REVISTA DE IMPRENSA | De acordo com a investigação, o grupo atuava sobretudo através de plataformas de anúncios online, como o OLX e o Custo Justo, onde contactava vendedores de forma aleatória
Um grupo de cerca de quarenta pessoas, na maioria familiares entre si e residentes em Campo Maior e em Elvas, foi acusado pelo Ministério Público de Évora de integrar um esquema de burla com MB Way que fez pelo menos 84 vítimas em todo o país, num período de seis meses.
Segundo a acusação, a que o Jornal de Notícias teve acesso, os arguidos, com idades entre os 23 e os 62 anos, terão obtido dezenas de milhares de euros através de crimes de falsidade informática, burla informática e acesso ilegítimo, estando ainda a aguardar julgamento.
De acordo com a investigação, o grupo atuava sobretudo através de plataformas de anúncios online, como o OLX e o Custo Justo, onde contactava vendedores de forma aleatória. Após demonstrarem interesse nos artigos, insistiam num pagamento imediato através do MB Way. Quando percebiam que as vítimas não dominavam a aplicação, avançavam para a fase seguinte do esquema.
Os suspeitos convenciam então as vítimas a deslocarem-se a caixas multibanco, onde, por telefone, lhes davam instruções que levavam, na prática, à associação dos cartões bancários aos telemóveis dos próprios arguidos. A partir desse momento, passavam a controlar as contas das vítimas através do MB Way. Após obterem acesso, cancelavam o negócio e desligavam a chamada, seguindo-se o esvaziamento rápido das contas através de transferências e levantamentos.
Uma operação policial realizada em junho de 2020 levou ao desmantelamento do grupo e à detenção de vários suspeitos. Nas buscas, foram apreendidos telemóveis, cartões SIM pré-pagos, pen drives, cerca de 20 mil euros em numerário, seis mil euros em ouro e nove cartuchos de arma de fogo.
