Apoiantes de Bolsonaro roubaram armas do palácio presidencial em Brasília. Mais de 300 detidos após invasão

Agência Lusa , BC
9 jan, 06:28

Lula da Silva garantiu que vai retomar esta segunda-feira os trabalhos no Palácio do Planalto, mesmo após a invasão de bolsonaristas das sedes dos três poderes do Brasil

Um ministro e um deputado brasileiros denunciaram que apoiantes do ex-Presidente Jair Bolsonaro roubaram armas de fogo, guardadas no palácio presidencial em Brasília, aquando da invasão, no domingo, das sedes dos três poderes do país.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência brasileira, Paulo Pimenta, mostrou dois estojos de armas de fogo vazios, em cima de um sofá parcialmente queimado no Palácio do Planalto, de acordo com um vídeo e fotografias divulgadas na rede social Twitter.

 

O deputado Wadih Damous, que acompanhou Paulo Pimenta, sublinhou que os assaltantes “tinham informações” sobre o que estava guardado no Gabinete de Segurança Institucional da presidência, uma vez que levaram armas, munições e documentos.

Apesar dos danos causados, o Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu que vai retomar esta segunda-feira os trabalhos no Palácio do Planalto, numa mensagem divulgada no domingo no Twitter.

 

"Os golpistas que promoveram a destruição do património público em Brasília estão sendo identificados e serão punidos (...). Democracia sempre", salientou.

Lula da Silva deslocou-se no domingo à noite à sede do executivo brasileiro para conferir os estragos provocados no local, indicou o canal de televisão TV Globo.

O chefe de Estado brasileiro foi ainda recebido pela presidente do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, na sede do tribunal.

Durante o dia de domingo, Lula da Silva ausentou-se de Brasília para realizar uma visita oficial à cidade de Araraquara, no interior do estado de São Paulo, em solidariedade com a população afetada por fortes chuvas que caíram na região.

Sobe para 300 número de detenções

Pelo menos 300 simpatizantes do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foram entretanto detidos por invadir e destruir as sedes do Congresso, da Presidência e do Supremo Tribunal Federal.

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, a Polícia Civil de Brasília informou que já havia “300 presos. As investigações seguem até que o último integrante seja identificado”.

 

Horas antes, o ministro da Justiça do Brasil, Flávio Dino, tinha alertado que o número de detidos devido à suposta tentativa de golpe contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia aumentar nas próximas horas.

O ministro também informou que apreenderam 40 autocarros que chegaram à capital brasileira nas últimas horas com centenas de apoiantes de Bolsonaro, que invadiram a região central de Brasília onde realizaram atos violentos.

Dino acrescentou que as autoridades irão trabalhar para identificar os financiadores dos atos que possibilitaram viagens de simpatizantes do antigo presidente brasileiro, que saíram de diferentes partes do país.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, tinha escrito no Twitter que havia mais de 400 detidos. "Venho informar que mais de 400 pessoas já foram presas e pagarão pelos crimes cometidos. Continuamos trabalhando para identificar todas as outras que participaram desses atos terroristas na tarde de hoje no Distrito Federal. Seguimos trabalhando para que a ordem se restabeleça", lê-se na publicação. 

 

Ibaneis Rocha foi entretanto afastado do cargo por 90 dias pelo juiz Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão público que representa o Governo Federal brasileiro em tribunais, e do senador e líder do Governo brasileiro no Congresso, Randolfe Rodrigues.

Na decisão, Moraes avaliou que Ibaneis Rocha e Anderson Torres, ex-secretário de Segurança do Distrito Federal que foi ministro da Justiça até quase ao fim do Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, terão atuado com negligência e omissão. 

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