Ministério dos Negócios Estrangeiros diz não ter "qualquer informação sobre o desaparecimento". Família recebeu um documento oficial que "atesta o desaparecimento e a impossibilidade de realizar buscas"
Bruno Rafael, 27 anos, está desaparecido há seis meses, depois de ter sido convocado para uma missão de alto risco na Ucrânia.
Em outubro do ano passado, Bruno Rafael, que foi impedido de seguir a carreira militar por ter asma, comunicou à família que iria juntar-se à Legião Internacional e combater pela Ucrânia. “Foi um choque. Tentámos demovê-lo, mas não havia como”, conta a irmã, em declarações à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal).
"Disseram-me e continuam a dizer: ‘Se fosse meu filho eu não o deixava ir.' Não podemos impedir quando o filho quer ir", lamenta a mãe.
Meses depois, na véspera de Natal, foi convocado para uma missão de 13 dias, que, segundo a família, era de alto risco, e que consistia em resgatar um grupo de ucranianos que estavam feridos. Nessa missão, ficaria incontactável e, por isso, deixou à irmã o número do comandante do pelotão.
"Esse senhor, a dia 5 de janeiro, quando fazia precisamente os 13 dias, disse-me que estava tudo bem com ele. Dia 8, voltei a entrar em contacto com ele e nunca mais tive nenhuma resposta", conta a irmã de Bruno Rafael.
Sem saber nada do irmão, tentou ter informações dele através das redes sociais, onde teve acesso a uma conversa entre os colegas do pelotão, que dava conta de um acidente na cidade de Toretsk, na região de Donetsk, no dia 8 de janeiro. "Tinha sido num prédio, que tinha sido bombardeado, que tinha sido negada ajuda ao meu irmão e aos colegas", revela a irmã.
Desesperada, a família pediu ajuda ao ministério português dos Negócios Estrangeiros, que disse não ter "qualquer informação sobre o desaparecimento".
"Eles abandonaram-nos quando nós pedimos apoio, auxílio, socorro", lamenta a mãe de Bruno Rafael.
A família tentou também obter informações junto das embaixadas portuguesas na Ucrânia e na Rússia, sem sucesso.
A 29 de janeiro, a família recebeu uma visita do representante do Memorial para os Estrangeiros na Legião para entregar alguns pertences do Bruno. "Ele trouxe duas bandeiras, uma da Ucrânia e uma portuguesa, assinada pelos colegas, os documentos do meu irmão e uma declaração em que consta que o meu irmão se voluntariou junto da Legião. Ele deu-nos esperança. Disse-nos que na melhor das hipóteses o meu irmão estaria como prisioneiro de guerra", conta a irmã.
Sem apoio do Estado português, a família resolveu contratar um advogado, que entrou em contacto com a Legião Internacional para a Defesa da Ucrânia. "[O advogado] conseguiu um documento oficial, carimbado pela unidade onde o meu irmão se encontrava, em que atesta o desaparecimento e a impossibilidade de realizar buscas no local".
Passaram-se seis meses, e esta família ainda não sabe do paradeiro de Bruno Rafael. "Não é bom para uma mãe saber que o filho pode estar morto ou vivo. Sem sabermos, ficamos angustiados", lamenta a mãe.
Contactámos o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que disse ainda estar a tentar inteirar-se da situação.