Bolsonaro despede presidente da Petrobras que se recusou a vender gasóleo mais barato

24 mai, 14:40
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

Presidente faz uma “degola” geral na administração. Empresa tinha-se recusado a vender combustíveis mais baratos aos brasileiros. Bolsonaro chegou a dizer que os lucros da Petrobras eram um “estupro”

Jair Bolsonaro demitiu esta segunda-feira o presidente da Petrobrás, depois de insinuar que a petrolífera estatal gigante do Brasil agia de forma coordenada para prejudicar o governo. Tanto que a razia não se limitará a José Mauro Coelho, que assumiu a liderança da empresa há apenas cerca de mês e meio: todos os administradores, que também tomaram posse na mesma altura, em abril, deverão abandonar os lugares que mal chegaram a aquecer. É uma “degola geral na Petrobras”, como lhe chama a revista Veja.

Este é o desfecho de um curto mas turbulento mandato, moldado por polémicas em torno dos preços dos combustíveis: ao contrário das pretensões do governo – e especificamente do seu Presidente -, a Petrobras recusou-se a vender combustíveis com desconto, argumentando que isso levaria a cenários de escassez de gasóleo, questão que está em cima da mesa no Brasil.

Já este ano, Bolsonaro também demitira o ministro da Energia, num contexto semelhante.

“A Bolívia cortou 30% do nosso gás para entrega-lo à Argentina. Como agiu a Petrobras nessa questão também? Parece que é tudo orquestrado. O gás, se tiver de comprar de outro local, é cinco vezes mais...”, afirmou Bolsonaro, reciclando críticas à gestão da empresa.

Já no início deste mês, a 5 de maio, o Presidente do Brasil apelou diretamente à Petrobras para que não aumentasse o preço do gasóleo: “É um apelo que eu faço pelo Brasil, para que o Brasil não quebre”, afirmou, citado pela CNN Brasil, pedindo aos administradores que ajudassem o país.

Jair Bolsonaro criticou duramente a companhia, qualificando os seus lucros como sendo um “estupro”. Bolsonaro acrescentou que a empresa “não pode mais aumentar o preço dos combustíveis, isso é um crime”. E acabou a criticar salários praticados na empresa: “As pessoas da Petrobras ganham 200 mil reais, esse povo não está preocupado com o preço dos combustíveis“.

Bolsonaro garantia nessa altura que iria interferir na empresa, “nem tenho como interferir”. Mas tinha. E teve. E interferiu: “degolou” a administração da empresa.

O governo federal já apontou o novo nome para liderar a empresa. Trata-se de Caio Mário Paes de Andrade, que sairá assim da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia.

Agora, espera-se que o governo tenha caminho aberto para avançar com uma proposta para criar um mecanismo que impede repassar o aumento dos custos dos produtos refinados para o preço final dos combustíveis durante três meses.

 

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