Bolsonaro não descarta que jornalista britânico e indígena brasileiro desaparecidos tenham sido executados. Naquela região, "tudo pode acontecer"

Agência Lusa , CF
7 jun, 19:59
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (EPA/ANTONIO LACERDA)

O presidente brasileiro diz esperar um desfecho feliz, mas insinua que os desaparecidos poderão ter sido imprudentes. "Duas pessoas num barco, numa região tão selvagem, não é recomendado."

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, desejou esta terça-feira que o jornalista britânico e um guia indígena desaparecidos numa zona remota da Amazónia sejam encontrados, mas admitiu, entre as hipóteses possíveis, que podem ter sido executados.

Em entrevista ao canal de televisão SBT, Bolsonaro falou sobre o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do The Guardian, e do indígena brasileiro Bruno Araújo Pereira, vistos pela última vez na manhã de domingo no Vale do Javari, uma das áreas mais remotas da Amazónia.

Bolsonaro assegurou que, já no domingo, quando surgiu a informação sobre o desaparecimento, as autoridades policiais e militares da região iniciaram as buscas e referiu que foram recolhidos depoimentos de pessoas que tiveram contacto com Phillips e Araújo nos últimos dias.

O presidente brasileiro, porém, também insinuou que os dois desaparecidos poderiam ter sido imprudentes ao entrar naquela região.

"Realmente, duas pessoas num barco, numa região tão selvagem, não é recomendado", disse Bolsonaro, que acrescentou que naquela área "tudo pode acontecer".

"Pode ter sido um acidente, pode ser que eles tenham sido executados", afirmou, referindo ainda: "Esperamos e rogamos a Deus que sejam encontrados em breve."

O Vale do Javari é uma extensa região de rios e selva no coração da Amazónia, na fronteira com o Peru, e abriga o maior número de indígenas isolados do mundo. A área está ameaçada pela pesca e mineração ilegal e nos últimos anos tornou-se uma rota de tráfico de drogas.

O paradeiro de Phillips e Araújo, profundos conhecedores daquela área, perdeu-se quando viajavam da comunidade de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte, no Amazonas, onde deveriam ter chegado na manhã de domingo.

O jornalista e o indigenista viajavam num barco novo, com 70 litros de gasolina, o suficiente para fazer o trajeto planeado, e foram vistos pela última vez perto da comunidade de São Gabriel, a poucos quilómetros de São Rafael.

Araújo, que trabalha na região há anos, foi alvo de várias ameaças de mineradores ilegais, madeireiros e até traficantes de drogas que atuam na região, o que levantou receios de um assassinato entre os seus próximos.

Phillips, por sua vez, é um jornalista veterano radicado no Brasil há 15 anos e que colaborou com diversos meios de comunicação internacionais, como Financial Times, New York Times e Washington Post, entre outros, e atualmente trabalha numa investigação para um livro sobre o vale do Javari.

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