Foram detidos pela PJ por suspeita dos crimes de violação e coação sexual, mas saíram em liberdade. Oito ficaram impedidos de entrarem e frequentarem o quartel
Os 11 bombeiros voluntários do Fundão esta terça-feira detidos pela PJ por suspeita dos crimes de violação e coação sexual saíram em liberdade e oito destes ficaram impedidos de entrarem e frequentarem o quartel.
Em comunicado, o Tribunal do Fundão revelou ainda que os 11 bombeiros ficaram proibidos de contactos com a vítima, também bombeiro.
Segundo o tribunal, os 11 bombeiros estão ainda proibidos de frequentar e permanecer na residência e trabalho da vítima e de esta se aproximarem a menos de 500 metros e proibidos de contactar com os demais arguidos e testemunhas dos autos.
A decisão do tribunal considerou os “elementos de prova recolhidos até ao momento” e entendeu “verificados os perigos de continuação da atividade criminosa, perturbação do decurso do inquérito e perturbação da ordem e tranquilidade públicas”.
Três destes bombeiros estão ainda obrigados a apresentações periódicas, uma vez por semana, à quarta-feira, no posto territorial da respetiva área de residência.
Os oito bombeiros impedidos de entrar e frequentar o quartel poderão ver esta medida ser levantada, “com exceção de grave, documentada e fundamentada situação em que esteja em causa o perigo das populações, nomeadamente de grave incêndio, e a força de trabalho dos arguidos seja absolutamente imprescindível à salvaguarda da vida, integridade física e/ou património referidas populações”.
Seis bombeiros hoje detidos pela PJ estão indiciados pela prática de dois crimes de violação e um crime de coação sexual, três outros pela prática de um crime de violação e um de coação sexual e dois por crime de violação.
Dois deles estão indiciados por um crime de violação.
O Tribunal indica ainda que nenhum dos 11 bombeiros prestou declarações durante o interrogatório.
Onze bombeiros voluntários do Fundão, distrito de Castelo Branco, foram hoje detidos pela PJ por serem suspeitos de dois crimes de violação e um de coação sexual, dos quais terá sido vítima um outro bombeiro, numa praxe.
Em comunicado, a Polícia Judiciária revelou que, através do Departamento de Investigação Criminal da Guarda e em articulação com a Diretoria do Centro da PJ, deteve, hoje, fora flagrante delito, 11 bombeiros voluntários da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Fundão, pela forte suspeita de terem praticado, em duas ocasiões distintas, dentro do quartel do Fundão e de Soalheira, dois crimes de violação e um de coação sexual.
“Foi vítima um outro bombeiro, com 19 anos, o qual foi sujeito a atos sexuais violentos, numa duvidosa praxe, pois seriam os seus dois primeiros serviços”, revelou a PJ, adiantando que a “investigação teve o seu início numa queixa efetuada pela própria vítima, suportada e apoiada pelo Comando da referida corporação que, em todo o momento, colaborou com esta Polícia”.
O inquérito à operação “Integridade” é titulado pelo Ministério Público de Castelo Branco.
Bombeiros do Fundão podem ser expulsos caso se confirmem as acusações
Os Bombeiros Voluntários do Fundão garantiram que haverá “consequências disciplinares, laborais e institucionais”, incluindo se necessário a expulsão, caso se venham a confirmar os factos de que são acusados 11 elementos da corporação.
Numa nota enviada à comunicação social, a direção da Associação Humanitária e o comando do Corpo de Bombeiros do Fundão explicaram que, assim que tiveram conhecimento dos factos, “determinaram de imediato a abertura dos respetivos processos disciplinares, de modo a averiguar internamente o ocorrido e assegurar o cumprimento rigoroso dos deveres e responsabilidades institucionais”.
Segundo a nota, na sequência da comunicação formal da PJ, foi transmitido à direção e comando dos bombeiros, de modo a evitar qualquer perturbação do decurso da investigação, “colaboração no sentido de susterem momentaneamente diligências a realizar num eventual processo disciplinar”.
“Em estrito cumprimento desta orientação, as diligências internas ficaram temporariamente suspensas, motivo pelo qual não foram ainda aplicadas medidas preventivas, incluindo eventuais suspensões”, lê-se na nota.
Adiantam ainda que após as diligências realizadas pela PJ no dia de hoje, “cessaram os motivos que determinavam a suspensão, podendo agora os processos disciplinares e laborais retomar o seu curso normal”.
A direção e o comando dos bombeiros do Fundão vincaram também que, desde o primeiro momento, prestaram apoio integral ao bombeiro que apresentou a queixa, ouviram os envolvidos e colaboraram com as entidades competentes.
“Embora fosse previsível o impacto negativo decorrente da divulgação pública destes acontecimentos, prevaleceu sempre a defesa e a proteção do bombeiro que denunciou a situação”.
Face às declarações prestadas pelo comandante José Sousa, salientam que da queixa e dos depoimentos recolhidos até agora, “ficou claro para o comando “que o grau de envolvimento e de conhecimento dos vários elementos não é uniforme”.
Acrescentam também que, face aquilo que já é conhecido, é expectável que após conclusão da investigação interna “existam motivos para aplicar medidas disciplinares gravosas, incluindo, se necessário, a expulsão do corpo de bombeiros”.
A direção e o comando deixam um apelo à população para que mantenha a confiança na Associação Humanitária.