O médio que foi dispensado do FC Porto e treinou com o adjunto de Klopp

18 out 2024, 09:00
Bruno Xadas ao serviço do Tianjin Jinmen Tiger
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O Maisfutebol conversou com Bruno Xadas sobre toda a carreira do médio português, da formação no Milheiroense aos palcos da primeira divisão chinesa

De Milheirós de Poiares para a China! O Maisfutebol esteve à conversa com Bruno Xadas, médio português que se aventura por estes dias no futebol chinês.

Atualmente com a camisola do Tianjin Jinmen Tiger (antigo Tianjin Teda), Bruno Xadas fez parte da formação no FC Porto, ao lado de vários jovens que também deram futebolistas. Ao fim de dois anos, porém, acabou por ser dispensado e teve de dar um novo passo na carreira.

Em entrevista ao Maisfutebol falou sobre a dispensa da formação do FC Porto, ser treinado pelo adjunto de Jürgen Klopp e como foi ultrapassar o «não» dos dragões.

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Maisfutebol - Como é que o futebol entrou na sua vida?

Bruno Xadas - O meu pai sempre gostou muito de futebol e jogava em Santa Maria da Feira. Como toda a família da parte do meu pai era ligada ao futebol, a minha paixão e o bichinho nasceram um bocadinho por aí. Comecei muito cedo e sempre quis ser futebolista. O Milheiroense era perto de onde vivíamos, e os meus pais continuam a viver, portanto, foi o clube onde tudo começou

«Bruno Alexandre Vieira Almeida» é o seu nome completo. De onde surge a alcunha Xadas? Do seu avô?

Sim, vem do meu falecido avô e ficou assim. No início era Xaditos, por eu ser mais novo, e agora é Xadas. Eu, o meu pai e o meu irmão, todos somos Xadas. 

Mas há alguma razão específica para ser «Xadas»?

Não sei dizer o porquê. Nunca me chegou aos ouvidos (risos).

Na formação começou no Milheiroense e depois seguiu para o FC Porto, onde acabou por ser dispensado no final de 2009/2010. Como é que um jovem de 12 anos lidou com essa desilusão?

Foi muito complicado. Depois de estar no FC Porto e já com alguma noção que queria ser jogador de futebol, ouvir que não somos bons o suficiente para estar ali, que temos de ir embora, procurar um novo clube e descer um pouco no patamar... foi uma notícia muito triste. 

E depois? 

Passei alguns dias mal, mas faz parte do crescimento. Não podemos jogar todos no FC Porto ou no Benfica. É triste. Fui dispensado com 12 anos e parece que morreu ali o sonho de querer ser jogador de futebol. Já não estava no FC Porto, Fui então para a AD Sanjoanense, um clube naturalmente de menor dimensão, mas que também é um grande clube. E vim para mais perto de casa.

A viver em Milheirós de Poiares e a treinar no Porto, tinha de fazer uma viagem de carro de 40 minutos. Como fazia? Vivia na Casa do Dragão ou fazia a viagem todos os dias?

Não. Não nasci num berço de ouro, os meus pais, infelizmente, tinham uma vida muito humilde, trabalhavam bastante, deram-me tudo o que podiam dar. Estes dois anos no Porto foram muito dispendiosos. Eu tinha mais colegas que viviam na zona, como era o caso do Bruno Costa, Eduardo Pinheiro, Paulo Alves, que agora está no Leixões, Zé Pedro, que esteve a época passada na Oliveirense. Os nossos pais foram-se dando bem e no primeiro ano iam-se revezando. Um pai ia levar e o outro buscar. Como eram cinco pais era um encargo menor. 

E no segundo ano? 

Cada um dos pais tinha o seu trabalho e a sua vida, então optaram por alugar um táxi. Um senhor que nos levava todos os dias, esperava por nós e trazia-nos. Cada pai pagava uma mensalidade ao táxi. Foram dois anos muito dispendiosos a nível financeiro, mas enriquecedores a nível de formação, como pessoa e como jogador. Fico triste porque acabou.

Entre vários jogadores, quem era o craque na altura? 

Paulo Alves, o médio que agora está no Leixões. Sempre o admirei muito e agora é muito bom jogador. Gosto muito dele como jogador e como pessoa. Damo-nos bem, mas não temos uma relação profunda de amizade, porque os caminhos foram distintos. Mas para mim ainda é um craque! É muito bom com a bola e cresceu muito sem bola. Joguei contra ele o ano passado, mas nessa altura era mesmo demais. 

Paulo Alves, que agora está no Leixões, era o craque daquela equipa na formação do FC Porto. Nessa altura ele era mesmo demais

Nos tempos do FC Porto foi treinado por Pepijn Lijnders, que saiu da formação dos dragões e rumou ao Liverpool. Na época seguinte, 2015/16, tornou-se treinador adjunto de Jürgen Klopp. Como foi a experiência de ser treinado por ele?

Um treinador muito bom! Muito bom! Nós no FC Porto éramos muito melhores do que os outros do campeonato da zona norte. Ele trabalhava muito a parte técnica e individual. Obrigava-nos sempre a andar com uma bolinha de ténis, a dar toques, a puxar a bola para trás e para a frente, a controlar, a dar toques, fazer Ronaldos e fazer roletas com essa bolinha pequenina.

Porquê?

Para aprimorarmos a nossa técnica e depois, quando chegássemos ao relvado, e com uma bola maior, mais espaço e mais tempo para pensar, as coisas seriam mais naturais. Agora está no Salzburgo. Era muito jovem quando eu o apanhei. Ainda é, mas como treinador acho que tem um futuro muito promissor e muito bom pela frente.

Voltaram a falar?

Nunca mais nos cruzámos ou jogámos um contra o outro. Talvez ele também nem se lembre de mim, nós éramos muitos miúdos, mas claro que marcou o tempo em que estive no FC Porto. 

Saindo do FC Porto, a paragem seguinte foi a Sanjoanense. Porquê? Por ser perto de casa?

Sim, mas também por ser um clube que tinha todas as equipas nos campeonatos nacionais. Queria jogar o campeonato nacional para ser visível e ter mais condições para evoluir. Como referi anteriormente, no FC Porto foram dois anos muito dispendiosos financeiramente para mim e para os meus pais. Optámos por ir para a Sanjoanense. Eu também estudava na zona de São João da Madeira e estava tudo mais perto, o treino era muito mais prático e mais fácil.

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