Qual é a coisa, qual é ela, que treze anos depois tem uma sequela?

27 jan, 09:49
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Vão passar treze anos. 155 meses, 666 semanas e 4667 dias. Parecendo que não, são muitos dias, sobretudo num futebol em que dois minutos e 43 segundos são uma eternidade, capazes de tirar Bruno de Carvalho do sério e levar o Sporting a exigir que seja atribuída a derrota ao FC Porto.

Mas sim, vão passar treze anos desde que Benfica e Sporting se encontraram pela última vez na final e desde então a Taça da Liga já foi a Taça Lucílio Batista, a Taça da Cerveja e o Campeão de Inverno.

É impressionante como nenhuma designação prestigia a competição.

Enfim, pelo menos nota-se que há mais coerência. É que chamar Campeão de Inverno à Taça da Liga que se jogava há treze anos podia ser perigoso. Por um lado, porque a final se jogava em finais de março e, por outro, porque o Benfica era capaz de levar a designação para o museu: quem acha que as finais da Liga Europa perdidas para o Chelsea e para o Sevilha são troféus, não terá seguramente problemas em assumir que ser campeão de inverno é um título.

Voltando a essa final de 2009, decidida pelos problemas de visão de Lucílio Baptista, é importante referir que ficou para a história. É que numa perspetiva puramente cronológica, foi a última trapalhada em Portugal que não foi provocada por Eduardo Cabrita.

Nessa noite, vale a pena recordar, Di Maria tentou colocar a bola por cima de Pedro Silva, o lateral do Sporting cortou a bola com o peito e o árbitro Lucílio Batista marcou penálti. José António Reyes empatou o jogo a quinze minutos do fim, o troféu foi decidido da marca de onze metros e Quim defendeu o remate de três jogadores do Sporting, incluindo o último de Postiga, que por razões que escapam à própria razão não bateu o penálti à Panenka.

Pelo meio Pedro Silva deu uma peitada em Lucílio Baptista e introduziu uma nova forma de saudação no futebol. Curiosamente o Conselho de Disciplina não entendeu o gesto e castigou o brasileiro com três jogos de suspensão, o que permitiu ao Sporting embalar para uma sequência de oito jogos sem perder e acabar o campeonato no segundo lugar, a quatro pontos do FC Porto.

Ora o FC Porto, precisamente, que poucos dias antes tinha aparecido em Lisboa para jogar a meia final frente ao Sporting no próprio dia do jogo e depois de uma viagem de comboio.

De fora dessa convocatória ficaram Hulk, Lucho, Lisandro, Raul Meireles, Fernando, Cristián Rodriguez, Jorge Costa, Pedro Emanuel e Cissokho. No fundo apresentou-se com uma equipa tão fraca que achou que não merecia mais que o dinheiro de um bilhete para o Alfa Pendular.

O Sporting fez três golos em meia hora e permitiu ao FC Porto regressar a casa ainda no último comboio do dia.

O pior veio depois. Lucílio Baptista quis ser protagonista e obrigou Pedro Proença a um intenso trabalho de rebranding para se tornar o ex-árbitro mais influente da história da competição.

É por isso uma Taça da Liga muito diferente aquela que vai juntar Benfica e Sporting na final do próximo sábado: mais sensual, mais produzida, mais arejada. Há, no entanto, aspetos que nos recordam essa final de 2009: o Sporting volta a surgir como favorito, Nélson Veríssimo e Quique Flores coincidem no carisma de um monge tibetano e Balboa não tem hipótese nenhuma de calçar.

Só falta a noite acabar com um jogador a atirar a medalha para o relvado. Depois do que vi esta quarta-feira, se esse jogador não for Paulinho vou sentir-me defraudado.

«Box-to-box» é um espaço de opinião de Sérgio Pereira, editor-chefe do Maisfutebol

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