Força Aérea diz que teve autorização para caçadas no Campo de Tiro de Alcochete

Agência Lusa , WL
25 nov, 19:18
Altas patentes da Força Aérea sob investigação da PJ Militar
Altas patentes da Força Aérea sob investigação da PJ Militar

Ramo militar explica que fez caçadas a javalis para controlar a população deste espécie, com luz verde do Instituto da Conservação da Natureza.

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A Força Aérea Portuguesa (FAP) garantiu esta quinta-feira, 25 de novembro, que realizou diversas ações de caça ao javali no Campo de Tiro de Alcochete para efeitos de controlo populacional desta espécie, com autorização do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Em comunicado, este ramo military reconheceu a existência de um processo de investigação em curso que levou a buscas no interior das suas instalações, em meados de junho, como avançou a CNN Portugal. Entretanto, a Polícia Judiciária Militar (PJM) e a Procuradoria-Geral da República já vieram confirmar as buscas.

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A FAP diz estar “empenhada e interessada na descoberta da verdade” e que “colabora com as autoridades judiciárias (PJM) na investigação”. Por o processo ainda estar em curso “não presta quaisquer declarações que a possam prejudicar”, acrescentou.

No mesmo comunicado, avança que que realizou, no Campo de Tiro de Alcochete, diversas ações de caça ao javali com a autorização do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) visando a necessidade de “prevenir e minimizar danos na fauna e perturbação da atividade operacional”, sendo que estas ações foram “de caráter excecional”.

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“No Campo de Tiro, devido à sua natureza e à proteção conferida pela condição de unidade militar, é característica a proliferação de espécies cinegéticas que, quando atingem valores muito elevados, provocam risco para as atividades operacionais”, sublinha.

Segundo o ramo, o aumento descontrolado de algumas destas espécies “tem provocado desequilíbrios ecológicos que, além de poderem levar à redução e eliminação de outras espécies, causam prejuízos diversos nas instalações e áreas do Campo de Tiro” e nas áreas adjacentes.

Verifica-se “a necessidade permanente de controlo da densidade de algumas espécies cinegéticas para manter este equilíbrio ecológico, não só nos próprios terrenos da Unidade, mas também nas áreas adjacentes que sofrem o impacto da elevada densidade de algumas espécies”, refere o ramo.

Ramo militar garante que só caçou javalis

Para estes controlos, a FAP recorreu a “ações de correção de densidade de espécies cinegéticas, exclusivamente javalis, por forma a prevenir e minimizar danos na fauna e perturbação na atividade operacional”.

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Detalhando os procedimentos, a FAP adianta que submeteu ao ICNF “diversos pedidos, tendo sempre sido autorizados, o que permitiu a realização de ações de correção de densidade de javalis, sempre comunicadas às entidades competentes e garantido o cumprimento do estipulado na legislação aplicável”.

Segundo a Força Aérea, os procedimentos seguiram a lei de Bases Gerais da Caça, (lei 173/99), e o decreto-lei que a regulamenta (decreto-lei 202/2004) bem como uma norma interna que estabelecer “os procedimentos e responsabilidades para a realização de ações de controlo cinegético”.

Como avançou a CNN Portugal, em causa estão suspeitas de corrupção, além de outros crimes, investigados a partir de uma pista relacionada com eventos de caça, semiclandestinos, realizados em plena reserva militar do Campo de Tiro de Alcochete, sob a tutela do Estado-Maior da Força Aérea.

A investigação partiu de denúncias internas e aponta para favorecimento, ao mais alto nível, a empresários que são convidados para caçadas, acompanhados de altas patentes militares, nomeadamente generais.

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