Leonardo Jardim equaciona continuidade no Brasil: «Não quero isto para mim»

27 out 2025, 08:48
Leonardo Jardim no Cruzeiro (Pedro Vilela/Getty Images)
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Treinador do Cruzeiro «frustrado» com a arbitragem depois do empate com o Palmeiras de Abel Ferreira

Leonardo Jardim insurgiu-se contra a arbitragem depois do empate do Cruzeiro em casa do Palmeiras de Abel Ferreira (0-0), chegando mesmo a colocar em dúvida a sua continuidade no futebol brasileiro, manifestando-se «frustrado» por sentir que não consegue controlar os jogos.

«Quando entrei agora aqui, houve duas pessoas que me disseram “bem-vindo ao Brasil”, mas estou frustrado porque, como treinador, só consigo interferir em algumas coisas - preparar os jogadores, trabalhar e treinar – e a alegria que tenho tido aqui no Brasil, com os adeptos, com o grupo fantástico que tenho no Cruzeiro, deixa-me frustrado e não sei se vale a pena continuar quando, na realidade, não somos nós que controlamos os jogos. Fico frustrado porque isto é uma balança e o peso da frustração está quase a igualar o peso da satisfação», atirou logo a abrir a conferência de imprensa no final do jogo.

«Eu não quero isto para mim, porque eu gosto de controlar o jogo, eu gosto que o papel dos jogadores seja o responsável dos resultados dentro de campo», insistiu.

O treinador do Cruzeiro não entende que o árbitro não tenha expulsado Gustavo Gomez na primeira parte e critica a dualidade de critérios com a expulsão de Fabrício no segundo tempo que deixou o Cruzeiro reduzido a dez.

«Acho que muitas coisas aconteceram, não vale a pena relatar porque vocês viram. Desde o Kaiki que tem o lábio todo inchado e não houve paragem de jogo, qualquer lance da primeira parte, estava um jogador do adversário no chão. O Fabricio, acho que não fez falta nenhuma. Quem faz falta é o adversário, que faz a falta, roda, bate nas pernas, a expulsão, as dualidades de critérios», atirou.

Leonardo Jardim revelou ainda uma conversa com Gabigol sobre a experiência no Brasil. «Hoje de manhã estava com o Gabriel e ele perguntava se o Brasil está no top-5 das minhas experiências internacionais. Eu disse que não. Não estou aqui para puxar o saco de ninguém. Enquanto um grupo de profissionais for gerido ou arbitrado dentro do campo com um conjunto de amadores, enquanto não houver um sindicato dos jogadores forte para defender os interesses dos atletas no calendário, enquanto não houver essas coisas todas, não vamos entrar no top 5», destacou.

Por tudo isto, Leonardo jardim volta a equacionar a continuidade no futebol brasileiro. «Temos talento, temos emoção, temos os adeptos mais espectaculares com quem trabalhei, os torcedores como vocês dizem, mas sinceramente não sei se tudo isto vale a pena», referiu ainda.

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