Ahmed al-Ahmed saiu de trás de um carro para enfrentar um homem que disparava indiscriminadamente sobre as pessoas que estavam na praia. Foi apelidado de "heróI", mas quem foi treinado para lidar com estas situações avisa que estes casos podem não correr sempre bem
Ahmed al-Ahmed foi um herói e isso é um facto até já assumido pelo governo da Austrália. Mas quem está destinado a fazer destas ações o seu dia a dia avisa que a atitude deste homem, embora de louvar, não foi a mais correta. Avançou sem medo sobre um dos dois atiradores que disparavam indiscriminadamente sobre Bondi Beach, onde mataram 15 pessoas que participavam no primeiro dia do Hanukkah, uma das celebrações mais importantes da comunidade judaica.
Mas o subintendente Francisco Fonseca, comandante do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia de Segurança Pública (PSP), sublinha que Ahmed al-Ahmed não tomou a decisão que se aconselha a um civil.
“Devo realçar que é uma atitude corajosa, mas, no caso de alguém ser alvo de uma ação destas, o que instruímos é fugir, depois proteger-se e esconder-se num local fora de vista que permita alguma proteção”, diz o comandante do GOE à CNN Portugal, acrescentando que se deve sempre ligar às autoridades que estão equipadas e treinadas para lidar com estas situações antes de agir.
Hugo Silva, membro da Associação de Defesa Pessoal Portugal, corrobora esta ideia: “Sem dúvida que uma pessoa que não tenha formação [em defesa pessoal] deveria fugir e ir para um local seguro”.
O especialista neste tipo de ações ainda que o que Ahmed al-Ahmed fez podia “ter corrido muito mal” porque, se não tivesse colocado a arma de lado e indicado às autoridades que não era ele o atirador, “poderia ser abatido logo pela polícia”. O herói de Bondi Beach ainda acabou ferido por tiros disparados pelo outro atacante, mas acabou por sobreviver. No fundo, Hugo Silva resume: "Correu tudo bem, mas podia ter corrido tudo mal".
Sublinhando sempre que a ação deste homem não foi a recomendada, Francisco Fonseca percebe as atitudes do “herói”, porque “nestas situações o que se pergunta é se vamos lutar ou vamos morrer”: e Ahmed al-Ahmed escolheu lutar, “conseguindo pôr cobro a este atacante”.
Sobre se a PSP estar preparada para um eventual ataque deste tipo, o subintendente disse apenas que “a polícia tem uma resposta preparada para se isto acontecer e os cidadãos podem estar assegurados”.