Os bombardeiros iranianos estiveram a poucos minutos de atacar a maior base militar que acolhe tropas norte-americanas no Médio Oriente, tendo sido abatidos por aviões do Catar naquela que foi a sua primeira missão de combate aéreo. A informação foi confirmada à CNN por duas fontes familiarizadas com a operação.
Na manhã de segunda-feira, a Guarda Revolucionária do Irão enviou dois bombardeiros táticos Su-24, de fabrico soviético, em direção à Base Aérea de Al-Udeid — que alberga habitualmente dez mil militares dos EUA — e a Ras Laffan, uma infraestrutura crucial de processamento de gás natural e um pilar da economia do Catar.
Os jatos iranianos encontravam-se a "dois minutos" dos alvos, revelou uma das fontes. Uma segunda fonte adiantou à CNN que as aeronaves foram identificadas visualmente e fotografadas "transportando bombas e munições guiadas".
As autoridades do Catar emitiram um aviso via rádio, mas não obtiveram resposta dos jatos, que tinham alterado a altitude de voo para cerca de 25 metros de forma a evitar a deteção por radar, acrescentou a mesma fonte.
Devido à "escassez de tempo" e "com base nas provas disponíveis", as aeronaves foram "classificadas como hostis". O Catar enviou então os seus aviões de guerra e um caça F-15 qatari enfrentou os jatos iranianos em "combate aéreo" antes de os abater.
Os aviões iranianos caíram em águas territoriais do Catar. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar, Majed al-Ansari, referiu num briefing na terça-feira que decorrem buscas pelas tripulações.
O Irão lançou centenas de mísseis e drones não tripulados contra estados árabes ao longo do Golfo Pérsico, em retaliação pelos ataques aéreos norte-americanos e israelitas contra o país. O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, foi morto na primeira vaga de ataques no sábado, quando os bombardeamentos destruíram o seu complexo em Teerão.
Contudo, a audaz operação iraniana sobre o Catar marcou a primeira vez que o país utilizou aeronaves tripuladas para atacar uma nação vizinha desde a morte de Khamenei — e a primeira vez que a força aérea do Catar se envolveu num combate ar-ar.
O General Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, reconheceu o incidente num briefing na quarta-feira, sem especificar o alvo dos bombardeiros iranianos.
"Caças do Catar abateram, pela primeira vez, dois bombardeiros iranianos a caminho da sua localização", afirmou o responsável numa conferência de imprensa no Pentágono.
Numa chamada telefónica com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, na quarta-feira, o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, descreveu o incidente como uma "escalada" que indica que "não existe um desejo genuíno" por parte do Irão em acalmar a situação ou encontrar uma resolução.
"Pelo contrário, procura causar danos aos seus vizinhos e arrastá-los para uma guerra que não é sua", afirmou Al Thani, de acordo com o resumo da conversa.
O incidente sobre o Catar foi invulgar. Tipicamente, a retaliação do Irão tem sido feita através de mísseis ou drones.
O regime iraniano disparou mais de 400 mísseis balísticos e mais de mil drones contra estados árabes ao longo do Golfo desde o ataque luso-americano, segundo os governos regionais.
Ao visar centros urbanos, infraestruturas energéticas, aeroportos e hotéis nos estados árabes do Golfo, o Irão abalou populações há muito habituadas à segurança.
Embora a maioria dos mísseis e drones iranianos tenha sido intercetada, seis militares norte-americanos morreram quando um projétil iraniano contornou as defesas aéreas e atingiu um centro de operações improvisado no porto de Shuaiba, no Kuwait, no domingo.