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Comentadora CNN

Os ex-presidiários

12 jan, 10:43

O que era pra ser um golpe, virou um mutirão de prisões em Brasília e a exposição da violência bolsonarista para o mudo

Se o objetivo dos criminosos que invadiram os Três Poderes em Brasília era um golpe de estado, o plano saiu bem errado. Os prejuízos materiais foram milionários, policiais ficaram feridos, a imagem da democracia foi manchada pela extrema-direita. Além disso, a violência bolsonarista foi exposta para o mundo. Mas golpe, não teve. Continuamos uma república democrática.

Passados quatro dias depois de um domingo de terror, o Brasil está em pé. É claro que algumas áreas do governo ficam com mais trabalho e passam a ter como prioridade o controle da situação, como o Ministério da Justiça, mas o governo continua trabalhando normalmente. Senadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo com seus locais de trabalho vandalizados, também mantêm seus deveres.

Uma dessas reuniões após o trágico 8 de janeiro, foi do presidente com todos os governadores do país, de petistas a bolsonaristas. Depois, de mãos dadas, passaram pelo palco dos atos terroristas, em mais um gesto simbólico que fica pra história. O grupo mostrou estar disposto a defender a ordem democrática no país, deixando de lado ideologias ou questões políticas, 

A resposta das autoridades brasileiras diante dos ataques golpistas foi a altura,
um exemplo de coragem diante de um grupo de criminosos. O presidente eleito, odiado pelos extremistas, amado por uns e apenas tolerado por outros, se firma como um figura de união, mas sem deixar de ser firme, como a situação exige. 

Apesar da presença da extrema-direita na sociedade brasileira deixar claro os riscos que a democracia do país corre, as ações das autoridades depois de domingo dão esperança que a soberania do Brasil está acima de um bando de criminosos.

“Ex-presidiários” 

Como sempre, a surreal história brasileira é cheia de ironias. Um dos muitos apelidos utilizados por bolsonaristas para falar de Lula é “ex-presidiário”. Alegam que alguém que já esteve preso não pode ter uma vida política e ser eleito. 

Agora, o Brasil tem, pelo menos, mais mil presidiários, entre homens e mulheres, que no mundo de devaneios que vivem, pensavam que nada aconteceria após todos os crimes de domingo. Foram tão estúpidos que produziram muitas provas contra si mesmos.

Agora, estão presos, reclamando das condições dos presídios. Como bem disse o ministro Alexandre de Moraes, prisão “não é colônia de férias”. Como é o normal, estão inventando fake news, como a de que uma idosa morreu sob custódia. Usaram uma foto tão fake que em dois segundos no Google dá pra desmontar a farsa.

E ah, não pára em pé a tese de que eram “infiltrados da esquerda”, porque as provas demonstram totalmente o contrário. Não adianta tentar fugir, agora, literalmente. Fugir da cadeia deve ser um pouco difícil. 

Quando forem libertados, para depois responderem os processos, terão o título de ex-presidiários. O Brasil é difícil de explicar, mas algumas ironias do destino são deliciosas.

* Amanda Lima escreve a sua opinião em Português do Brasil

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