Ministério Público abre inquérito sobre organização de manifestação por Bolsonaro

Agência Lusa , AM
9 set, 06:18
Jair Bolsonaro nas celebrações do Bicentenário da Independência do Brasil (EPA/Joedson Alves)

Tradicional desfile cívico-militar, que decorre habitualmente no centro da cidade, mudou de localização, a pedido do chefe de Estado, para se realizar na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na presença de milhares de apoiantes de Bolsonaro

O Ministério Público brasileiro abriu um inquérito sobre a organização, a menos de um mês das presidenciais, de uma eventual "manifestação política partidária" pelo governo por ocasião do bicentenário da independência.

O gabinete do procurador-geral disse, na quinta-feira, que a investigação pretende averiguar se houve lugar a um "desvio de objetivo" nas comemorações organizadas na véspera, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na presença de milhares de apoiantes do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, candidato a um novo mandato, de acordo com um comunicado.

O tradicional desfile cívico-militar, que decorre habitualmente no centro da cidade, mudou de localização, a pedido do chefe de Estado, para se realizar naquela praia, onde os apoiantes de Bolsonaro se costumam concentrar, o que levou a uma alegada confusão entre as comemorações do bicentenário e manifestações políticas a favor do Presidente brasileiro.

Na quinta-feira, Bolsonaro recorreu às redes sociais para se defender das denúncias de opositores, de acordo com os quais houve um aproveitamento eleitoral da festa do país: "não gastei um cêntimo, paguei todas as minhas despesas. Houve uma separação clara entre o acontecimento cívico-militar e aquele que decorria no exterior".

Por seu lado, o gabinete do procurador-geral afirmou que, numa primeira fase, não foi possível "identificar os esforços necessários e suficientes para diferenciar as celebrações do bicentenário da manifestação partidária que decorria no mesmo local".

Numa carta dirigida, na quinta-feira, ao Senado, o antigo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou Bolsonaro de "ter desviado" a comemoração do bicentenário numa "tentativa flagrante de obter uma vantagem eleitoral com recursos políticos".

Também na quinta-feira, o Partido Democrático Trabalhista (PDT, oposição) requereu junto do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro a ineligibilidade do Presidente e candidato, que acusou de transformar a celebração do bicentenário da independência num "palanque eleitoral".

De acordo com a última sondagem do Instituto Datafolha, publicada na semana passada, Lula da Silva lidera as intenções de voto para as eleições presidenciais de 2 de outubro, com 45% contra 32% para Bolsonaro.

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