“O Brasil vai continuar a ser o país do futuro adiado” pois está "dividido entre dois opositores populistas”, diz politólogo

22 mai, 16:00
Cristo Redentor

Especialista em movimentos extremistas analisa a situação política brasileira e explica que enquanto Lula da Silva representa um "populismo socioeconómico", que subsidia a pobreza, Jair Bolsonaro protagoniza “um populismo identitário-cultural”, assente na ideia de que “o brasileiro está acima de todos”

Os brasileiros regressam este ano às urnas para escolher o próximo presidente do país, numa corrida eleitoral encabeçada por “dois opositores populistas", embora representem "populismos diferentes”, como descreve o politólogo José Filipe Pinto, especialista em movimentos extremistas e populismos. 

Se os atos eleitorais são muitas vezes encarados como um ponto de partida para um cenário político, social e económico diferente, esse não deverá ser o caso destas eleições presidenciais, assume o politólogo.

“O Brasil vai continuar a ser o país do futuro adiado, porque é um país dividido entre dois opositores populistas”, embora representem “populismos diferentes”, salienta o professor de Ciência Política, referindo-se aos pré-candidatos às presidenciais Jair Bolsonaro e Lula da Silva

Tanto um como outro apresentam projetos políticos que “não são para o país, mas para o seu eleitorado”, o que promove ainda mais a polarização do país, explica o especialista, em declarações à CNN Portugal:

“O populismo de Lula da Silva é um populismo socioeconómico e as medidas que ele tomou enquanto esteve no poder foram rigorosamente medidas de populismo socioeconómico”, diz, apontando como exemplo o  programa Bolsa Família criado pelo governo de Lula em 2003 para ajudar financeiramente as famílias mais pobres do país. 

De acordo com o politólogo, este programa salientou, contudo, “uma característica do populismo socioeconómico”: a “subsidiação da pobreza”.

“O Brasil foi um país que nunca conseguiu transformar o crescimento em desenvolvimento - desenvolvimento sustentável e de rosto humano”, assinala.

Por sua vez, continua, Jair Bolsonaro representa “um populismo identitário-cultural”, com um discurso assente (tal como o nome indica) na afirmação da identidade e cultura do Brasil e na ideia de que “o brasileiro está acima de todos”.

Esta é, por isso, “uma luta [eleitoral] entre dois populistas diferentes”, cada um com uma “grande capacidade de arregimentação”: enquanto Lula, pela sua “ligação ao mundo sindical”, conta com o apoio dos brasileiros “deixados para trás, dos explorados”, Bolsonaro, pela sua “grande ligação ao movimento religioso”, conta com “o apoio das principais figuras ligadas à religião, principalmente os evangélicos, que têm um peso enorme no Brasil”.

Ora, “entre estes dois antagonismos não há possibilidade nenhuma de negociação”, frisa José Filipe Pinto.

Grande parte da população brasileira, sobretudo na diáspora, deseja, por isso, uma “terceira via”, isto é, um candidato que represente uma alternativa a Lula e Bolsonaro. Mas para isso é necessária uma “figura de consenso” e, para já, ainda não foram apontados nomes capazes de conseguir gerar esse consenso entre os eleitores brasileiros.

Em cima da mesa estão nomes como Ciro Gomes (PDT), Simone Tebes (MDB) e o ex-ministro da Justiça do governo de Bolsonaro, Sergio Moro, que foi o juiz que liderou a Operação Lava Jato, na qual Lula esteve envolvido por alegados crimes de corrupção. Mas ainda não há um nome certo, e ainda há muitas dúvidas quanto a pré-candidatura de Sergio Moro.

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