O presidente que "teme ser preso" e o "bandido que não tem um dedo": as frases polémicas trocadas entre Lula da Silva e Bolsonaro

Beatriz Céu , BCE
15 mai, 18:00

De "psicopata" a "genocida", e de "criminoso" a "bandido que não tem um dedo", Lula da Silva e Jair Bolsonaro não têm poupado nas críticas dirigidas um contra o outro

A cinco meses das eleições presidenciais do Brasil, que se realizam em outubro, Jair Bolsonaro e Lula da Silva, considerados já os principais rivais da corrida à presidência, intensificam as críticas de parte a parte. Apesar de a campanha pré-eleitoral ainda não ter começado oficialmente, até porque, para já, ainda só há pré-candidatos à presidência, tanto o atual chefe de Estado como o antigo presidente não poupam nas acusações e críticas, salientando ainda mais as diferenças entre ambos na arena política.

De "psicopata" a "genocida", de "criminoso" a "bandido que não tem um dedo", as ofensas vão-se avolumando ao longo dos meses, e a a lista já vai longa. Confira abaixo as críticas que já marcaram o discurso dos dois principais pré-candidatos às eleições presidenciais do Brasil:

Bolsonaro “teme ser preso”, é "psicopata" e "genocida"

Este fim de semana, o ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, argumentou que Jair Bolsonaro tem vindo a criticar o sistema eleitoral por temer ser preso. Dirigindo-se ao atual chefe de Estado, num discurso perante milhares em Belo Horizonte, Lula da Silva atirou: “Bolsonaro, os seus dias estão contados. Não adianta desconfiar de urna [referindo-se ao voto eletrónico]. O que você na verdade tem medo é de perder a eleição e ser preso depois”. 

Lula da Silva prosseguiu o discurso sem mencionar quais os crimes que poderiam culminar na detenção de Bolsonaro. As declarações do antigo presidente surgem na sequência da contratação anunciada por Bolsonaro de uma empresa para fazer auditoria nas eleições presidenciais. Esta empresa lançou dúvidas sobre o a segurança do voto eletrónico e está a gerar polémica no país.

Em janeiro passado, Lula da Silva chamou "psicopata" a Jair Bolsonaro, comparando-o a Jim Jones, antigo fundador e líder de uma seita suicida norte-americana, por insistir numa política negacionista enquanto o país enfrentava repetidas vagas da pandemia de covid-19.

"Bolsonaro continua tratando a covid-19 com descaso. Só um psicopata como Jim Jones seria capaz de repetir as insanidades de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia", escreveu na rede social Twitter o líder esquerdista, a quem todas as sondagens apontam como favorito à vitória nas eleições presidenciais de outubro deste ano.

Já em agosto do ano passado Lula da Silva criticava a gestão da pandemia de covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro, defendendo que o Brasil “não merece ser governado por um genocida”. “A humilhação que o Brasil está a sofrer perante o mundo não é possível”, afirmou o antigo presidente, em São Paulo, durante a apresentação de um livro sobre os seus processos judiciais.

Lula, o “criminoso” e "bandido que não tem um dedo"

Por sua vez, em janeiro passado, Bolsonaro defendeu que uma eventual vitória de Lula da Silva nestas eleições significaria “reconduzir o criminoso à cena do crime”. “Querem reconduzir à cena do crime o criminoso, juntamente com Geraldo Alckmin? É isso que queremos para o nosso Brasil?”, questionou Bolsonaro, durante um discurso no Palácio do Planalto. 

O chefe de Estado criticava assim as notícias que apontavam Geraldo Alckmin como vice-presidente de Lula da Silva caso fosse eleito presidente - facto que se veio a confirmar no sábado passado, dia 7 de maio, quando o antigo presidente do Brasil anunciou a sua pré-candidatura à presidência.

Também no início do ano, o presidente Jair Bolsonaro fez referência à morte de Celso Daniel, alto dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT), para criticar Lula da Silva, a quem o presidente brasileiro se refere como “nove dedos”. Lula da Silva cortou um dedo em 1964, quando tinha 18 anos, num acidente de trabalho numa metalúrgica.

“Celso Daniel ia atrapalhar a eleição do ‘nove dedos’ lá em 2002 porque sabia de um esquema de corrupção, acabou sequestrado, torturado e executado”, disse Bolsonaro, a 20 de janeiro passado, referindo-se assim ao antigo dirigente do PT, cujo assassinato, em 2002, está envolto em teorias da conspiração contra Lula da Silva.

Em maio do ano passado, Jair Bolsonaro já utilizava o facto de Lula da Silva só ter nove dedos para criticar o seu principal adversário, descrevendo-o como um “bandido que não tem um dedo”.

“Um bandido que não tem um dedo falou há pouco que ia dar auxílio emergencial de 600 reais para todo mundo. Por que não fez lá atrás para todo mundo pelo Bolsa Família? Estamos trabalhando para que suba o valor médio do Bolsa Família, porque sabemos que houve inflação, que aumentou o preço de muitas coisas”, explicou Bolsonaro, referindo-se ao programa Bolsa Família, instituído pelo governo de Lula da Silva em 2003 e que consiste na ajuda financeira às famílias mais pobres do país.

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