Vítor Pereira: «Vim porque me senti identificado com o Corinthians»

4 mar, 16:54
Vítor Pereira

Técnico português diz que já tinha tido muitos convites do futebol brasileiro, mas sempre se focou mais no futebol inglês

Descontraído e sem papas na língua, Vítor Pereira foi esta sexta-feira apresentado como novo treinador do Corinthians, do Brasil.

Em conferência de imprensa, o técnico português, entre outras coisas, confessou que já tinha tido alguns convites para treinador no futebol brasileiro.

«Fui convidado muitas vezes para vir para o Brasil. Disse sempre que não porque sempre me foquei em Inglaterra. Já estive para ir para o futebol inglês, inclusivamente com contratos definidos, mas não fui. Estava focado no futebol inglês porque, hoje em dia, tem o campeonato mais competitivo do mundo. (...) Tinha sempre dúvidas em vir para o Brasil porque há alguma falta de consistência, os projetos duram dois, três meses», argumentou, citado pelo Globoesporte.

«Para deixar a família tinha de ser um projeto no qual eu sentisse a segurança nas pessoas e no qual me identificasse nos valores e na paixão dos adeptos. (...) Vim porque me senti identificado com as pessoas do clube e com a paixão dos adeptos, preciso disso para estar ao meu melhor nível», prosseguiu.

O antigo treinador do FC Porto falou também um bocado da sua forma de estar não só no futebol como também na vida: «Sou uma pessoa de relacionamento fácil. Sou de origens humildes, acessível, e gosto da minha privacidade. Tenho muito trabalho para fazer, por isso não é por falta de educação que me isolo. Sou obcecado por futebol. A paixão que tenho pelo futebol transforma-me, muitas vezes, num animal competitivo. Quero ganhar sempre. Nem sequer deixo os meus filhos ganharam, não lhes facilito a vida, isso não é educação. Habituei-me, desde criança, a competir por tudo.»

Vítor Pereira reconheceu ainda que sempre acompanhou o futebol brasileiro e negou, para já, qualquer interesse em orientar a seleção canarinha.

«Lembro-me das seleções do Brasil, algumas delas brilhantes, que me fizeram chorar. Em Portugal, a nossa segunda seleção é brasileira. Temos uma seleção que compete a alto nível, mas na minha juventude era o Brasil. Se quiséssemos ir até ao fim no Mundial, era com o Brasil. Habituei-me a ver grandes jogadores brasileiros.»

«Se está na hora de os portugueses assumirem a seleção brasileira? Há quantos dias é que cheguei, mesmo? É a primeira vez que venho. (...) Não há um país no mundo com tanto talento como o Brasil. Portugal também produz [talento], somos pequenos, mas produzimos. Prefiro avaliar primeiro a meter-me já nesse assunto. Façam-me essa pergunta daqui a uns tempos», disse.

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