Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Regresso à palmatória: este país aprovou uma medida surpreendente na nova estratégia contra o bullying

CNN , Jack Guy
7 mai, 11:46
O ministro da Educação de Singapura, Desmond Lee, é fotografado a 18 de setembro de 2025 (Gavin Foo/Singapore Press/AP)

Conhecido pelas suas leis apertadas, este pequeno e rico país acaba de fazer regressar uma medida pouco consensual

O ministro da Educação de Singapura confirmou que os professores estão autorizados a utilizar a palmatória para disciplinar os alunos indisciplinados em determinados casos.

“As nossas escolas usam a palmatória como medida disciplinar se todas as outras medidas forem insuficientes, dada a gravidade da conduta inadequada”, afirmou Desmond Lee no parlamento esta terça-feira, em resposta a perguntas sobre as novas medidas contra o bullying anunciadas a 15 de abril - incluindo uma que questionava o impacto na saúde mental de crianças de apenas nove anos que sofrem com o uso da palmatória.

“Seguem protocolos rigorosos para garantir a segurança dos alunos. Por exemplo, o uso da palmatória deve ser aprovado pelo diretor e administrado apenas por professores autorizados”, garantiu aos deputados, com a nova estrutura a ser implementada em todas as escolas de Singapura a partir de 2027.

“As escolas terão em conta fatores como a maturidade do aluno e se o uso da palmatória o ajudará a aprender com o seu erro e a compreender a gravidade do que fez”, reiterou Lee.

“As escolas têm discricionariedade para decidir se utilizam a palmatória como consequência disciplinar após avaliarem as circunstâncias da infração cometida”, acrescentou.

“Esta abordagem baseia-se em pesquisas que mostram que as crianças e os jovens aprendem a fazer melhores escolhas quando existem limites claros, reforçados por consequências firmes e significativas”, reforçou Lee, alegando que ajuda a reduzir o bullying.

As orientações, que constam no site do Ministério da Educação, especificam que apenas os alunos do sexo masculino podem ser punidos com a vara.

“O uso da vara é uma opção disciplinar apenas para os rapazes e para ofensas graves, como último recurso, quando absolutamente necessário”, refere o documento.

O castigo corporal nas escolas tornou-se cada vez mais raro em muitas partes do mundo nas últimas décadas.

No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre um quarto a metade das crianças em todo o mundo sofram castigos corporais nas escolas e apelou ao fim desta prática.

“As consequências dos castigos corporais infantis podem durar uma vida inteira e prejudicar a saúde física e mental, a educação e o funcionamento social e profissional”, afirmou a OMS num relatório publicado em agosto de 2025.

“Existem agora provas científicas esmagadoras de que os castigos corporais infantis acarretam múltiplos riscos de danos e não trazem benefícios para as crianças, os pais ou a sociedade”, pode ler-se nesse mesmo documento.

Singapura, um pequeno centro financeiro altamente desenvolvido e rico no Sudeste Asiático, é conhecido pelas suas leis rigorosas.

No final de abril, um adolescente francês foi acusado de dois crimes que poderiam levá-lo à prisão até dois anos, depois de alegadamente lamber uma palhinha de uma máquina de sumo de laranja e depois voltar a colocá-la no dispensador.

Não é a primeira vez que um adolescente estrangeiro infringe as rigorosas leis de Singapura.

Um dos casos mais notórios ocorreu em 1993, quando o norte-americano Michael Fay foi detido por posse de artigos roubados e vandalismo contra vários carros, pintando-os com spray.

Fay, que na altura tinha 18 anos, foi condenado a quatro meses de prisão e seis chicotadas, uma pena reduzida para quatro chicotadas depois de o caso ter causado comoção internacional e a intervenção do então presidente dos EUA, Bill Clinton.

Singapura aplicou a pena das chicotadas apesar da forte pressão de Washington, alegando ser importante fazer cumprir as suas próprias leis, mesmo para os estrangeiros - o que criou breves tensões nas relações entre os EUA e Singapura.

Jessie Yeung e Satish Cheney, da CNN, contribuíram para esta reportagem

Relacionados

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Ásia

Mais Ásia

Mais Lidas