Jair Bolsonaro oficializa recandidatura à presidência com uma missão: "Não atrapalhar" a vida dos brasileiros

António Guimarães , com Lusa
24 jul, 17:21

Primeira-dama foi uma das estrelas da convenção que oficializou a recandidatura ao Palácio do Planalto

O Partido Liberal oficializou este domingo a recandidatura de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil. O atual chefe de Estado participou na convenção nacional do partido, no Rio de Janeiro, onde uma das estrelas foi a sua mulher.

Michelle Bolsonaro dirigiu-se à plateia, já depois de ouvir uma passagem bíblica do marido sobre a "mulher virtuosa", referindo que as pessoas que ali estavam apoiavam um “projeto de libertação da nação”, aludindo depois ao episódio da última corrida presidencial em Jair Bolsonaro foi esfaqueado: “Quando vi o meu marido na maca olhei para o teto do hospital e disse ‘o Senhor tem o controlo de todas as coisas”.

"Esta nação é rica, é próspera. Só tem sido mal administrada. Deus ama esta nação", acrescentou a primeira-dama.

Jair Bolsonaro alinhou nestas palavras, nomeadamente na questão da “libertação”, apontando o exemplo de Cuba: “Alguém acha que o povo cubano não quer liberdade? Mas têm? Não. Como chegaram a esse ponto? Por escolhas erradas”.

"A nossa missão é não atrapalhar a vossa vida", atirou depois o presidente, lançando o desejo de "tirar o Estado de cima" dos brasileiros.

Num discurso que teve vários alvos, Jair Bolsonaro disparou sobre Lula da Silva, afirmando que "esse homem defende o roubo de telemóveis", mas referindo também que aquele candidato "quer legalizar o aborto e as drogas no Brasil".

Garantindo que tudo fará para “não ver sentado naquela cadeira um comunista”, Jair Bolsonaro disse que por causa das políticas de esquerda os seus vizinhos Venezuela, Chile e Argentina tornaram-se Estados falidos e pobres, procurando fazer a comparação com o que acontecerá caso Lula da Silva vença.

"Não tenho aqui adjetivos para qualificá-lo neste momento. Quem sabe no debate, caso ele esteja presente", concluiu.

Entre leituras de passagens bíblicas, o presidente brasileiro convocou ainda os seus apoiantes a participarem numa manifestação no dia 1 de setembro, dia em que o país celebra os 200 anos da sua independência.

“Nós somos a maioria, nós somos todos do bem. Nós temos a disposição para lutar pela nossa liberdade, pela pátria. Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de setembro, vá as ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez”, disse.

O Supremo Tribunal Federal, uma vez mais, não passou incólume às criticas do presidente brasileiro, que inflamou os seus apoiantes ao afirmar: "Hoje sabemos o que é". De seguida o público gritou que "Supremo é o povo".

Nos últimos meses, além de insistir que o sistema de votação eletrónica do país não é confiável, Jair Bolsonaro tem intensificado os ataques a magistrados do Supremo Tribunal Federal, tem dito que não respeitará determinadas decisões judiciais e tem pedido, repetidamente, a participação de militares no apuramento dos votos.

Na terça-feira, o Presidente brasileiro intensificou a sua campanha contra o voto em urnas eletrónicas num encontro convocado por si com dezenas de embaixadores, durante o qual colocou o sistema de votação em causa, sem apresentar provas.

Naquela que será a sua segunda eleição presidencial, depois de ter vencido em 2018, Jair Bolsonaro confirmou ainda que o general Braga Netto será o candidato à vice-presidência.

Na quinta-feira, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva lançou a sua candidatura à presidência ao lado do político conservador e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que concorrerá consigo ao cargo de vice-presidente. Horas antes, o seu partido, o Partido dos Trabalhadores formalizou o apoio a Lula.

Lula da Silva lidera todas as sondagens sobre as intenções de voto nas presidenciais brasileiras, com média de cerca de 44% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem o apoio de pouco mais de 30% dos eleitores.

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