Boris Johnson revela que Putin ameaçou o Reino Unido: "Boris, não te quero magoar, mas um míssil levaria apenas um minuto"

30 jan, 09:41

As declarações do ex-primeiro-ministro britânico dizem respeito a uma chamada do presidente russo, efetuada momentos antes da invasão da Ucrânia

No novo documentário da BBC, "Putin vs the West", que tem como base o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, Boris Johnson revelou aos produtores que Vladimir Putin afirmou que podia ter atingido o Reino Unido com um míssil "num minuto". 

De acordo com o ex-primeiro-ministro britânico, esta declaração foi feita durante uma chamada, pouco antes da invasão em fevereiro, na qual Boris Johnson tentava dissuadir o presidente russo. 

"A certa altura ele ameaçou-me e disse: 'Boris, não te quero magoar, mas um míssil levaria apenas um minuto’, ou algo assim", contou, acrescentando que não considerou este e outros comentários uma ameaça. "Acho que pelo tom muito relaxado que ele adotara e o tipo de distanciamento que parecia ter, estava apenas a brincar com as minhas tentativas de convencê-lo a negociar", observou. 

Johnson terá, inclusivamente, alertado para o crescente apoio da NATO à Ucrânia e para as duras sanções contra a Rússia, caso o ataque ocorresse, ao que Putin terá respondido: "Boris, dizes que a Ucrânia não vai aderir à NATO tão cedo. O que acontecerá tão cedo?”

Quem também fala no documentário da BBC é o secretário de Estado da Defesa britânico, sobre uma visita a Moscovo em fevereiro, que visava evitar a guerra através da negociação. Ben Wallace esteve reunido com o seu homólogo russo Sergei Shoigu e o chefe do Estado-Maior Valery Gerasimov.

"Lembro-me de dizer ao ministro Shoigu: 'Eles vão lutar' e ele disse: 'A minha mãe é ucraniana. Eles não vão'. Também me disse que não tinham intenção de invadir", lembra Wallace. 

"Foi a mentira genuinamente arrepiante, mas direta, de que não iam fazer isso, que me confirmou que o iam fazer. Lembro-me que, quando estávamos a sair, o general Geramisov disse: 'Nunca mais vamos ser humilhados. Nós já fomos o quarto exército do mundo, agora somos o número dois. É a América e nós'. E naquele minuto houve aquela noção do porquê [de o fazerem]."

Num anúncio feito aos jornalistas esta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, desmente as alegações de Boris Johnson, afirmando que aquilo que o ex-primeiro-ministro britânico disse "não é verdade". "Não houve ameaças com mísseis. Enquanto falava sobre os desafios para a segurança da federação russa, o presidente Putin observou que, se a Ucrânia aderir à NATO, o potencial desdobramento da NATO ou de mísseis americanos nas nossas fronteiras significarão que qualquer míssil chegará a Moscovo numa questão de minutos. Se isto foi percebida dessa forma, é uma situação muito embaraçosa", explica. 

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