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Esta é a cidade portuguesa onde mais chove. Em cada três dias, um é de chuva

5 jun 2025, 15:58

E é onde também a temperatura máxima média mais subiu nas últimas décadas

No Dia Mundial do Ambiente, celebrado esta quinta-feira, os dados da Pordata, base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos, revelam um retrato contrastante de Portugal: enquanto o país regista avanços na redução de emissões e na proteção marinha, enfrenta desafios sérios com o aumento dos resíduos e a poluição industrial.

Bragança surge como a cidade mais chuvosa do país (um dia de chuva a cada três dias), mas é também onde o impacto das alterações climáticas se faz sentir com maior intensidade. Desde 1960, a temperatura máxima média aumentou quase 3ºC, passando de 17,2ºC para 20,1ºC - o maior salto entre as estações meteorológicas analisadas.

Lisboa, Beja, Castelo Branco e Funchal também registam aumentos consistentes de temperatura, confirmando um “claro padrão de aquecimento” desde o início do milénio. No Funchal, por exemplo, as temperaturas mínimas e médias subiram mais de 2ºC em 60 anos.

Em 2023, as emissões per capita de gases com efeito de estufa situaram-se nas cinco toneladas de CO₂ por habitante, colocando Portugal entre os três países da União Europeia (UE) com menores emissões - apenas atrás de Malta (4,1 toneladas) e Suécia (4,2 toneladas).

Também as emissões dos automóveis registaram uma redução significativa, passando de 169g de CO₂ por quilómetro em 2000 para 90g em 2023. Neste indicador, Portugal ocupa o 6.º lugar entre os 27 países da UE, superado por nações como a Bélgica, Países Baixos e Dinamarca.

Apesar dos progressos nas emissões automóveis, a indústria portuguesa continua a emitir elevadas quantidades de partículas finas. Em 2022, foram libertadas 2,24 gramas por cada euro de riqueza gerada - um dos piores desempenhos da UE.

As principais responsáveis são as indústrias química e do papel, e o relatório é claro: “A riqueza gerada não compensa a poluição emitida”.

Outro sinal de alerta, segundo os dados, vem da gestão de resíduos. Portugal produziu 5,6 milhões de toneladas de resíduos urbanos em 2023, o dobro face a 1995, uma média de 1,4 kg por habitante por dia.

Mais de metade desses resíduos (54%) tem como destino final o aterro, enquanto apenas 17% são valorizados organicamente, outros 17% através de energia, e 12% por separação multimaterial. No contexto europeu, Portugal está entre os que mais resíduos envia para aterro.

Portugal destaca-se positivamente na proteção do mar, com perspetiva de ultrapassar 200 mil km² de áreas marinhas protegidas ainda este ano. A expansão inclui o novo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve, Pedra do Valado, e a revisão do Parque Marinho dos Açores, em vigor a partir de setembro.

Por outro lado, o território terrestre apresenta contrastes: 22,4% do país é área protegida, colocando Portugal no 12.º lugar com menor percentagem da UE, e apenas 16,3% do solo é destinado à agricultura - dos valores mais baixos do bloco europeu. O país possui, no entanto, uma das maiores proporções de território coberto por arbustos (17,5%).

Portugal continua a brilhar no que toca à qualidade da água das praias costeiras, com a esmagadora maioria a apresentar qualidade "excelente". No entanto, apenas 67% das praias fluviais e lacustres conseguem manter esse padrão, revelando espaço para melhorias no interior do país.

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