Lula da Silva pede boa relação com o Congresso

Agência Lusa , DCT
6 jan, 15:02
Lula da Silva toma posse (AP Photo)

Falando sobre a parceria do executivo com o Congresso, o governante pediu que os seus ministros tenham a “paciência e a grandeza de atender bem cada deputado e deputada, senador ou senadora”

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse esta sexta-feira que o seu Governo terá uma tarefa árdua para reconstruir o país e pediu aos seus 37 ministros, na primeira reunião com a equipa completa, que tenham uma boa relação com o Congresso.

Num breve discurso de abertura da reunião ministerial, o Presidente brasileiro afirmou que o país estava "sob um Governo autoritário" há quatro anos, aludindo à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que Governo encontrou um país em situação de caos que precisará de um esforço e união para uma reconstrução.

“Nós não somos um Governo de um pensamento único, não somos um Governo de filosofia única, não somos um Governo de apenas pessoas iguais. Nós somos um Governo de pessoas diferentes, e o que é importante é que a gente, pensando diferente, tem de fazer um esforço para que na construção do nosso processo de reconstrução desse país a gente pense igual”, disse Lula da Silva.

Falando sobre a parceria do executivo com o Congresso, o governante pediu que os seus ministros tenham a “paciência e a grandeza de atender bem cada deputado e deputada, senador ou senadora”.

“Senão quando a gente vai pedir um voto, eles vão dizer: não, pois fui no ministério e nem me receberam. Eu não quero isso (…) Eu vou fazer a mais importante relação com o Congresso que eu já fiz”, acrescentou.

O líder progressista disse que é preciso induzir um processo de reconciliação na sociedade e "acabar com as brigas familiares" causadas por divergências políticas "estabelecidas pelo ódio”.

Lula da Silva reforçou o caráter de frente ampla que pretende dar ao seu Governo, formado por uma coligação de partidos que inclui desde a esquerda até à direita mais moderada.

"Não temos um Governo com um único pensamento. É um Governo de pessoas iguais, que pensam diferente", mas que "devem estar comprometidos com o esforço de reconstrução" da "democracia" e da "solidariedade" com as classes mais empobrecidas da sociedade, enfatizou.

"Vamos ter de entregar este país melhor, mais saudável do ponto de vista da saúde, massa salarial, pequenos e médios produtores, educação e civilidade", e trabalhar para que "a economia volte a crescer com responsabilidade fiscal e distribuição de renda", acrescentou o Presidente brasileiro.

O líder progressista também reiterou a sua convicção sobre o papel que o Governo deve desempenhar no cuidado dos mais pobres, que considerou abandonados durante o Governo Bolsonaro.

"Queremos que quando um brasileiro, por qualquer motivo, não puder trabalhar, o Estado lhe garanta um mínimo de segurança", declarou.

Lula da Silva advertiu os seus ministros dizendo-lhes que eles têm "a obrigação de fazer bem as coisas”.

"Quem fizer alguma coisa errada será educadamente convidado a deixar o Governo" e responderá pelos seus atos perante as autoridades competentes, acrescentou.

No entanto, o governante brasileiro reafirmou o apoio aos ministros frisando que os apoiará nos bons e nos maus momentos.

“Não deixarei nenhum de vocês no meio da estrada, não deixarei nenhum de vocês. Vocês foram chamados porque têm competência, vocês foram chamados porque foram indicados pelas organizações políticas a que vocês pertencem, e eu respeito muito isso", concluiu Lula da Silva.

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