O Whopper do Burger King vem agora numa caixa de cartão, em vez de ser apenas embrulhado em papel, após queixas de consumidores de que os seus hambúrgueres estavam a chegar amassados
Pela primeira vez em muito tempo, o Burger King está a fazer jus ao seu nome.
Um Whopper reformulado ajudou a empresa a registar um aumento de 8,5% nas vendas no último trimestre em lojas dos EUA onde é possível fazer essa comparação homóloga. É assim que supera o McDonald’s com a maior margem em mais de uma década. A Burger King também ultrapassou a Wendy's em termos de vendas nos EUA este ano, tornando-se a segunda maior cadeia de hambúrgueres do país. O McDonald's mantém-se seguro no primeiro lugar.
Na última conferência de resultados, o Burger King americano foi destacado como tendo um “desempenho excecional” no portefólio da empresa-mãe Restaurant Brands International, que também detém as cadeias Popeyes e Tim Hortons. Os executivos elogiaram o foco da empresa em refeições com uma boa relação qualidade-preço, bem como uma campanha de marketing e de renovação que durou vários anos.
Há outro aspeto que também que contribuiu: tornar Tom Curtis, presidente do Burger King, o rosto da marca.
Curtis protagonizou o anúncio de relançamento do Whopper, bem como um outro vídeo onde surge contente a comer um Whopper. Este último foi uma resposta, com ironia, às fortes críticas que surgiram nas redes sociais perante uma tentativa desajeitada do presidente executivo do McDonald's, Chris Kempczinski, de comer um Big Arch.
"Curtis parece ter conquistado o público", diz Robert Byrne, diretor de estudos de mercado da Technomic.
Segundo um estudo de mercado da Technomic, o Burger King está a conseguir melhores resultados junto dos consumidores no que respeita à identificação com a marca através da publicidade, bem como em termos de imagem da marca e de qualidade dos alimentos – naqueles que são os melhores indicadores desde 2019.
Isto é, em parte, fruto das ações do próprio Curtis, que chegou a atender chamadas de clientes e a provocar a concorrência nas redes sociais.
“Podem dizer o que quiserem sobre a ‘polémica nas redes sociais da dentada no hambúrguer’, mas este tipo de coisas traz benefícios a longo prazo”, diz Byrne à CNN, acrescentando que "há um novo tom e um novo teor" na guerra dos hambúrgueres.
Resumo das vendas
O crescimento do Burger King evidencia um contraste gritante com a sua concorrência.
As vendas da McDonald's nos EUA caíram 0,8% e o fluxo de clientes diminuiu, num período com operações mais lentas à custa de uma complexa série de novos acordos e lançamentos.
Na conferência de resultados, o presidente executivo Kempczinski afirmava que os resultados da operação americana do McDonald's ficaram “abaixo das nossas expectativas”. Como consequência, a cadeia nomeou um novo responsável para a operação nos EUA e sinalizou que pretende implementar mudanças rapidamente.
Depois há a Wendy's, cujos problemas continuam: a cadeia registou uma alarmante queda de 7% nas vendas.
O presidente executivo Bob Wright teceu duras críticas à empresa na conferência de apresentação de resultados, considerando que “a nossa qualidade se deteriorou, a nossa proposta de valor enfraqueceu e não temos oferecido, de uma forma consistente, a experiência que os clientes esperam da Wendy's".
O presidente executivo da RBI, Patrick Doyle, veio, entretanto, elogiar a capacidade do Burger King para conquistar consumidores que não são fiéis.
"Hoje, os clientes têm mais opções do que nunca sobre onde comer e onde gastar o seu dinheiro em refeições. A cada dia, há mais gente a escolher o Burger King”, afirmou durante a conferência de apresentação de resultados.
Vitórias do Whopper
Há cerca de seis meses, o Burger King lançou uma grande renovação do seu principal hambúrguer— o Whopper — para reacender o interesse neste elemento do menu que existe há sete décadas.
A cadeia substituiu o pão macio por uma versão mais firme, alterou a receita da maionese e agora serve o hambúrguer numa caixa de cartão, em vez de vir embrulhado em papel.
"Não queremos pura e simplesmente deitar tudo fora e começar do zero", como já tinha afirmado Curtis à CNN. "É como se estivéssemos a apresentar o nosso famoso e icónico hambúrguer de smoking, em vez de fato mais leve”.
Mesmo que o novo Whopper tenha custado aos franchisados do Burger King mais quatro mil dólares por ano, a cadeia aconselhou os proprietários locais a não aumentarem os preços, prometendo que o investimento acabaria por impulsionar as vendas.
E está a resultar: as vendas do Whopper aumentaram 20% em relação à versão anterior, revelou a empresa.
Agora, o Burguer King precisa de manter o ritmo.
A cadeia lançou uma nova "Garantia Whopper", que refaz gratuitamente o Whopper do cliente caso este não fique satisfeito. Além disso, está a focar-se numa "reformulação da função de gerente de restaurante", que, segundo a empresa, ajudará os clientes a fazerem os seus pedidos e a garantir que gostam da comida.
Byrne considera que o atendimento humano irá "dar-lhes uma vantagem" em relação aos concorrentes como o McDonald's, que incentiva os clientes a utilizar os quiosques de auto-atendimento para fazer pedidos.
A empresa informou ainda que são esperadas mais alterações no seu menu e que continuará a remodelar os seus restaurantes, dado que apenas cerca de metade das suas cerca de 6.600 lojas nos EUA se apresentam já com o novo visual.
Doyle, da RBI, disse aos analistas que a cadeia ainda não está "perto da meta", vendo "oportunidades para melhorar o menu, reforçar as operações e continuar a elevar os padrões em todo o sistema".
