"Inaceitável". Bombeiros acusam Ministério de quebrar acordo quanto ao preço do transporte de doentes não urgentes

Agência Lusa , FMC
30 jun, 10:58
Ambulância. Foto: AP

Liga dos Bombeiros Portugueses diz que a tutela decidiu fixar os preços de forma unilateral, depois de duas reuniões em que foram acordados os preços, e alerta que a decisão vai prejudicar "gravemente" o transporte de doentes

A Liga dos Bombeiros Portugueses acusou esta quinta-feira o Ministério da Saúde de ter quebrado o acordo a que tinham chegado nas reuniões sobre o preço do transporte de doentes não urgentes, fixando unilateralmente o valor, atitude que considera inaceitável.

Em comunicado, a Liga diz que o Ministério tomou a decisão de fixar os preços de forma unilateral, após duas reuniões em que, depois de declarar a incapacidade financeira para chegar aos 0,63€/Km propostos pelos bombeiros, estes baixaram o valor, admitindo 0,56€ para os veículos de transporte de doentes e 0,58€ para ambulâncias.

“Esta decisão do Ministério da Saúde é inaceitável, prejudica gravemente a disponibilidade de transporte de doentes e, em muitos casos, vai gerar uma indisponibilidade de ambulância para efetuar transporte de doentes acamados ou com limitações de mobilidade”, considera a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).

Na nota, a LBP sublinha que a responsabilidade por qualquer limitação registada no transporte de doentes não urgentes “está única e exclusivamente relacionada com os critérios de custeamento do serviço definidos unilateralmente pelo Ministério da Saúde”, numa atitude que diz ser “de irrealismo prepotente” e que rejeita.

A Liga lembra que o transporte de doentes não urgentes é efetuado pelos Bombeiros de Portugal em todo o país e que as corporações de bombeiros são “a única garantia operacional para milhares de cidadãos conseguirem deslocar-se diariamente a instituições de saúde públicas e privadas para efetuarem exames e tratamentos críticos para a sua saúde, como (…) hemodiálises, consultas oncológicas, fisioterapias e transferências inter-hospitalares”.

Sublinha ainda que a indispensabilidade de rever os despachos aprovados em 2012 que regulam o transporte de doentes não urgentes – quer pela desadequação face ao longo período em aplicação, quer pela alteração dos preços dos combustíveis – “foi expressamente reconhecida pelo Ministério da Saúde”, que se reuniu duas vezes com a Liga para definir uma nova base de acordo.

Explica que, nestas reuniões, o Ministério declarou a sua incapacidade financeira para chegar ao valor inicialmente proposta pela Liga, tendo os bombeiros admitido valores mais baixos por quilómetro.

Segundo a LBP, também ficou acordado que o Ministério da Saúde pagaria por cada saída os valores de nove e 10 euros, respetivamente, para veículos de transporte de doentes e ambulâncias, sendo reduzida para 15 km a distância incluída, que na situação vigente era de 20 km.

“Inacreditavelmente, a Liga dos Bombeiros Portugueses constata hoje (esta quinta-feira) que o Ministério da Saúde decidiu quebrar o acordo estabelecido nas reuniões de negociação e decidiu unilateralmente fixar os valores de pagamento para as ambulâncias iguais aos negociados em Novembro de 2021 (…), sem atender minimamente ao impacto do brutal aumento do preço dos combustíveis e sem considerar o aumento do ordenado mínimo nacional ocorrido em janeiro de 2022”.

A LBP reafirma que os valores fixados “não cobrem, nem de perto, nem de longe, os custos efetivos que as entidades detentoras de corpos de bombeiros despendem com o serviço prestado às populações”, frisando: “os Bombeiros de Portugal não aceitam que, uma vez mais, o Governo fixe unilateralmente e sem explicação valores de compensação insuficientes, obrigando as Associações Humanitárias a subsidiar o Estado”.

Relacionados

País

Mais País

Patrocinados