Inquéritos de opinião são liderados por Rumen Radev, ex-piloto de caças eurocético e pró-Moscovo que é contra o apoio militar à Ucrânia. Outra sondagem antecipa participação eleitoral a rondar os 60%
Os búlgaros estão a ir às urnas este domingo para as oitavas eleições legislativas em cinco anos, com o claro favorito, o ex-presidente pró-Rússia Rumen Radev, a prometer erradicar a corrupção e pôr fim a uma espiral de governos fracos e de curta duração.
Radev, um ex-piloto de caça eurocético que se opõe ao apoio militar aos esforços de guerra da Ucrânia contra Moscovo, renunciou à presidência em janeiro para concorrer às eleições, que se realizam após protestos em massa terem forçado a saída do governo anterior em dezembro.
Uma campanha habilidosa nas redes sociais, fundos eleitorais abundantes e uma promessa de estabilidade impulsionaram o apoio a Radev neste país balcânico de cerca de 6,5 milhões de habitantes, onde os eleitores estão cansados de repetidas eleições antecipadas e de um pequeno grupo de políticos veteranos amplamente considerados corruptos.
"Precisamos, finalmente, de um caminho para uma Bulgária democrática e moderna", afirmou Radev este domingo após votar em Sófia. "Precisamos do nosso programa muito robusto no parlamento para apoiar os cidadãos búlgaros a saírem o mais rapidamente possível desta situação tão difícil."
Sobre as relações com Moscovo, afirmou: "Espero que desenvolvamos relações práticas com a Rússia baseadas no respeito mútuo e na igualdade de tratamento."
Vencedor terá muito trabalho pela frente
A Bulgária tem-se desenvolvido rapidamente desde a queda do comunismo em 1989 e aderiu à União Europeia em 2007. A esperança de vida aumentou significativamente, o desemprego é o mais baixo da UE e a economia conta com maiores salvaguardas desde a adesão à zona do euro em janeiro deste ano.
No entanto, a Bulgária fica atrás de outros países da UE em muitos indicadores, e a corrupção continua a ser endémica, inclusive nas eleições, onde a compra de votos é prática comum.
O custo de vida tornou-se uma questão particularmente premente desde que a Bulgária, membro da NATO, adotou o euro. O governo anterior caiu perante protestos contra um novo orçamento que propunha aumentos de impostos e contribuições mais elevadas para a Segurança Social.
Isso e a recente crise política parecem ser tão importantes para os eleitores quanto os apelos de Radev para melhorar as relações com Moscovo ou retomar o fornecimento de petróleo e gás russo à Europa.
"Os políticos precisam de se unir e tomar decisões — em vez de estarem constantemente em conflito e a discutir, passando de uma eleição para outra sem concretizar nada", diz Bogomil Bardarski, um metalúrgico de 72 anos que votou na capital, Sófia.
Partido de Radev lidera as sondagens
Sondagens divulgadas na sexta-feira mostram que o partido de Radev, a Bulgária Progressista, assegura cerca de 35% dos votos, um aumento em relação ao mês anterior. Se confirmado, isso representaria um dos melhores resultados de um único partido em anos, embora ainda aquém da maioria parlamentar.
As urnas fecham às 20h00, hora local (18h00 em Portugal continental). Esperam-se sondagens à saída das urnas assim que a votação terminar e os resultados preliminares poderão ser conhecidos ainda este domingo ou na segunda-feira de manhã.
O interesse dos eleitores está em alta. Uma sondagem da Alpha Research, com sede em Sófia, prevê uma afluência às urnas de cerca de 60%, quase o dobro dos 34% registados em junho de 2024.
Os números revelam a frustração com o longo domínio do partido GERB, liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que ocupa o segundo lugar na corrida, com cerca de 18%, e do Movimento pelos Direitos e Liberdades, cujo líder, Delyan Peevski, está sujeito a sanções dos EUA e do Reino Unido por corrupção.
Um possível parceiro de coligação é a coligação pró-europeia "Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática" (PP-DB), que também defende a necessidade de reformas.
Os críticos afirmam que Radev tem alguma responsabilidade pelas decisões controversas tomadas pelos governos interinos que nomeou durante a sua presidência desde 2016. Estas incluem um acordo de gás de 2023 entre a empresa estatal turca de gás Botas e a búlgara Bulgargaz, que resultou em prejuízos e numa investigação.
"O Estado está basicamente a desmoronar-se", diz o especialista em Tecnologias de Informação Evgeniy Shoh, de 50 anos, que votou em Sófia.