PJ desmantela rede criminosa ligada ao esquema de burlas "Olá Pai, Olá Mãe"

Beatriz Céu , (notícia atualizada às 12:00)
10 jul, 11:01
WhatsApp (Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

Segundo a Polícia Judiciária, a rede era constituída por "vários cidadãos estrangeiros", que "angariavam" cartões SIM em festivais de música e em museus para, dessa forma, "abrir contas WhatsApp e expedir mensagens de forma massiva"

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou esta terça-feira uma rede criminosa ligada ao esquema de burlas “Olá Pai /Olá Mãe”, constituída por "vários cidadãos estrangeiros", que atuavam através da rede social WhatsApp. No total, foram constituídos oito arguidos (um deles em prisão preventiva) e duas empresas.

Em comunicado, a PJ adianta que realizou esta terça-feira "uma operação policial, constituída por cinco buscas não domiciliárias, visando um conjunto de lojas em área comercial do centro de Lisboa, e duas buscas domiciliárias na margem sul, que resultaram no desmantelamento de uma estrutura criminosa, ligada ao esquema de burlas 'Olá Pai /Olá Mãe'".

A PJ diz ter identificado "todos os que colaboraram no processo de facilitação das cerca de 50 dezenas de milhares de cartões SIM, ofertados por uma operadora em festivais de música e em museus, que permitia a sua utilização gratuita por 15 dias e, dessa forma, abrir contas WhatsApp e expedir mensagens de forma massiva".

"A rede, constituída por vários cidadãos estrangeiros, angariava esses cartões oferta em diferentes áreas da Grande Lisboa, vendendo-os depois, para utilização pela estrutura criminosa, agora desmantelada", acrescenta-se no comunicado. Em conferência de imprensa, a PJ diz estar "impedida" de revelar as nacionalidades dos envolvidos.

"São todos cidadãos não-nacionais, mas da mesma nacionalidade, ou seja, claramente há aqui uma questão de aproveitar o conhecimento dos seus concidadãos, neste caso, não-nacionais", acrescentou o porta-voz.

Resumindo, os envolvidos "recolhiam cartões de oferta e vendiam, por um valor não muito alto, mas considerando o volume tão elevado de cartões, era um excelente negócio", assinala o porta-voz da PJ, em conferência de imprensa, acrescentando que, no total, foram identificados "cerca de 54 mil cartões" descartáveis.

No âmbito da operação "Cartões sem Rasto", a PJ explica que o Departamento de Investigação Criminal de Leiria, que começou a investigar o esquema em agosto de 2023, percebeu, a partir das diligências realizadas, "que os números SIM utilizados não se repetiam e que utilizavam, preferencialmente, números afetos a uma única operadora nacional".

"Foram agora apreendidos 1.300 cartões SIM (oferta), tendo-se constituído arguidos cinco pessoas individuais e três pessoas coletivos", assinala-se no comunicado.

Em maio passado, a PJ conseguiu "identificar e localizar o possível o ponto de difusão das mensagens, sendo que as buscas e apreensões, realizadas na altura, fundamentaram a detenção de um suspeito, a quem foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva".

"O detido atuava com sete modem's, VOIP GATEWAY, cada um com 32 portas, operando em simultâneo 224 cartões SIM. Entre maio e novembro de 2023, foram operados nestes sete modem's cerca de 43 mil cartões", refere-se no mesmo comunicado.

Na altura, "foram ainda apreendidos cerca de 8.500 cartões SIM, 1.500 já utilizados e 7.000 por utilizar", o que, segundo a PJ, "revela a grandeza do esquema criminoso e as potencialidades de propagação de mensagens, que vitimaram largas centenas de cidadãos em todo o país".

Em comunicado, a PJ sublinha que esta investigação, que se encontra já "em fase final", "atacou o fenómeno 'Olá Pai, Olá Mãe'", tendo sido constituídos, no total, oito arguidos (um deles em prisão preventiva) individuais e duas empresas, sediadas em Lisboa mas tituladas por indivíduos da mesma nacionalidade.

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