Caso não é o único no distrito de Viseu, onde também a corporação de Tondela se queixa de uma situação semelhante
Era um bónus de 25% do salário para compensar o combate aos incêndios que as corporações de bombeiros voluntários afetos ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) tiveram de realizar entre os dias 15 e 19 de setembro, na pior semana de incêndios em Portugal em muito tempo, e que provocou a morte a quatro bombeiros, além de três outros civis. Mas parece que não será bem assim.
Quando o Ministério da Administração Interna anunciou a medida, garantiu que a mesma ia abranger os cerca de cinco mil bombeiros voluntários que fazem parte das corporações das regiões Centro e Norte, as mais afetadas pelas chamas, o despacho assinado pelo secretário de Estado da Proteção Civil mencionava uma subida das diárias para cerca de 84 ou 98 euros, “consoante se trate de bombeiros integrantes das várias equipas ou bombeiros do quadro de comando, para o período temporal compreendido entre os dias 15 e 19 de setembro, inclusive”.
Não é isso que vai acontecer em Tondela, onde a esmagadora maioria dos bombeiros vai ficar sem receber este bónus. E tudo porque não estavam na escala de serviço que tinha sido programada previamente.
Os 70 homens e mulheres que pertencem à corporação foram todos chamados a combater os incêndios de Viseu, um dos distritos mais afetados, mas apenas 10% vão receber essa majoração.
"O número de elementos, de efetivos, que vão receber este complemento resume-se a sete pessoas", disse à CNN Portugal o comandante dos Bombeiros Voluntários de Tondela, Nuno Pereira.
O presidente da Federação dos Bombeiros de Viseu lamenta esta situação, admitindo que noutros quartéis a situação pode ser semelhante. É que Tondela não é caso único no distrito. Em Castro Daire, dos concelhos mais fustigados pelas chamas, apenas 10 dos 128 bombeiros que ajudaram no combate aos incêndios vão ter direito a este pagamento.
"Todos os bombeiros que andavam no incêndio estão devidamente registados, era muito fácil colocá-los para pagar. De uma vez por todas temos de dizer que são todos, e não uma parte", termina José Albuquerque.