Bolsonaro faz um 'mea culpa' e diz que cometeu atos imorais quando era deputado. E, se perder as eleições, não quer imunidade

CNN Portugal , FMC
9 ago, 22:07
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (EPA/ANTONIO LACERDA)

Numa longa conversa num podcast, o presidente brasileiro, entre vários assuntos abordados, afirmou que receber o subsídio auxílio-morada quando possuía uma casa na capital foi imoral, ainda que legal

Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil e candidato às eleições presidenciais, esteve no podcast Flow, na segunda-feira, onde admitiu ter atuado "imoralmente" quando recebeu benefícios monetários e afirmou não ter interesse numa amnistia nem em obter imunidade quando findar o mandato, segundo noticiou o jornal brasileiro Folha de São Paulo

Numa longa entrevista, de cinco horas e 20 minutos e que chegou a mais de meio milhão de ouvintes, Bolsonaro comentou algumas polémicas em que esteve envolvido, aproveitando ainda para atacar o sistema eleitoral e o juiz Alexandre de Moraes, questionar as urnas eletrónicas e repetir a retórica negacionista sobre a pandemia da covid-19.

Uma das polémicas abordadas pelos entrevistadores foi o facto de o atual presidente do Brasil ter aceitado dinheiros públicos indevidamente quando era deputado federal. 

O caso foi divulgado na Folha de São Paulo em 2018. Até janeiro desse ano, segundo o jornal brasileiro, o presidente recebia o subsídio "auxílio morada" pela Câmara de Deputados, ininterruptamente, desde outubro de 1995. 

Este subsídio destina-se a deputados que, por terem de se deslocar do seu local de residência no exercício de funções, têm encargos extra de alojamento. 

Jair Bolsonaro não se enquadrava nesse grupo, uma vez que quando foi eleito deputado já era dono de uma casa em Brasília, capital brasileira, comprada no final da década de 1990. 

Aquando da revelação do caso, o chefe do executivo do Brasil afirmou que na altura "era solteiro" e que, portanto, gastava o dinheiro com mulheres. 

Também o filho, Eduardo, usufrui do mesmo apoio, a partir de fevereiro de 2015 quando tomou posse como deputado pela primeira vez. Segundo estimou a Folha de São Paulo, os dois totalizaram 37 mil reais (139.366,17 euros) dos cofres públicos.

Agora, Bolsonaro assume que o uso do benefício foi "imoral", mas que não constituiu um ato "ilegal". Bolsonaro defendeu que os apartamentos a que se tinha acesso com o subsídio era "quatro vezes" o tamanho do imóvel dele. 

Adiantou ainda que errou quando proferiu que usava o dinheiro para se envolver com outras pessoas, destacando que a mulher Michelle Bolsonaro, o repreendeu pelo comentário.

"Não quero imunidade"

Outro assunto discutido na conversa foi uma possível alteração política. Quando questionado sobre a materialização de uma proposta de emenda à Constituição que visa que seja dada imunidade aos ex-presidentes, garantindo-lhes um cargo político vitalício, Bolsonaro respondeu prontamente que não está interessado. "Não quero imunidade", rematou. 

Além de questões e pedidos de esclarecimentos, Bolsonaro não deixou de repetir a sua retórica: questionou o sistema eleitoral brasileiro e as urnas eletrónicas, criticou os inquéritos abertos pelo juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acusando-o de violar o sigilo.

O juiz em causa iniciou uma investigação para apurar atos antidemocráticos em 2020 que envolve Bolsonaro e os seus apoiantes por alegadamente exortarem um regresso à ditadura militar. 

No podcast, o presidente voltou a negar estar a atentar contra a democracia: "Não tenho medo de perder a eleição, tenho medo de perder a democracia numa eleição", disse, citado pelo Valor.

Bolsonaro respondeu ainda às especulações de que estaria com medo de ser preso caso saia derrotado nas eleições de outubro: "Porque serei preso? Não estou interessado num cargo vitalício ou imunidade depois da eleição. Só não quero o meu país à esquerda", respondeu.

Fiel às suas posições, manteve a sua postura negacionista quanto ao combate à covid-19, questionando também a vacinação. 

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