Centenas de apoiantes de Bolsonaro acusados de fazer saudação nazi durante protestos. Ministério Público vai investigar

3 nov, 10:52

O estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, é um dos bastiões de Jair Bolsonaro. No domingo, só aqui, o ainda presidente do Brasil conseguiu 70% dos votos

Desde domingo que o Brasil tem sido alvo de fortes protestos contra a eleição de Lula da Silva como presidente. Na quarta-feira, em São Miguel do Oeste, no estado de Santa Catarina, centenas de apoiantes de Jair Bolsonaro estão a ser acusados de ter feito a saudação nazi. As imagens rapidamente começaram a gerar polémica nas redes sociais.

O gesto foi feito em frente ao 14.º Regimento de Cavalaria Mecanizado, base do Exército na cidade. Como é visível neste vídeo, os manifestantes envergavam bandeiras e camisolas com as cores do Brasil, ergueram o braço direito e esticaram a mão, enquanto entoavam o hino do Brasil. 

Ministério Público já abriu uma investigação

Entretanto, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) já confirmou que vai analisar os vídeos para identificar as pessoas que fizeram o gesto que, sendo uma apologia ao nazismo, é crime no Brasil de acordo com a Lei 7.716/1989. Aliás, a prisão preventiva não está descartada.

"O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Santa Catarina já está a trabalhar para identificar as pessoas que fizeram a saudação nazi durante as mobilizações que deveriam ser democráticas e pacíficas em São Miguel do Oeste. Fazer apologia ao nazismo é crime", lê-se no comunicado. 

"Uma vez identificadas, será produzido um relatório e as informações encaminhadas pra 2ª Promotoria de Justiça da Comarca, que possui atribuição criminal, para responsabilização dos envolvidos", esclarece a Coordenadora do Gaeco de São Miguel do Oeste. 

Para além do GAECO, o Ministério Público adianta que o caso também está a ser acompanhado pelo Núcleo de Enfrentamento a Crimes Raciais e de Intolerância (NECRIN).

"Quando alguém se preocupa em não parecer nazi, é recomendado não agir como um nazi"

No Twitter, alguns utilizadores estão a desvalorizar as imagens que chegam de Santa Catarina, alegando que os manifestantes estavam só a fazer o juramento da bandeira. O Instituto Brasil-Israel publicou um esclarecimento no qual diz que existe de facto uma cerimónia militar que incluiu um gesto idêntico a este, no entanto, tratava-se de uma manifestação de civis e não de militares. 

"É verdade: existe uma cerimónia militar de compromisso dos recrutas que consiste em estender o braço horizontalmente (sem direcioná-lo para cima) em direção à bandeira nacional. No entanto, os participantes da manifestação em questão não são militares. Tão pouco mencionam qualquer tipo de juramento. Não há sequer a bandeira nacional diante deles. São civis, cantando o hino, erguendo o braço para cima. Quando alguém se preocupa em não parecer nazi, é recomendado não agir como um nazi", lê-se na publicação. 

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB), através de uma nota oficial, repudiou o gesto e apelou a uma investigação. "As imagens de manifestantes a fazer saudações nazis em protesto em Santa Catarina são repugnantes e precisam ser investigadas e condenadas com veemência pelas autoridades e pela sociedade como um todo".

Disseram ainda que "a sociedade brasileira não pode tolerar posturas como essa" e o facto destes cidadãos estarem vestidos com a camisola da seleção brasileira "é também uma ofensa às nossas Forças Armadas, que lutaram bravamente contra as forças nazis na Europa durante a Segunda Guerra Mundial". 

Também o Museu do Holocausto no Brasil escreveu no Twitter que se trataram de "cenas ofensivas". 

O juramento de bandeira no Brasil é feito com o braço esticado, mas geralmente ao nível do peito e não acima do ombro. Esta regra está estabelecida desde o pós-Segunda Guerra Mundial. Além do mais, este gesto é feito por militares em circunstâncias muito específicas.

O estado de Santa Catarina, no sul do Brasil, é um dos bastiões de Jair Bolsonaro. No domingo, só aqui, o ainda presidente do Brasil conseguiu 70% dos votos.

A tomada de posse de Lula da Silva está agendada para 1 de janeiro de 2023.

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