O triângulo, os testas de ferro, a PT. O que se sabe até agora da megaoperação que visa Alexandre Pinto da Costa

Bárbara Cruz , Henrique Machado/ Beatriz Madaleno de Assunção
22 nov, 17:17

Ministério Público e Polícia de Segurança Pública fizeram buscas na SAD do FC Porto, a dirigentes portistas e a empresários próximos do clube

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Alexandre Pinto da Costa é o principal visado da megaoperação que decorreu esta segunda-feira na SAD do FC Porto, em casa do filho do presidente do clube e também no domicílio do próprio presidente portista. A investigação é coordenada pelo procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e pelo inspetor tributário Paulo silva, com elementos da Autoridade Tributária apoiados pela PSP.

O Ministério Público já avançou que está a investigar o pagamento de comissões superiores a 20 milhões de euros relacionados com a transferências de futebolistas após ter efetuado, numa operação conjunta com a PSP, 33 buscas em Lisboa e no Porto.

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Foram efetuadas buscas na SAD do FC Porto, assim como nas residências de Bruno Macedo e Pedro Pinho e nas instalações do Banco Carregosa, entidade bancária exclusiva de gestão de fortunas. 

A TVI apurou que Alexandre Pinto da Costa, o filho mais velho de Jorge Nuno Pinto da Costa, é suspeito de receber "luvas" milionárias, ou seja, verbas não declaradas ao fisco, não apenas por transferências de jogadores mas também em virtude de comissões resultantes do negócio de 500 milhões de euros da venda dos direitos de transmissão televisivos do FC Porto à então Portugal Telecom, atual Altice. 

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Em julho deste ano, a TVI tinha já revelado que o Ministério Público estava a investigar o negócio com data de 2016: a suspeita teve origem num pagamento de 20 milhões de euros à empresa que mediou a operação, a BM Consulting, do empresário Bruno Macedo. E Bruno Macedo, um advogado natural de Braga, é o mesmo que foi detido na operação Cartão Vermelho, que culminou com a detenção do então presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

Macedo, suspeito de ser testa de ferro de Vieira, tem ainda ligação conhecida a Pedro Pinho, o empresário que foi filmado a agredir um repórter de imagem da TVI após um jogo dos Dragões em Moreira de Cónegos. Na altura, recorde-se, o FC Porto veio dizer que não tinha qualquer ligação a Pedro Pinho.

O presidente Pinto da Costa quis também deixar claro que este senhor, Pedro Pinho, não só não pertence ao FC Porto, como não integrava a comitiva do FC Porto. Não viajou com o clube e não esteve a assistir ao jogo a convite do clube", disse então o diretor de informação da TVI, Anselmo Crespo, que foi contactado pelo presidente do FC Porto. Pinto da Costa quis condenar a agressão ao jornalista, demarcando-se institucionalmente do empresário.

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Mas é precisamente este triângulo que está na mira das autoridades: a relação entre Alexandre Pinto da Costa e os empresários Bruno Macedo e Pedro Pinho, com quem o primeiro mantém relações de sociedade. Os empresários são considerados testas de ferro do filho do presidente do FC Porto e é através dos negócios destes que Alexandre Pinto da Costa receberá alegadamente comissões de negócios ligados ao clube portista. Sublinhe-se que Alexandre Pinto da Costa não tem quaisquer negócios formais com o FC Porto.

Os milhões da PT e transferência de Militão

Do negócio da PT, terão saído comissões na ordem dos 20 milhões de euros. A investigação acredita que, desses 20 milhões, 2,5 milhões acabaram na mão de Alexandre Pinto da Costa, através de Pedro Pinho e da sua ligação a Bruno Macedo. 

A razão para a entrega deste montante a Alexandre Pinto da Costa, segundo o procurador Rosário Teixeira, está relacionada com o facto de ser este o facilitador do negócio com a operadora, que à data era presidida por Paulo Neves. Em causa, estava a venda dos direitos de transmissão do FC Porto até 2027.

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No que diz respeito às transferências de jogadores, sob investigação do Ministério Público estará a de Éder Militão do FC Porto para o Real Madrid. 

Militão assinou um contrato de cinco épocas com o FC Porto em julho de 2018, com o custo de 8,5 milhões de euros (sete milhões pelo passe e cerca de 1,5 milhões de encargos adicionais) por 90% dos direitos económicos do jogador. No ano seguinte, o defesa-central foi vendido ao Real Madrid por 50 milhões de euros, gerando uma mais-valia de 28.437.285 euros, segundo o relatório e contas da SAD do FC Porto.

No entanto, a mais-valia potencial do negócio para os dragões seria de 38 milhões, aproximadamente, pelo que dez milhões terão sido pagos à BM Consulting, a empresa de Bruno Macedo. A própria compra do jogador pelo FC Porto estará a ser investigada, tendo estado o empresário Pedro Pinho envolvido no processo. O FC Porto refutou quaisquer irregularidades.

Bruno Macedo no centro

As suspeitas das autoridades determinaram que várias pessoas tenham estado sob escuta durante meses, inclusivamente o próprio Pinto da Costa, presidente do FC Porto. O sigilo bancário dos vários intervenientes sob suspeita também foi levantado e há forte possibilidade de haver detenções na sequência das buscas realizadas esta segunda-feira.

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A TVI sabe que estas suspeitas já duram há vários anos, estando a megaoperação que agora decorre ligada, naturalmente, à operação Cartão Vermelho, sendo Bruno Macedo o elemento de ligação entre ambos os processos. 

FC Porto reage à investigação

A SAD do FC Porto confirmou através de comunicado que as suas instalações foram alvo de investigação.

"A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD [...] vem informar o mercado que foi alvo de um mandado de busca, ao longo do dia de hoje, nas suas instalações, por suspeitas das entidades judiciais de crimes de abuso de confiança, fraude fiscal e branqueamento de capitais que tiveram a sua génese em movimentos financeiros relativos a transferências de jogadores de futebol", lê-se.

A entidade desportiva garantiu ainda ao longo do documento que "colaborou com a equipa de investigadores, cujo trabalho visou a apreensão de documentos que pudessem interessar à investigação".

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