Associação das Agências de Viagens e Turismo: aprovação do plano da TAP é "boa notícia, mas nada está conseguido"

Agência Lusa , JGR
28 dez 2021, 10:33
Tap super manchete 2
Tap super manchete 2

A APAVT destaca a importância da companhia de aviação para o turismo e "para a economia portuguesa"

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A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) viu com satisfação o aval de Bruxelas à reestruturação da TAP, pois lembra que o país "precisa" da companhia, ressalvando que "nada está conseguido", pois falta agora "trilhar caminho".

"Foi uma boa notícia. É uma notícia que dá tempo à TAP e a TAP precisa de tempo para trilhar um caminho e para definir um rumo e o país precisa da TAP", disse o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, à Lusa, lembrando que é conhecida esta posição da associação, atualmente e, "em certa medida, fora de moda, difícil de sustentar, pouco sexy".

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Mas, sustenta, a APAVT "sabe bem o que é que representa o turismo para a economia portuguesa", para o crescimento e "o que é necessário para a economia portuguesa crescer".

"Sei também muito bem qual é a necessidade e a dependência que o turismo tem da própria TAP", reforçou.

A Comissão Europeia informou na semana passada que aprovou o plano de reestruturação da TAP e a ajuda estatal de 2.550 milhões de euros, impondo que a companhia aérea disponibilize até 18 'slots' por dia no aeroporto de Lisboa.

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Ainda assim, Pedro Costa Ferreira diz que "nada está conseguido, nada está realizado", mas que "a notícia foi boa", pois permite que "os dirigentes da TAP, os trabalhadores da TAP e os 'stakeholders' [partes envolvidas] do turismo em geral possam trabalhar em conjunto para mudar a norma, para colocar a TAP, uma vez mais, ao serviço da economia portuguesa e, para uma vez, colocar também a TAP no trilho dos resultados positivos".

Afastado o perigo de uma TAPzinha

O responsável acrescentou que a "boa notícia", para além de o ser, "sobretudo para a TAP, para o turismo português e para a economia nacional", é também, "porque não é despiciente", "para os trabalhadores que estão na TAP, que são um número significativo".

Já sobre se concorda com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que o aval de Bruxelas, nomeadamente a autorização da Comissão Europeia para que a frota da TAP possa chegar aos 99 aviões até ao fim do plano de reestruturação, mostra que a companhia não vai ser "TAPzinha", Pedro Costa Ferreira afirma: "Estou de acordo que foram lhe dados os instrumentos para não ser uma 'TAPzinha', falta-lhe ter êxito".

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Pedro Costa Ferreira diz "que melhor era quase impossível". Melhor mesmo, acrescenta, "é a TAP agora pegar nesta notícia e transformá-la em resultados positivos e num caminho de longo prazo e que seja coerente e que seja sólido".

Em 21 de dezembro, o ministro disse que os 99 aviões foi o valor que o Governo propôs na proposta inicial do plano de reestruturação.

"Ao contrário do que se possa pensar, em Portugal não vai dar uma 'TAPzinha'. O ponto a ponto em Lisboa é sustentado pelo 'hub' [plataforma de distribuição de voos entre aeroportos]. Quando se diz que a TAP não serve o turismo, porque o Algarve não tem TAP cometem-se dois erros grosseiros: o primeiro, muito grosseiro, é achar que o turismo em Portugal 'hoje por hoje' é o Algarve. O Algarve é um excelente destino turístico, mas o turismo em Portugal é muito mais do que o Algarve e, sobretudo, o crescimento futuro do turismo em Portugal passa por muitos sítios e muito pouco pelo Algarve onde as taxas de ocupação estão muito próximas dos 100% na época alta. E, portanto, o facto de o Algarve não ter TAP não tem nada a ver com o facto de a TAP não servir o turismo em Portugal. Este é o primeiro ponto", sublinhou o responsável.

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Já o segundo ponto para a APAVT é que "o que existe em termos de posição da TAP no Algarve é exatamente o seria a posição da TAP em Lisboa" se não houvesse um 'hub'.

"A TAP não está no Algarve porque não queira estar no Algarve. A TAP não está no Algarve porque como não tem o 'hub' no Algarve não consegue competir no ponto a ponto com as 'low cost' [companhias de baixo custo], coisa que consegue em Lisboa. Portanto, o que teríamos era um abandono total das rotas de longo curso, em nosso entendimento, e com isso o que sofreria era o interior do país, era o Alentejo, era o centro de Portugal, era o Douro, eram as estadias mais longas, eram os mercados turísticos mais ricos e com maior capacidade de gasto turístico", concluiu.

O plano aprovado estabelece ainda "um pacote de medidas para racionalizar as operações da TAP e reduzir os custos", nomeadamente a divisão de atividades entre, por um lado, as da TAP Air Portugal e da Portugália (que serão apoiadas e reestruturadas), e por outro a alienação de "ativos não essenciais" como filiais em atividades adjacentes de manutenção (no Brasil) e restauração e assistência em terra (que é prestada pela Groundforce)".

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O Governo entregou à Comissão Europeia, há um ano, o plano de reestruturação da TAP, tendo, entretanto, implementado medidas como a redução de trabalhadores.

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