que os EUA vendem às forças armadas estrangeiras.

A Tailândia, as Filipinas e possivelmente até o Iraque “podem ser os principais clientes do caça”, escreveu Ait, acrescentando que cada um destes países opera o mesmo tipo de aeronave que o KF-21 foi projetado para substituir. Estes países também têm sido clientes do caça de ataque ligeiro, o FA-50, desenvolvido na Coreia do Sul.

O presidente Yoon disse, após o teste de terça-feira, que “um ponto de viragem foi criado para a expansão das nossas exportações na indústria de defesa.”

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